quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O CÃO MAIS FEIO DO MUNDO

Fomos a Diamantina na sexta-feira estudar e procurando uma pensão para nos instalarmos, ficamos conhecendo a Dona Vera, senhora de média idade, muito alegre e de bem com a vida. Ao primeiro contato fomos recebidos na porta de entrada daquele imenso casarão bicentenário por uma das hospedes que nos convidou para entrar com bastante agrado.
A porta imensa de madeira bruta, composta por dobradiças de ferro e trancas metálicas daquelas do tempo do Império, porém muito rústico e bonito. Adentrando subimos uma escada de madeira que se elevava até o segundo pavimento selado por uma cancela de meia porta.
Escutamos alguns latidos e de repente três cães vieram nos abordar. Não tivemos medo, porém ficamos assustados com tamanha feiúra de um dos cães. O coitado era albino, tinha os olhos esverdeados, as orelhas parecia de duende e mancava de uma perna. Era o mais tímido, porém o mais precavido dos três, pois os outros dois foram logo sentindo nosso cheiro e se aproximaram. A Dona Vera nos cumprimentou e logo foi mostrando as repartições do grande casarão.
Após o passeio pela casa sentamos no sofá da sala e começamos a conversar.  O papo estava direcionado mais ao domínio feminino, então comecei a observar a mobília da casa e apreciar sua estrutura interna.
De repente notei os três cães brincando e notoriamente verifiquei que apesar de toda a deficiência do cãozinho feio os outros dois cães não o descriminara, tratando-o como igual, tanto nas brincadeiras como nas investidas de pega-pega.
Aquele acontecimento me fez refletir sobre questões ambíguas porém diferentes de belo e feio. Senti que estes sentimentos são da natureza humana e que foram moldada dia a dia desde o início da evolução do homem. Os animais selvagens ou domésticos não evoluíram este sentimento e convivem comunitariamente em uma harmonia perfeita. Então busquei dentro de meu ser uma explicação plausível para entender porque acondicionamos em nosso ego este sentimento discriminador. Somos seres racionais, dotados de inteligência e raciocínio porém estaríamos atrasados no conceito de vida perante os animais?.. Pensei… Ou poderia ser uma falha genética, que se instalou como um vírus moldando os valores culturais?…
Bem não cheguei a uma conclusão sobre o assunto, mas acho que devemos sempre filosofar sobre este sentimento que pode ser a causa de muitos males da humanidade.    

Prof° Eli Cezar

Fonte:http://cantinhodosertao.wordpress.com