sexta-feira, 30 de março de 2012

PORQUE VOCÊ É ÚNICO

Não viemos ao mundo por acaso, simplesmente por vir.
Temos um lugar a ocupar, um papel à nossa espera, uma missão a cumprir.

Um apelo nos é feito a cada instante e a nossa resposta é urgente e inadiável, única e singular.

Essa é a responsabilidade de cada um: a certeza de que somos insubstituíveis, na íntegra, porque ninguém é igual a ninguém, pessoa alguma é igual a mim ou a você.

 
O meu sim é diferente do seu, assim como a sua história é diferente da minha.
 
O meu temperamento é único, como únicos, a sua concepção de vida e a sua visão do mundo.

A sua maneira de ser é só sua e você pode decidir de um modo ímpar em relação ao todo.

Mas, embora únicos, não vivemos separados.

Fazemos parte de um bloco, uma gigantesca engrenagem, que depende de cada um isoladamente.

Há uma ligação constante e permanente, de cada um com o todo.
O mundo, a humanidade, dependem da minha decisão, da sua ação, do meu espírito, da sua inteligência, do meu otimismo, da sua compreensão, do nosso AMOR.

Se você se esquivar, se você negar a sua parte, haverá uma lacuna e ninguém poderá preenchê-la. O que é seu, só você mesmo pode dar, por que você é único.

O mal do nosso tempo é acusar o mundo e a humanidade como se não fizéssemos parte deles e fôssemos tão somente simples espectadores.

O mundo somos nós.
Nós somos a humanidade.
Somos muitos...
Embora sendo muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.
Porque assim como em um corpo, temos muitos membros, onde nem todos os membros têm a mesma operação.

Tendo vários membros, fazemos parte de um só corpo.
Mas o corpo somente funciona, com a ajuda de todos os membros.


Ivete Tayar 


Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com

quarta-feira, 28 de março de 2012

LEMBRE-SE

Lembre-se de que os outros são pessoas que você pode auxiliar, ainda hoje, e das quais talvez amanhã mesmo você precisará de auxílio.

Todo solo responde não somente conforme a plantação mas também segundo os cuidados que recebe.

Aqueles que renteiam conosco nas mesmas trilhas assemelham-se a nós, carregando qualidades
adquiridas e deficiências que estão buscando liquidar e esquecer.

Reflita nos arranhões mentais que você experimenta quando
alguém se reporta irrefletidamente aos seus problemas e aprenda a respeitar os problemas alheios.

Pensemos no bem e falemos no bem, destacando o lado bom dos acontecimentos, pessoas e coisas.

Toda vez que agimos contra o bem, criamos oportunidades para a influência do mal.

Mostremos o melhor sorriso - o sorriso que nos nasça do coração - sempre que entrarmos em contato com os outros.
Ninguém estima transitar sobre tapetes de espinhos.

Evitemos discussões.
Diálogo, na essência, é intercâmbio.

Se você tem algo de bom a realizar, não se atrase nisso.
Hoje é o tempo de fazer o melhor.

Estime a tarefa dos outros, prestigiando-a com o seu entusiasmo e louvor na construção do bem.

Criar alegria e segurança nos outros é aumentar o nosso rendimento de paz e felicidade.

Não contrarie os pontos de vista dos seus interlocutores.
Podemos ter luz em casa sem apagar a lâmpada dos vizinhos.

Você é uma instituição com objetivos próprios dentro da Vida, a Grande Instituição de Deus.

Os amigos são seus clientes e se você procura ajudá-los, eles igualmente ajudarão você.

Se você sofreu derrotas e contratempos, apenas se deterá se quiser.

A Divina Providência jamais nos cerra as portas do trabalho e, se passamos ontem por fracassos e dificuldades em nossas realizações, o Sol a cada novo dia nos convida a recomeçar.

 
 Fonte:http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com

segunda-feira, 26 de março de 2012

VOCÊ CONSEGUE VIVER SEM DROGAS LEGAIS?

