quinta-feira, 28 de julho de 2011

SER SURPREENDIDO POR TUDO OU POR NADA

Ser surpreendido por tudo é claro que é estupido, e não ser supreendido por nada é algo que é considerado muito melhor. Mas isso não é realmente verdade. A minha mente não ser surpreendida por nada é muito mais estúpido do que ser surpreendido por tudo. Além disso, não ser surpreendido por nada é quase igual a não se sentir respeito por nada. E é realmente um homem estúpido aquele que é incapaz de sentir respeito. 

Fonte: Fiodor Dostoievski, in "Bobok"

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A MENTE FUTURÍSTICA: OTIMISTAS VIVEM MAIS

Leciono neurociências para estudantes das áreas de saúde e costumo começar uma das aulas pedindo para levantarem a mão aqueles que se acham mais inteligente do que a média. Como esperado, a grande maioria das pessoas acredita que se encaixa nos 10% mais espertos do planeta– o que é simplesmente impossível. O mesmo truque aplica-se quando pergunto quem se acha bom motorista, quem tem filho prodígio ou mesmo quem acredita que viverá até os 100 anos. Sempre superestimamos nossa própria capacidade e esperamos que o futuro será muito melhor do que a realidade.
O fenômeno é uma característica tipicamente humana, conhecida como “viés otimista”, atingindo todas as faixas etárias, independente de religião, classe econômica, etc. Vale notar que o pessimismo social, principalmente após um desastre natural (tornado, enchente) ou evento marcante (corrupção, assassinato), pode crescer coletivamente na população. Mas não é sobre isso que estou me referindo, o otimismo pessoal é resistente a tudo.
Essa distorção positiva da realidade tem consequências sérias para o próprio indivíduo: você não se prepara pra uma prova o quanto deveria, não se arrepende de uma decisão errada ou não acha que precisa ir ao médico. Por outro lado, esse otimismo inspira, nos motiva a continuar seguindo em frente ao invés de simplesmente desistir de algo.
A lição é simples, sem otimismo nossos ancestrais estariam acomodados em cavernas, sonhando com dias melhores, e não estariam dispostos a migrar para áreas desconhecidas em busca de melhores condições.
Para progredir na vida, precisamos imaginar realidades alternativas, melhores do que a que temos, e realmente acreditar que possamos atingi-las. Essa fé ajuda a focar nos objetivos e metas individuais. Por isso mesmo, pessoas otimistas tendem a trabalhar mais e a ganhar melhores salários. Também têm melhores poupanças. Apesar de não se divorciarem menos do que os pessimistas, os otimistas têm mais chances de se casar novamente. É o real triunfo da esperança sobre a experiência.
E mesmo que esse otimismo pareça uma ilusão futurística, o fato de ser otimista traz vantagens imediatas. Pesquisas mostram que ter esperanças e imaginar situações melhores mantém a mente livre de estresse e melhora o condicionamento físico. O pensamento positivo é um dos fatores principais para o envelhecimento sadio. Pessoas otimistas com doenças do coração, por exemplo, tendem a cuidar da dieta e fazer mais exercícios do que os pessimistas, reduzindo o risco de uma futura complicação. O mesmo acontece com pacientes com câncer. Os desesperados morrem mais cedo.
Tudo leva a crer que o otimismo estaria estampado geneticamente em nosso genoma, afetando redes neurais específicas. Essa conclusão é de suma importância para psicologia e neurociência: nosso cérebro não reflete apenas o que aconteceu no passado, durante a evolução. Nosso cérebro estaria sendo constantemente modelado pelo futuro.
Fortes evidências de que isso realmente acontece vem de trabalhos que buscam a reconstrução de memórias humanas após acidentes graves. Pessoas que presenciaram momentos dramáticos (de dor ou perda) diluem detalhes importantes dessas memórias com o tempo. Seria como se o cérebro forçasse a mente a esquecer, ou mesmo atenuar, o incidente. Mães em partos traumáticos tentam um segundo filho. Surfistas atacados por tubarão sonham em voltar a surfar no mesmo local. O cérebro não parece ser programado para o replay de memórias traumáticas. O cérebro está programado para memórias futuras, inserindo e deletando informações importantes, criando uma imagem futurística muito melhor do que o passado ou realidade.
