Dentro adoram, pode ser gaveta, armário, cesta, saco de compras e
principalmente caixa de papelão; dentro redondo, então, é irresistível,
mesmo que seja pirex ou embalagem de sushi.
Fora para tomar sol, paquerar passarinho, sentir o vento passar no nariz trazendo histórias nos cheiros.
Em
cima dos guarda-roupas, das prateleiras de louça, da televisão com o
rabo bem no meio da tela, do monitor do micro, dos livros ou do jornal
que a gente está lendo: dormem e fazem charme.
Embaixo
de cama, poltrona, sofá, colcha, tapete, para dar o bote quando a gente
passa; e do lençol, quando a gente quer arrumar a cama.
Junto conosco na cozinha em qualquer circunstância.
Longe do aspirador, do liquidificador, de qualquer coisa que faça barulho e do veterinário, que também termina em dor.
Perto de parapeitos, beirais, janelas e outros lugares que deixam a gente de coração na mão.
De papo pro ar, quando faz calor, patinhas largadas ao léu.
Na
gente de noite, quando faz frio: por cima e por baixo das cobertas, no
meio das pernas, no meio das costas, em cima da barriga, do lado do
corpo, ninguém consegue mais se mexer: humanos cercados de gatos por
todos os lados.
Tomando banho em grupo, todo mundo lambendo todo mundo, com muita saliva, muito som, as orelhinhas ficam encharcadas.
No chuveiro vendo aquelas milhares de coisinhas brilhantes (1) se mexerem (2) fazendo barulho (3): três coisas que gato ama.
No bidê bebendo água corrente com a língua a mil por hora.
Em cima da cristaleira paquerando a mesa do almoço, de barriguinha cheia e morrendo de sono, mas ... "Quem sabe tem uma coisinha ali pra mim?"
Mordendo as perninhas traseiras da gata: o gato, quando quer que ela desocupe o lugar.
Correndo a mil pela casa, Tom e Jerry ao vivo e a cores, e ai dos vasos!
Comendo com os olhos os pombos que passeiam displicentemente debaixo do nariz deles pelo lado de fora da rede.
Caçando
passarinhos no oitavo andar, vitória que só um gato muito
contemplativo, calmo, concentrado e sortudo como Bigode consegue obter
sem despencar lá embaixo.
Fascinados por
baratas: uma delas rende duas horas e meia para três gatos. O jogo é uma
espécie de futebol em que a bola está viva. Termina quando acabam as
pernas. Da barata.
Sonia Hirsch
Fonte:http://infinitoparticulardalva.blogspot.com