Pedro – o nome é fictício porque ele não quer ser identificado – é um cara por volta dos 40 anos que adora o seu trabalho e é reconhecido pelo que faz. É casado com uma mulher que ama e admira, com quem tem afinidade e longas conversas. Juntando os fundos de garantia e algumas economias os dois compraram um apartamento anos atrás e o quitaram em menos de um ano. Este é o segundo casamento dele, e a convivência com os dois filhos do primeiro é constante e marcada pelo afeto. Ao contrário da regra nesses casos, a relação com a ex-mulher é amigável. Pedro tem vários bons amigos, o que é mais do que um homem pode desejar, acha ele, porque encontrar um ou dois bons amigos na vida já seria o bastante, e ele encontrou pelo menos uns dez com quem sabe que pode contar na hora do aperto. A vida para Pedro faz todo sentido porque ele criou um sentido para ela.
Ótimo. Ele poderia ser personagem de uma daquelas matérias sobre sucesso, felicidade e bem-estar. Mas há algo estranho acontecendo. Algo que pelo menos Pedro estranha. Há dois anos, Pedro toma Lexapro (um antidepressivo), Rivotril (um ansiolítico, tranquilizante) e Stilnox (um hipnótico, indutor de sono). Dou os nomes dos remédios porque os psicofármacos andam tão populares que se fala deles como de marcas de geleia ou tipos de pão. E o fato de nomes tão esquisitos estarem na boca de todos quer dizer alguma coisa sobre o nosso tempo.
Pedro conta que a primeira vez que tomou antidepressivo, anos atrás, foi ao perder uma pessoa da família. A dor da perda o paralisou. Ele não conseguia mais trabalhar. Queria ficar quieto, em casa, de preferência sem falar com ninguém. Nem com a sua mulher e com os filhos ele queria conversar. Pedro só queria ficar “para dentro”. E, quando saía de casa, sentia um medo irracional de que algo poderia acontecer com ele, como um acidente de carro ou um assalto ou ser atingido por uma bala perdida. Ele mesmo pediu indicação de um bom psiquiatra a uma amiga que trabalha na área. Pedro sentia que estava afundando, mas temia cair na mão de algum charlatão do tipo que receita psicofármacos como se fossem aspirinas e acredita que tudo que é do humano é uma mera disfunção química do cérebro.
O psiquiatra era sério e competente. Ele disse a Pedro não acreditar que ele fosse um depressivo ou que tivesse síndrome do pânico, apenas estava em um momento de luto. Precisava de tempo para sofrer, elaborar a perda e dar um lugar a ela. Receitou um antidepressivo a Pedro para ajudá-lo a sair da paralisia porque o paciente repetia que precisava trabalhar. A licença em caso de luto – dois (!!!!) dias, segundo a legislação trabalhista – já tinha sido estendida por um chefe compreensivo. Por Pedro ser muito bom no que faz recebera o privilégio de duas semanas de folga para se recuperar da perda de uma das pessoas mais importantes da vida dele. Pedro não queria “fracassar” nessa volta. E não “fracassou”. Com a ajuda do antidepressivo, depois de algumas semanas ele voltou a produzir com a mesma qualidade de antes. Três meses depois da morte de quem amava, ele já voltara a ser o profissional brilhante.
Pedro tomou o antidepressivo por cerca de um ano, com acompanhamento rigoroso e consultas mensais. Como não agradava nem a ele nem era o estilo do psiquiatra que escolheu, pediu para parar de tomar o remédio. O psiquiatra concordou, e Pedro foi diminuindo a dose da medicação até cessar por completo. Tocou a vida por mais ou menos um ano e meio.
Neste intercurso, ele se tornou ainda mais criativo. Aumentou o número de horas de trabalho, que já eram muitas, porque se sentia muito potente. Pedro multiplicou o seu sucesso, que sempre foi medido por ele não pela quantidade de dinheiro, mas de paixão. E achava que tudo estava maravilhoso até começar a ter insônia. Pedro dormia e acordava, sobressaltado. Sem conseguir voltar a dormir, pensamentos terríveis passavam pela sua cabeça. Pedro pensava que perderia todo o seu sucesso, a sua possibilidade de fazer as coisas que acreditava e às vezes temia morrer de repente. As noites de Pedro passaram a ser povoadas por catástrofes imaginárias, mas bem reais para ele. E, toda vez que saía de casa pela manhã, voltara a ter medo de ser atingido por alguma fatalidade, por algo que estaria sempre fora do seu controle.
Algumas semanas depois do início da insônia, Pedro paralisou de novo. Não conseguia trabalhar – e este, para Pedro, era o maior dos pesadelos reais. Voltou ao consultório psiquiátrico e há dois anos toma os três remédios citados. Pedro, que sempre tinha olhado com desconfiança para a prateleira de psicofármacos, começou a achar natural precisar deles para enfrentar os dias e também as noites. “Que mal tem tomar uma pílula para dormir?”, dizia para a mulher, quando ela o questionava. “Ou tomar umas gotas de tranquilizante para não travar o maxilar de tensão? Ou 15 mg de antidepressivo para vencer a vontade de se atirar no sofá e ficar apenas olhando para dentro?” Sua mulher conta que ele parecia o Capitão Nascimento, em “Tropa de Elite”, tomando comprimidos no banheiro e dizendo à esposa: “Isso aqui não tem problema nenhum. Todo mundo faz isso. Não tem problema nenhum”.
Em 2011, Pedro teve momentos em que achou que tudo estava muito bem mesmo. E, se para tudo ficar tão bem era preciso tomar algumas pílulas, não tinha mesmo problema nenhum. Pedro talvez nunca tenha produzido tanto como neste ano e, por conta disso, até ganhou um aumento de salário sem precisar pedir. Mas, às vezes, não com muita frequência, ele se surpreendia pensando que algumas dimensões da sua vida tinham se perdido. Pedro não tinha mais o mesmo desejo pela sua mulher, e o sexo passou a ser algo secundário na sua vida. Não tinha mais tanto desejo pela sua mulher nem desejo por mulher alguma. “Efeito colateral do antidepressivo”, conformou-se.