Repare que isso acontece conosco o tempo todo, mesmo em ações mundanas, banais. Sempre esperamos mais, algo inusitado, que seremos premiados de alguma forma. Se tivermos que imaginar uma viagem longa de avião, pensamos na comida, no filme, nas pessoas interessantes que vamos conhecer. Nunca pensamos no incômodo das poltronas, nos atrasos, ou no bebê chorão. O mundo do futuro é muito melhor do que a realidade. Nossa tendência otimista parece ser uma consequência de como a evolução selecionou a atual arquitetura do cérebro do homem moderno.
Um ser otimista é um ser que consegue se projetar no futuro. Nesse aspecto, o cérebro humano é extraordinário, uma perfeita máquina do tempo. Pode parecer trivial, mas a capacidade de nos posicionarmos no passado e no futuro foi essencial para nossa sobrevivência. É relativamente simples de entender porque essa habilidade foi selecionada. O planejamento racional, de comida, aquecimento, etc, permite usufruirmos disso tudo em épocas mais difíceis. O mesmo mecanismo nos permite antecipar como as ações que acontecem hoje irão influenciar as futuras gerações. Afinal, se não fosse isso, estaríamos realmente preocupados com o aquecimento global?
A contrapartida dessa vantagem parece ser a aquisição da consciência de que somos mortais. Essa consciência deve ter levado centenas de populações humanas para um beco-evolutivo sem saída. A consciência da morte atrapalha a evolução. Discuti esse ponto anteriormente (clique aqui para ler) e acredito que o fator principal que tenha favorecido o Homo sapiens entre as outras populações humanas foi a paralela evolução da negação da morte. A única forma de obtermos a consciência de viajar mentalmente no tempo foi com o concomitante surgimento do otimismo irracional. A consciência da morte teve que emergir lado-a-lado com nossa persistente habilidade de imaginar um futuro melhor.
E quais seriam as redes neurais responsáveis pelo otimismo humano? A capacidade de imaginar o futuro é codificada parcialmente por uma região do cérebro chamada de hipocampo. Pessoas com danos no hipocampo não conseguem reaver memórias do passado. Também não conseguem projetar imagens ou cenários no futuro. Essas pessoas estão presas no presente. Com o hipocampo intacto, nós transitamos no tempo constantemente: lembramos de uma conversa que tivemos ontem e o que vamos comer no jantar de amanhã. Outras regiões que se mostraram importantes em trabalhos de ressonância magnética foram o córtex prefrontal, a amígdala e o córtex cingulato anterior. Essas regiões são ativadas precisamente quando temos pensamentos positivos e são menos ativas em pessoas altamente deprimidas. Pessoas com depressão moderada são, possivelmente, as mais realistas. É interessante notar que, na ausência de circuitos neuronais que ressoem o otimismo, os humanos seriam todos moderadamente deprimidos.
Por fim, talvez a questão mais relevante pra mim seja como conseguir levar adiante nosso otimismo, sem cairmos na própria armadilha de criar algo irreal. Autoconsciência do otimismo pode ser uma solução. O reconhecimento da própria ilusão otimista pode nos proteger de decisões erradas. Não é ruim pensarmos que viveremos até os 100 anos e buscar motivação para isso. Mas também não é mal começarmos a pagar aquele seguro saúde.
Tenho certeza de que o dia amanhã vai ser ensolarado, com belas ondas quebrando na Califa. Pode ser, mas tenho sempre um tapete de ioga no carro no caso do tempo virar.

Fonte:  http://g1.globo.com/platb/espiral  -   Alysson Muotri 

quarta-feira, 20 de julho de 2011

quarta-feira, 13 de julho de 2011

RISCO

Rir é correr o risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco
de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão
é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas devemos correr os riscos,
porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada,
não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões,
mas não conseguem nada,não sentem nada, não mudam,
não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas,
privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!


Seneca (orador romano que viveu entre 55aC e 39dC)

terça-feira, 5 de julho de 2011

ESCOLHAS

"Qualquer caminho é apenas um caminho e não constitui insulto abandoná-lo quando assim ordena o seu coração. 
Olhe cada caminho com cuidado e atenção. 
Então, faça a si mesmo uma pergunta: 
esse caminho possui um coração?
Caso afirmativo o caminho é bom. 
Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma". 


