Fomos a Diamantina na sexta-feira estudar e
procurando uma pensão para nos instalarmos, ficamos conhecendo a Dona
Vera, senhora de média idade, muito alegre e de bem com a vida. Ao
primeiro contato fomos recebidos na porta de entrada daquele imenso
casarão bicentenário por uma das hospedes que nos convidou para entrar
com bastante agrado.
A porta imensa de madeira bruta, composta
por dobradiças de ferro e trancas metálicas daquelas do tempo do
Império, porém muito rústico e bonito. Adentrando subimos uma escada de
madeira que se elevava até o segundo pavimento selado por uma cancela de
meia porta.
Escutamos alguns latidos e de repente três
cães vieram nos abordar. Não tivemos medo, porém ficamos assustados com
tamanha feiúra de um dos cães. O coitado era albino, tinha os olhos
esverdeados, as orelhas parecia de duende e mancava de uma perna. Era o
mais tímido, porém o mais precavido dos três, pois os outros dois foram
logo sentindo nosso cheiro e se aproximaram. A Dona Vera nos
cumprimentou e logo foi mostrando as repartições do grande casarão.
Após o passeio pela casa sentamos no sofá da sala e começamos a conversar. O
papo estava direcionado mais ao domínio feminino, então comecei a
observar a mobília da casa e apreciar sua estrutura interna.
De repente notei os três cães brincando e
notoriamente verifiquei que apesar de toda a deficiência do cãozinho
feio os outros dois cães não o descriminara, tratando-o como igual,
tanto nas brincadeiras como nas investidas de pega-pega.
Aquele acontecimento me fez refletir sobre
questões ambíguas porém diferentes de belo e feio. Senti que estes
sentimentos são da natureza humana e que foram moldada dia a dia desde o
início da evolução do homem. Os animais selvagens ou domésticos não
evoluíram este sentimento e convivem comunitariamente em uma harmonia
perfeita. Então busquei dentro de meu ser uma explicação plausível para
entender porque acondicionamos em nosso ego este sentimento
discriminador. Somos seres racionais, dotados de inteligência e
raciocínio porém estaríamos atrasados no conceito de vida perante os
animais?.. Pensei… Ou poderia ser uma falha genética, que se instalou
como um vírus moldando os valores culturais?…
Bem não
cheguei a uma conclusão sobre o assunto, mas acho que devemos sempre
filosofar sobre este sentimento que pode ser a causa de muitos males da
humanidade.
Prof° Eli Cezar
Fonte:http://cantinhodosertao.wordpress.com