Pedro trabalhava tanto que tinha reduzido às idas ao cinema, os encontros com os amigos e a pilha de livros ao lado da cama continuava no mesmo lugar. Ele também tinha perdido o interesse por viagens de lazer com a família, porque estava ocupado demais com seus projetos profissionais. Pedro constatou que os momentos de subjetividade eram cada vez mais escassos na sua vida. E, embora o trabalho lhe desse muita satisfação, ele tinha eliminado uma coleção de pequenos prazeres do seu cotidiano. Por volta do mês de setembro, Pedro começou a sentir uma difusa saudade dele mesmo que já não conseguia ignorar.
“Devagar eu comecei a perceber que tinha criado uma vida que não podia sustentar sem medicação. E tinha aceitado isso. Como, acho, boa parte das pessoas que conheço e que tomam esse tipo de remédio”, conta. “Eu só consigo fazer tudo o que faço porque tenho essa espécie de anabolizante. Sou um bombado psíquico. Vivo muitas experiências todo dia e não tenho nenhum tempo para elaborar essas experiências, como não tive tempo para elaborar o meu luto. É uma vida vertiginosa, mas é uma vida não sentida. Às vezes tenho experiências maravilhosas, mas, na semana seguinte, ou na mesma semana, já não me lembro delas, porque outras experiências se sobrepuseram àquela. E sei que só durmo porque engulo pílulas, só acordo porque engulo pílulas. Só suporto esse ritmo porque engulo pílulas. Até pouco tempo atrás eu achava que tudo bem, então eu ficaria tomando pílulas pelo resto da vida. Em vez de mudar meu cotidiano para que ele se tornasse possível, eu passei a esticar meus limites porque sabia que podia contar com os medicamentos e, se voltasse a cair, me iludia que bastaria aumentar a dose. Eu me tornei uma equação: Pedro + medicamentos. Aos poucos, porém, comecei a perceber que não é essa vida que eu quero para mim. Tem algo errado quando a vida que você inventou para você só é possível porque você toma três comprimidos diferentes para poder vivê-la. E, talvez, daqui a pouco, eu esteja tomando Viagra para ter desejo pela mulher que amo. Isso aos 40 anos. E, com o tempo, os efeitos colaterais desses remédios vão causar, pelo prolongamento do uso, doenças em outras partes do meu corpo. Eu sei que muita gente, como eu, já se habituou a achar que é normal viver à custa de pílulas. Mas, se você parar para pensar, isso é uma loucura. Isso, sim, é doença. E os médicos estão nos mantendo doentes, mas produtivos, usando os remédios para ajustar a máquina a um ritmo que a máquina só vai aguentar por um certo tempo. De repente, percebi que eu era uma máquina humana. E que eu estava usando remédios legais como se fossem cocaína e outras drogas criminalizadas. E o mais maluco é que todo mundo acha que tenho uma vida invejável e que está tudo ótimo comigo. Por serem drogas legais, por causa da popularização de coisas como depressão e síndrome do pânico, todo mundo acha normal eu tomar pílula para ter coragem de sair da cama de manhã e pílula para conseguir dormir sem ter medo de morrer no meio da noite. De repente, me caiu a ficha, e eu comecei a enxergar que estamos todos loucos, a começar por mim. Loucos por achar que isso é normal.”
Com a autorização de Pedro, procurei o psiquiatra dele para uma conversa. É um profissional inteligente e sério. E foi de uma honestidade rara. Perguntei a ele porque receitava psicofármacos para gente como Pedro. “Porque vivemos num mundo em que as pessoas não têm tempo para elaborar o que é do humano. Muitas vezes eu me deparo com essa situação no consultório. Vejo uma pessoa ali me pedindo antidepressivo porque não consegue mais trabalhar, não consegue mais tocar a vida. Eu sei que ela não consegue mais trabalhar nem tocar a vida porque é a sua vida que se tornou impossível, porque precisa de um tempo que não tem para elaborar o vivido. É óbvio que não é possível, por exemplo, elaborar um luto ou uma separação em uma semana e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Assim como não é possível viver sem dúvidas, sem tristezas, sem frustrações. Tudo isso é matéria do humano, mas o ritmo da nossa vida eliminou os tempos de elaboração. Essa pessoa não é doente – é a vida dela que está doente por não existir espaço para vivenciar e elaborar o que é do humano. Só que esse cara precisa trabalhar no dia seguinte e produzir bem ou vai perder o emprego. Então eu dou o antidepressivo e faço um acompanhamento sério, com psicoterapia, para que esse cara possa dar um jeito na vida e parar de tomar remédios. É um dilema e não tem sido fácil lidar com ele, mas é neste mundo que eu exerço a profissão de psiquiatra. Porque no tratamento da depressão, de verdade, a doença, de fato, é muito difícil obter resultados, mesmo com os medicamentos atuais. Assim como outras doenças psíquicas, quando são doenças mesmo. Os resultados são muito mais lentos – e às vezes não há resultado nenhum. A maioria das pessoas que estamos medicando hoje não é doente. E por isso o resultado é rápido e parece altamente satisfatório. Estas pessoas só precisam dar conta de uma vida que um humano não pode dar conta.”
Pedro, que nunca foi adepto das famosas resoluções de Ano-Novo, desta vez se colocou uma que talvez seja a empreitada mais difícil que já enfrentou. “Estou reduzindo progressivamente a dose dos medicamentos e vou parar até março. Minha meta, em 2012, e talvez leve muitos réveillons para conseguir alcançar isso, é criar uma vida possível para mim. Uma vida e uma rotina que meu corpo e minha mente possam dar conta, uma vida em que seja possível aceitar os limites e lidar com eles, uma vida em que eu tenha tempo para sofrer e elaborar o sofrimento, e tempo para usufruir das alegrias e dos pequenos prazeres e da companhia dos que eu amo. Sei que vai ter um custo, sei que vou perder coisas e talvez tenha até de mudar de emprego, mas acho que vai valer a pena. Não quero mais uma mente bombada, nem ser uma máquina bem sucedida. Quero só uma vida humana.”
Torço por Pedro, torço por nós.
 