Fonte: Carlos Castañeda "Os ensinamentos de Dom Juan"

sexta-feira, 1 de julho de 2011

PARA DESCOBRIR

O EFEITO SOMBRA
O livro é dividido em três partes para cada um dos três autores: Deepak Chopra, Debbie Ford e Marianne Williamson. Cada um com um estilo único abordando o tema da sombra ou o self dividido. Digo o porquê de ter gostado da leitura, diferente dos livros de auto-ajuda em que tudo é colorido e defende o positivismo como chave de tudo e única saída, O Efeito Sombra é o oposto.
O livro parte da premissa que todo ser humano tem um self dividido e que temos sempre que buscar a plenitude. O que seria o self dividido? Nada mais, nada menos que o seu lado obscuro, o Curinga da citação acima. É esse lado obscuro que irá sabotar a sua vida.
Debbie Ford faz uma metáfora excelente com bolas de praias. Ela diz que gastamos muito tempo tentando esconder esse lado sombrio, vestindo um personagem para agradar, como quando você pega várias bolas e coloca embaixo da água e tenta segurar. Só que você não consegue segurar isso por muito tempo e quando essa bola sobe, ela sobe fazendo um estrago. E ela dá vários exemplos de pessoas famosas que não conseguiram segurar sua bola. Como a atriz Winona Ryder que foi pega furtando, sendo que ela tem dinheiro suficiente para comprar até loja.
A solução é abraçar nossa sombra, aprender a lidar com ela e, assim, tornamos plenos e não divididos. Já que todo herói só existe porque tem um vilão tão forte quanto ele, que todo santo é também pecador.
O ser humano tem a dualidade dentro de si e que devemos aproveitar a sombra para o bem e não tentar escondê-la com medo do que os outros vão achar. Tanto que há características da sombra que servem para nos ajudar. Para cada explicação, a Debbie Ford coloca vários exemplos e até conta sobre sua experiência com a sombra e as drogas.
A Marianne Williamson leva mais para o lado espiritual e religioso, fazendo várias analogias com a religião, Deus e o Diabo. E que todos temos o Iluminado,Espírito Santo e que a finalidade da sombra é apagar isso. Fala do carma ou como eu gosto de dizer: “O mundo dá voltas”. Diferente da Debbie, ela defende que temos que acabar com o lado sombrio, só que a maioria não tem medo da sombra, mas do iluminado. O que eu achei contraditório…
Deepak Chopra faz uma análise profunda da sombra coletiva, muito interessante como ele aborda o terrorismo e a guerra. Ele diz que ninguém entra numa guerra achando que está contra Deus - os dois lados acham que a guerra é o certo, é a sombra coletiva do nacionalismo. Chopra coloca os principais paradoxos atuais e como lidar com isso e ser pleno, seja a questão da segurança e insegurança, desejo e necessidade, aceitação e rejeição, entre outros. Ele faz uma análise da sociedade muito boa. Por exemplo, ele diz que quanto mais rica a pessoa for ,mais insegura ela será, por que de nada adianta você comprar alarmes, cerca elétrica, cachorros, etc., se a insegurança está dentro da cabeça.
Enfim, é um livro muito interessante de se ler e que você, com certeza, vai se identificar em algumas passagens e identificar familiares e conhecidos em outras. E são passados para o leitor vários ensinamentos interessantes em como sempre estamos aptos a jogar a culpa nos outros; não reconhecer que o defeito que você tanto despreza no outro é um defeito seu; antes de julgar, saber o motivo da pessoa se comportar dessa forma, etc. E até um que eu ri que não tem como andarmos com uma plaquinha escrita: “Tive uma infância difícil” e se fazer de vítima,  e sim assumir a responsabilidade de como somos e tentar mudar isso.
Eu descobri qual é a minha sombra e qual é o meu comportamento repetitivo, e você quer descobrir qual é a sua sombra?
Fonte: Resenha  www.sobrelivros.com.br

POSSO OU NÃO POSSO?