“Quando fores te engajar em um caminho, pergunta a ti mesmo se esse caminho possui um coração”, disse Dom Juan, o iniciador de Carlos Castañeda.
Não se trata do coração físico,
sequer do coração afetivo e emocional, mas do coração como centro de
integração de todas as faculdades da pessoa; o coração como “centro” do
homem – praticamente todas as grandes tradições da humanidade dão
testemunho disso.
Um dos dramas do homem
contemporâneo é ter perdido o seu coração. Não existe nada entre o
cérebro e o sexo; às vezes apenas uma imensa saudade... mas
frequentemente passamos das mais frias análises aos excessos pulsantes
mais levianos. Dessa maneira, o homem torna-se cada vez mais
esquizofrênico, tendo perdido o seu centro de integração, de
“personalização” do seu ser: o coração.
Uma inteligência sem coração não
é realmente humana. Quando os bancos de memória de um computador são
decuplicados, ele torna-se mais “inteligente” do que o homem. A
inteligência sem o coração, “a ciência sem consciência”, ilumina nossas
sociedades com uma luz fria onde o homem “se gela”, se analisa e se
entedia...
Uma sexualidade sem coração não é
uma sexualidade realmente humana, qualquer que seja a quantidade das
nossas intensidades pulsantes, é apenas em uma relação de pessoa a
pessoa que o prazer efêmero pode se transformar em felicidade
permanente. “No verdadeiro amor”, dizia Nietzsche, “é a alma que envolve o corpo.”
É o coração que dá um sentido
aos nossos enlaces, assim como é o coração que pode orientar as
descobertas da inteligência (cf. a física nuclear) em um sentido
positivo à vida da humanidade.
Vivemos na época das luzes néon e
dos cobertores elétricos, das luzes frias e dos calores opacos. Não é
possível se aquecer junto a uma luz néon, não nos iluminamos junto a um
cobertor elétrico. Perdemos a chama que é ao mesmo tempo luz e calor. “Redire ad cor” – “volta ao teu coração”: as palavras do profeta são mais atuais do que nunca.
Jean-Yves Leloup - Uma Arte da Atenção
Fonte: http://confrariadosdespertos.blogspot.com