Eliane Brum
 Fonte:http://cultcarioca.blogspot.com.br

sexta-feira, 23 de março de 2012

COMPANHEIRISMO

Vivemos juntos uns com os outros durante anos e ainda assim não sabemos o que é companheirismo.

Olhe ao seu redor. As pessoas vivem juntas, ninguém vive sozinho: casais, crianças com os pais, pais com seus amigos, pais com seus pais... A vida não existiria sem o sentimento de companheirismo. Aliás, você sabe o que é companheirismo?

Mesmo que você esteja casado há quarenta anos, você e seu cônjuge podem não ter vivido juntos durante um momento sequer. Mesmo ao fazer amor, você poderia estar pensando em outra coisa, o que tornaria o ato sexual algo mecânico.

Ouvi dizer que, uma vez, Mulá Nasruddin foi ver um filme com sua esposa. Estavam casados há mais de vinte anos. O filme tinha cenas tórridas de amor e, ao saírem do cinema, a esposa disse: "Nasruddin, você nunca faz amor comigo como aqueles atores do filme." Nasruddin respondeu: "Você está louca? Você sabe quanto pagam a eles para fazerem aquelas coisas?".

As pessoas continuam vivendo juntas mesmo quando seu amor não é correspondido. Como então é possível amar, se você ama apenas quando se sente amado? Então o amor também se transformou em mais um produto de consumo: não é mais um relacionamento, um companheirismo ou uma celebração a dois.

Se não está feliz com a outra pessoa, quando muito, você a tolera.

A esposa de Mulá Nasruddin estava morrendo e o doutor disse a ele: "Nasruddin, em momentos assim é melhor dizer a verdade: não há como salvar sua esposa. A doença não tem cura e você deve se preparar para o pior. Não sofra, apenas aceite o destino. Sua esposa vai morrer."

Nasruddin disse: "Não se preocupe. Se eu já sofri por causa dela todos esses anos, posso suportar mais algumas horas!".

Sempre que você pensa em termos de tolerância é porque está sofrendo. É por isso que o escritor francês Jean–Paul Sartre disse que "o inferno são os outros", porque com o outro você entra em uma espécie de cativeiro e a relação se transforma em dominação.

Quando o outro começa a criar problemas, sua liberdade acaba e tudo se transforma em rotina, em algo a ser tolerado. Se você estiver apenas tolerando o outro, como conhecer a beleza do fato de estar junto?

Casar significa celebrar o prazer de estar junto. Não é uma licença, muito menos um presente que possa ser fornecido por algum cartório ou sacerdote. Trata-se de uma enorme revolução no seu ser, uma transformação no seu estilo de vida que só acontece quando você comemora a sensação de estar com o outro.

Quando o outro já não é mais percebido como "o outro" e você não se sente mais como um "eu", uma ponte é construída – vocês se tornam um só no que diz respeito ao seu ser mais profundo.

É claro que vocês não existem separadamente, mas a ponte permite que se tenha um vislumbre do significado da palavra companheirismo.

Osho, em "Uma Farmácia para a Alma"
 
Fonte:http://confrariadosdespertos.blogspot.com.br
 

quinta-feira, 22 de março de 2012

A IMPERMANÊNCIA

A vida é como um piquenique em uma tarde de domingo — ela não dura muito tempo. Só olhar o sol, sentir o perfume das flores ou respirar o ar puro já é uma alegria. Mas se tudo o que fazemos é ficar discutindo onde pôr a toalha, quem vai sentar em que canto, quem vai ficar com o peito ou a coxa do frango…, que desperdício! Mais cedo ou mais tarde o tempo fecha, a tarde cai e o piquenique acaba. E tudo o que fizemos foi ficar discutindo e implicando uns com os outros. Pense em tudo que se perdeu.
Você pode estar se perguntando: se tudo é impermanente, se nada dura, como pode alguém viver feliz? É verdade que não podemos, de fato, agarrar ou nos segurar às coisas, mas podemos usar esse conhecimento para olhar a vida de modo diferente, como uma oportunidade muito breve e rara. Se trouxermos à nossa vida a maturidade de saber que tudo é impermanente, vamos ver que nossas experiências serão mais ricas, nossos relacionamentos mais sinceros, e teremos maior apreciação por tudo aquilo que já desfrutamos.
Também seremos mais pacientes. Vamos compreender que, por pior que as coisas possam parecer no momento, as circunstâncias infelizes não podem durar. Teremos a sensação de que seremos capazes de suportá-las até que passem. E com maior paciência seremos mais delicados com as pessoas a nossa volta. Não é tão difícil manifestar um gesto amoroso quando nos damos conta de que talvez nunca mais estaremos com a nossa tia-avó. Por que não deixá-la feliz? Por que não dispor de tempo para ouvir todas aquelas histórias antigas?
Chegar à compreensão da impermanência e ao desejo autêntico de fazer os outros felizes nesta breve oportunidade que temos juntos, constitui o começo da verdadeira prática espiritual. É esse tipo de sinceridade que efetivamente catalisa a transformação em nossa mente e em nosso ser.
Não precisamos raspar a cabeça nem usar vestes especiais. Não precisamos sair de casa nem dormir em uma cama de pedras. A prática espiritual não requer condições austeras — apenas um bom coração e a maturidade de compreender a impermanência. Isso nos fará progredir.

 Chagdud Tulku Rinpoche


Fonte:http://nadarealpodeserameacado.blogspot.com

quarta-feira, 21 de março de 2012

ALÉM DO QUE PODEMOS CARREGAR

Ouvimos, como motivação ou intenção de consolo, talvez mesmo um pequeno raio de esperança, que Deus não nos dá a carga além da que podemos carregar.

É assim que suportamos, passo a passo, os fardos que chegam a nós e as misérias que ouvimos, previstas há séculos, às quais recebemos sempre como algo surpreendentemente novo e assustador.

Não sabemos como vai ser o amanhã, mas nos sabemos cabeças nuas e sujeitas ao que vier. Não estamos preparados para a dor e desolação e jamais estaremos.

Pés calejados não suportam melhor os calçados apertados.

É assim que, mesmo "preparados" mal suportamos as cargas e com lágrimas as carregamos.

Sobrevivemos a elas e os que não sobrevivem é por que os limites foram atingidos.

Se a dor vence a força é porque a paz estava no descanso eterno.

Compreendemos mal essas verdades; vivemos mal essas verdades e se não aceitamos, aprendemos o que significa a resignação.

Grandes tragédias sempre existiram.

Guerras, enchentes, terremotos, pragas e pestes, cidades inteiras destruídas já são citadas no Antigo Testamento... o que é diferente nos dias atuais são os meios de comunicação que tornam tudo imediatamente acessível, aos ouvidos e olhos.

Se não sabemos, não sofremos; se sabemos e não vemos, sofremos menos.

Nosso amor a Deus não pode ser condicional ao que vivemos, por que o amor dEle não é condicional ao que oferecemos.

Isso não é uma palavra de consolo, nem uma pequena luz de esperança para o dia de amanhã, mas uma verdade que nos conduzirá ao sentimento de paz e à vida eterna.

Se as cargas são por demais pesadas e aparentemente insuportáveis e continuamos de pé é que ainda temos um caminho pela frente, para viver e estender a mão aos que carregam cruzes mais pesadas que as nossas.


Letícia Thompson 


Fonte:http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com

terça-feira, 20 de março de 2012

EQUINÓCIO DE OUTONO

Folhas caem ao vento
É chegado um novo tempo
Tempo de adormecer.
A morte para o renascimento
A luz para o amadurecer
Semeamos ao longo da vida
os grãos que colheremos um dia
Tudo tem fim e se reinicia
O fim da colheita se aproxima.
E após o semeado colher
é hora de novamente semear
O ciclo da vida não cessa
É a Roda da Vida à girar

Está então em suas mãos
Refletir sobre os caminhos
que os seus pés trilharão
Por onde já pisou?
Por onde quer pisar?
Escolha consciente dos passos que dará

No Outono terás tempo, de refletir, silenciar
Resgatar as forças, para o tempo que virá.
Viva esta aprendizagem, para a vida transformar

E agradeça à  própria VIDA por nova Vida lhe dar.
 
Fonte:http://viddaprosaepoesia.blogspot.com.br
 
 

segunda-feira, 19 de março de 2012

CHEGOU SEM AVISAR...

Às vezes, uma visita inesperada traz mais aborrecimentos do que momentos agradáveis porque somos pegos desprevenidos. Mesmo assim, abrimos a porta de nossa casa, convidamos a se sentar e oferecemos o que temos disponível: um cafezinho com bolachas.

Na mercearia perto de casa, enquanto eu comprava uns recheios de sanduíche, uma senhorinha idosa e que mora sozinha, pediu dois pacotinhos de patê e comentou:

—    Uma velha amiga foi me visitar ontem. Eu só tinha um saquinho deste patê. Fiz e servi. Ela comeu quase tudo.

—    Bom... e agora a senhora está comprando dois... ela vai visitá-la novamente? Emendei em tom amistoso.

Ela me respondeu, brava e severamente:
—    Tomara que não!

A gratificação em acolher um visitante na própria casa estaria se extinguindo? Estará extinta a faculdade de compartilhar a companhia de uma visita inesperada, em conversa despretensiosa, entremeada de bem-querer indizível?

Fomos muito mal acostumados em oferecer, apenas, para quem supomos obter algo em troca, enquanto negamos a oferta para quem tem dela precisão. Construímos nossas personalidades através desta troca de moedas falsas.

Fomos mal habituados em tecer conjecturas sobre os aspectos de caráter malicioso que podemos inferir de um gesto ao invés de favorecermos a compreensão em considerações mais amorosas. Fica impossível entremear com o mínimo de benquerença qualquer relação quando estamos tomados por conjecturas sobre, tão somente, aspectos práticos e egóicos.

Enquanto prevalecer o pragmatismo em nós, nos será negada a apreensão do significado inusitado da frase:

“Àquele que tem será acrescentado e terá em abundância, mas àquele que não tem, mesmo o pouco que tem lhe será tomado”.

Pragmáticos, tenderemos a nos incapacitar a cada dia que envelhecemos... tenderemos a envelhecer incapacitados... incapacitados em comungar de uma conversa simplória, regada a cafezinho com bolachas.

LibaN RaaCh
 Fonte: http://confrariadosdespertos.blogspot.com

quinta-feira, 15 de março de 2012

AMIGOS SÃO ESTRADAS

Certos amigos são indispensáveis, simples como aquela estradinha de terra no interior, onde do alto da colina podemos avistá-la inteirinha, sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar, são transparentes e confiáveis.

Outros acabaram de chegar, como estradas que só conhecemos pelo Guia, e vamo-nos aventurando sem saber muito bem seus limites, é um caminho desconhecido, mas que sempre vale a pena trilhar.

Tem amigos que lembram aquelas estradas vicinais, que pouco usamos, pouco vemos, mas sabemos que quando precisarmos, ela estará lá, poderemos passar e cortar caminho, mesmo distante, estão sempre em nossa memória.

Por certo, também existem amigos que infelizmente, lembram aquelas estradas maravilhosas, com pistas largas e asfalto sempre novo, mas que enganam o motorista, pois são cheias de curvas perigosas, e quando você menos espera...é traído pela confiança excessiva.

E existem amigos que são como aquelas estradas que desapareceram, não existem mais, mas que sempre ligam a nossa emoção até a saudade, saudade de uma paisagem, um pedaço daquela estrada, que deixou marcas profundas em nosso coração.

Foram, mas ficaram impregnados em nossa alma.

E na viagem da vida, que pode ser longa ou curta amigos são mais do que estradas, são placas que indicam a direção, e naqueles momentos em que mais precisamos, por vezes são o nosso próprio chão.


Paulo Roberto Gaefke 

Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com

terça-feira, 13 de março de 2012

O PÉ DE PÊRA

Um homem tinha quatro filhos. 

Ele queria que seus filhos aprendessem a não ter pressa quando fizessem seus julgamentos. 
Por isso, convidou cada um deles para fazer uma viagem e observar uma pereira, plantada num local distante.
O primeiro filho chegou lá no INVERNO.
O segundo na PRIMAVERA.
O terceiro no VERÃO.
E o quarto, o caçula, no OUTONO.
Quando eles retornaram, o pai os reuniu e pediu que contassem o que tinham visto.
O primeiro chegou lá no INVERNO.Disse que a árvore era feia e acrescentou:
“- Além de feia, ela é seca e retorcida”
O segundo chegou lá na PRIMAVERA. Disse que aquilo não era verdade. Contou que encontrou uma árvore cheia de botões, e carregada de promessas.

 terceiro chegou no VERÃO.Disse que ela estava coberta de flores, que tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que era a coisa mais graciosa que ele jamais tinha visto.
O último chegou no OUTONO.
 le disse que a árvore estava carregada e arqueada cheia de frutas, vida e expectativas...
O pai então explicou a seus filhos que todos eles estavam certos, porque eles haviam visto apenas uma estação da vida da árvore...
Disse que não se pode julgar uma árvore, ou uma pessoa, por apenas uma estação.
Que a essência do que se é (como o prazer, a alegria, e o amor que vem da vida), só pode ser constatada no final de tudo, exatamente como no momento em que todas as estações do ano se completam!
Se alguém desistir no INVERNO, perderá as promessas da PRIMAVERA, a beleza do VERÃO e a expectativa do OUTONO.
Não permita que a dor de uma estação destrua a alegria de todas as outras. 
Não julgue a vida apenas por uma estação difícil. Preserve através dos caminhos difíceis e melhores tempos virão, de uma hora para outra!!!



sexta-feira, 9 de março de 2012

VOCÊ NÃO PRECISA PROCURAR

Quando você olha para a superfície do oceano, pode ver ondas subindo e descendo. Você pode descrever essas ondas em termos de alta ou baixa, pequena ou grande, mais vigorosa ou menos vigorosa, mais bonitas ou menos bonitas. Você pode descrever uma onda em termos de início e fim, nascimento e morte.
Esta pode ser comparada à dimensão histórica. Na dimensão histórica nós estamos preocupados com nascimento e morte, mais poderoso ou menos poderoso, mais bonito ou menos bonito e assim por diante.

Olhando profundamente, podemos também ver que as ondas são ao mesmo tempo água. Uma onda pode querer procurar sua verdadeira natureza. A onda pode sofrer de medos, de complexos. Uma onda pode dizer: “Eu não sou grande como as outras ondas”, “eu estou oprimida”, ”eu não sou tão bonita como as outras ondas”, “eu nasci e eu tenho que morrer”.

A onda pode sofrer com essas coisas. Mas se a onda se curvar e tocar sua verdadeira natureza ela tomará consciência que ela é água. Então o medo e os complexos desaparecerão.

A água é livre do nascimento e morte. A água é livre do alto e baixo, do mais bonito e menos bonito. Você pode falar nesses termos de ondas, mas em termos de água esses conceitos são inválidos.

Nossa verdadeira natureza é a natureza do não nascimento e não morte.

Nós não precisamos ir a nenhum lugar para tocarmos nossa verdadeira natureza.

A onda não precisa procurar pela água porque ela é água. Nós não precisamos procurar por Deus, não precisamos procurar pelo nirvana, a dimensão última, porque nós somos nirvana, nós somos Deus.

Você é o que está procurando. Você já é o que está procurando. Você pode dizer à onda, “minha querida onda, você é água, você não precisa ir e procurar pela água. Sua natureza é a do não nascimento e não morte, de não ser e de não não ser”.

Pratique como uma onda. Use seu tempo olhando profundamente dentro de você mesmo e reconhecendo que sua natureza é a natureza do não nascimento e não morte. Você poderá despontar para a liberdade e para a falta de medo.

Este método nos ajuda a viver sem medo e nos ajudará a morrer em paz sem lamentações.

 
Thich Nhat Hanh
 
Fonte: http://luiza-uniaodaluz.blogspot.com/    

quinta-feira, 8 de março de 2012

SAUDAÇÃO AS MULHERES

Sei que não existiria vida
e nem eu estaria aqui falando da vida
se Deus não tivesse te criado ó mulher
como obra prima de nossa natureza...

Por isso te saúdo,
olhando-te como essência,
transparência do ser e existir
bem aqui nessa nossa realidade...
Verdade que me faz amar-te como és...

Bela...
Feminina...
Esplendida...
Divina...
Menina dos olhos de Deus...

Suave...
Serena...
Plena de dignidade...
Da livre vontade a caminho dos céus...

E digo mais...
 
Sem ti tudo aqui ficaria sem graça
Sem singeleza...
Sem essa beleza que nos atrai tanto...
Sem o encanto de tuas formas...
Sem a fecundidade de teu ventre mãe...
Sem a brisa leve das manhãs...
sem as vozes de teu infinito...
vocal bendito como se de anjos fosse...

Ah! Mulher...
Como és incompreendida
e desrespeitada em teu modo de ser...
Porque no mais das vezes
és olhada somente em tuas medidas
como objeto do desejo masculino....
na ânsia de possuírem-te 
e nada mais....

Quem dera que fosses percebida...
como o anjo percebeu a mãe de Jesus...
Cheia de graça...
Plena do Espírito Santo...
Toda de Deus...
Sim onipresente...
Onisciente...
Onipotente...
Verdadeiro dom de Sua Luz...
 
Que sejas assim ó mulher,
não apenas neste teu dia de festa,
mas em todos os dias de tua vida...
Pois eis que falo de tua intimidade
Dessa realidade sagrada
criada por Deus
como verdadeira fonte do puro amor...

Creio seria covardia não te olhar assim...
Não te querer assim...
Creio que seria covardia...
Não te admirar como tu és...
E não te amar nessa admiração...

Por isso, beijo o teu coração
na moção da graça do amor,
na certeza que és a mais bela flor  
plantada por Deus no jardim
desse nosso imenso paraíso terrestre...

Parabéns...
Feliz dia das mulheres...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.
 
 
Fonte:http://brasilfranciscano.blogspot.com
 

quarta-feira, 7 de março de 2012

OUÇA, POR FAVOR

Quando peço para você me ouvir e você começa a me dar conselhos, não está fazendo o que eu pedi.
Quando peço para você me ouvir e você começa a me dizer por que eu não deveria me sentir assim, está ferindo meus sentimentos.
Quando peço para você me ouvir e você acha que precisa fazer alguma coisa para resolver o meu problema, você não me ajudou, por mais estranho que pareça.
Não fale nem faça - apenas ouça.
Conselhos são baratos. Com pouco dinheiro, você compra uma revista, um jornal ou um livro cheios de conselhos. E isso eu posso fazer por conta própria. Não sou incapaz.
Talvez me desanime e hesite com frequência, mas não sou incapaz.
Quando você faz por mim alguma coisa que eu posso e preciso fazer por conta própria, você contribui para o meu medo e a minha insegurança.
Mas, quando você aceita como um fato natural que eu sinta o que sinto, por mais irracional que seja, aí eu não preciso me preocupar em convencer você e posso entender o que está por trás desse sentimento irracional.
E, quando isso estiver claro, as respostas serão óbvias e não precisarei de conselhos.
Sentimentos irracionais fazem sentido quando entendemos o que está por trás deles.
Talvez seja por isso que rezar funciona às vezes para algumas pessoas - porque Deus é mudo e não dá conselhos, nem tenta consertar as coisas. Deus apenas ouve e deixa você descobrir as coisas por conta própria.
Então, por favor, apenas ouça, apenas ouça.
E se quiser falar, espere um pouco a sua vez - e eu ouvirei você


Fonte:http://venturaana.blogspot.com

terça-feira, 6 de março de 2012

GANESHA

Ganesha significa “Senhor de Todos os Seres”. 

É filho do Senhor Shiva, a “Realidade Suprema”, e de Parvati, a “Mãe do Cosmos”. 

Seus sinais sobre a testa representam as três dimensões: a região inferior, a Terra e o Paraíso. 

Suas orelhas simbolizam a grande sapiência da educação espiritual. 

Seus olhos enxergam além da dualidade, o espírito de Deus em cada um. 

Sua tromba indica capacidade intelectiva. Suas presas representam os mundos material e espiritual, negativo e positivo, Yin e Yang, forte e fraco. Sua enorme barriga indica capacidade de “ingerir” qualquer experiência, representando também a abundância. 

Seus braços representam os quatro atributos do corpo: mente, corpo, intelecto e consciência. Em sua mão direita (acima) carrega uma machadinha, que decepa os apegos do mundo material; na outra (abaixo), o sinal do OM, que abençoa com prosperidade e destemor; na mão esquerda (acima), o laço significa a fertilidade, a própria natureza; na outra (abaixo), gadu, um doce feito de grão-de-bico com açúcar granulado ou doce-de-leite com arroz, que representa a satisfação e a plenitude do conhecimento. O rato significa que devemos ser astutos e diligentes em nossas ações. A serpente é o símbolo da energia física, guardiã dos segredos da Terra. 

Assim, Ganesha é o Mestre do Conhecimento, da Inteligência e da Sapiência. É aquele que proporciona a potência espiritual e a inteligência suprema. 

É o grande Removedor dos obstáculos, Guardião da Riqueza, da Beleza, da Saúde, do Sucesso, da Prosperidade, da Graça, da Compaixão, da Força e do Equilíbrio. 


quinta-feira, 1 de março de 2012

YOGA - A RELIGIÃO UNIVERSAL

Vez por outra, encontro alguém que infantilmente se inquieta com a hipótese absurda de, vindo a envolver-se com Yoga, cometer apostasia e trair sua religião particular, à qual “pertence” desde a infância de forma acomodada.

Alguns me perguntam receosos se Yoga é religião. Em geral, respondo: “Se você vê religião como um processo holístico (psico-bio-físico-espiritual) de re-união de partes que antes estavam unidas e agora estão separadas e em conflito, se a vê como a re-união da alma com Deus, então Yoga é essencialmente uma religião.

Se um cristão, mesmo nada sabendo de Yoga, cumprir o caminho (marga), a disciplina ascética (sádhana) e a ética (dharma) ensinados e exemplificados por Jesus, poderá retornar à “casa do Pai”.


Volta a ser um com o Pai. Tal é, a rigor, o Yoga do Cristo. Não é disso que fala a parábola do “Filho Pródigo”? A re-ligação ou religião do filho com o Pai é a forma mais exata de entender Yoga.

Desde que dharma (dever, mandamento e injunção), o sádhana (disciplina, ascese) e o marga (caminho de redenção a ser percorrido), estabelecidos por Cristo no Evangelho, sejam cumpridos com discernimento, decisão, dedicação, devoção e disciplina, o cristão pratica e alcança o Yoga.

Que todo cristão consiga praticar o Yoga ensinado e exemplificado por; que ouça, analise, compreenda (em espírito Jesus; e em verdade) e ponha Jesus em prática o que Ele ensina em seu santo e sábio Evangelho:

“Se permanecerdes em minha palavra (doutrina), sereis verdadeiramente meus discípulos e tereis a gnose da Verdade, e a Verdade vos libertará (jnana) Se alguém quer vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome cada um a sua cruz e siga-me (tapah)”.

Fazei aos outros aquilo que quereis que vos façam (seva). Perdoai setenta vezes sete vezes (kshama). Orai pelos que vos perseguem e caluniam (prema). Buscai primeiro o Reino de Deus e vosso ajustamento a Ele, e o resto vos será acrescentado (mumukshutva).

Muito, mas muito mais, Ele estipulou como seu dharma (preceitos, injunções, virtudes, deveres...), definiu seu marga (caminho a ser percorrido) e ensinou seu sádhana (disciplina a ser observada). Sugeriu que se optasse pela “porta estreita” que permite e promove a re-ligação com a “casa do Pai”, com o Dono da Casa.

Tivesse Ele se dirigido a hindus, penso que poderia falar assim: “Se vos ajustardes ao dharma, avançardes no marga e cumprirdes o sádhana, que vos ensinei e tanto exemplifiquei, alcançareis o estado adwaita e chegareis a dizer junto comigo “eu e o Pai somos um” e tomareis consciência de que sois Deus.

E este jnana vos libertará de samsara, o mundo dos mortos, onde há choro e ranger de dentes, e tereis vida, mas vida em abundância.” Se alguém, se supondo cristão, vier a contestar e combater o Yoga, “perdoai, pois não sabe o que faz”. Não conhece Yoga e nem a luminosa essência de sua religião tão sábia.

Em verdade, não somente o hinduísmo e o cristianismo realizam Yoga, mas todas as grandes religiões, embora sejam diferentes na superfície, em essência se propõem a levar seus seguidores à união com a Meta Suprema, que apesar de receber denominações distintas, é sempre a mesma.

Trecho do livro “O que é Yoga”. Professor Hermógenes
Fonte:http://www.harmoniaespiritual.com.br