quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

NÃO JULGAMENTO

Todo mundo é tão infeliz que quer descobrir alguma razão em algum lugar para explicar a ele mesmo por que ele é infeliz, por que ela é infeliz. E a sociedade lhe deu uma boa estratégia: julgue.

Primeiro, naturalmente, você julga a si mesmo de todo modo. Nenhum homem é perfeito, e nenhum homem jamais pode ser perfeito - a perfeição não existe -, assim, o julgamento é muito fácil. Você é imperfeito, assim, há coisas que mostram sua imperfeição. E, depois, você fica com raiva, com raiva de si mesmo, com raiva do mundo todo: “Por que eu não sou perfeito?”
Depois, você olha apenas com uma só ideia: descobrir imperfeições em todo mundo. E depois, você quer abrir o seu coração... - naturalmente... porque, a menos que você abra o seu coração, não há nenhuma celebração em sua vida; sua vida é quase morta. Mas você não pode fazê-lo diretamente: você terá de destruir toda essa educação, desde suas verdadeiras raízes.
Assim, a primeira coisa é esta: pare de se julgar. Ao invés de julgar, comece a aceitar-se com todas as suas imperfeições, todas as suas debilidades, todos os seus erros, todos os seus fracassos. Não peça a si mesmo para ser perfeito - isso é, simplesmente, pedir pelo impossível e, depois, você se sentirá frustrado. Você é um ser humano, afinal de contas. Olhe para os animais, para os pássaros; nenhum deles está preocupado, nenhum deles está triste, nenhum deles está frustrado. Você não vê um búfalo dando fricote. Ele está perfeitamente contente, mascando a mesma grama todos os dias. Ele é quase iluminado. Não há nenhuma tensão: há um tremenda harmonia com a natureza, com ele mesmo, com tudo como é. Os búfalos não criam partidos para revolucionar o mundo, para tornar os búfalos em superbúfalos, para tornar os búfalos religiosos, virtuosos. Nenhum animal está interessado nas ideias humanas. E eles todos devem estar rindo: “O que aconteceu a vocês? Por que você não pode ser apenas você mesmo, como você é? Qual é a necessidade de ser uma outra pessoa?” Assim, a primeira coisa é uma profunda aceitação de você mesmo.
OSHO

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O QUE SABER PARA CURAR ESPIRITUALMENTE

Tudo que sabemos sobre Deus não passa de conceito, e não aquilo que realmente Deus é. Nenhuma verdade que conhecemos é, de fato, a Verdade. Deus nos é revelado quando alcançamos a quietude interna. A Verdade é percebida e demonstrada claramente quando nos tornamos receptivos à Sua Presença. Nada permanece oculto para os que buscam a Deus por Deus mesmo – pela alegria, paz, vida e amor de Deus – pela Experiência em si.

Aprendendo a descartar nossas opiniões, crenças e teorias sobre Deus, percebendo o vazio dos conceitos humanos sobre a Verdade – discernimos Deus preenchendo o nosso Ser a ponto de viver a nossa própria vida!

Nesta experiência é revelado o próximo grande segredo da vida: nós não conhecemos o homem; não nos conhecemos uns aos outros; nem mesmo conhecemos a natureza dos animais ou das plantas. Sobre eles, somente vínhamos retendo opiniões e convicções baseadas em, aparências. Vínhamos rotulando as pessoas de boas e más, de amigas e inimigas; acreditávamos ser isto saúde e ser aquilo uma doença. Julgávamos tudo “segundo as aparências”, enquanto o Mestre nos preveniu para que julgássemos “segundo a reta justiça”.

Todo o trabalho de cura espiritual se fundamenta nesta habilidade de ignorarmos as aparências e contemplarmos, “através delas”, este “julgamento justo”.

A habilidade de se conseguir esta capacidade curativa, ou discernimento verdadeiro, decorre da busca pela real percepção de Deus. Ao nos defrontarmos com alguma pessoa ou condição, precisamos evitar todo julgamento, todas as opiniões e conceitos, entendendo que nenhum deles representa realmente a verdade relativa àquela condição.

No exato instante em que cessamos de aceitar a aparência, e paramos de emitir uma opinião ou formar conceitos sobre a pessoa ou situação, alcançamos o Silêncio em que verificamos a ausência do pensamento humano, do medo, ódio ou julgamento – e então, o Pai interior (nossa própria Consciência crística) nos revelará a Verdade sobre a pessoa, condição ou situação. Nenhum de nós pode conhecer humanamente a Verdade, mas Deus pode, e irá fazê-lo, naquele momento de Quietude, revelando-nos a Verdade sobre tudo que nos for requerido saber.

Aproxime-se de cada pessoa ou condição da mesma forma com que se aproximaria de Deus – com pleno conhecimento de que todo o seu saber não é verdadeiro, sendo apenas um conceito ou opinião baseada numa aparência – mas como Deus possui o conhecimento verdadeiro, na quietude interna aguarde poder ouvir e conhecer a Verdade, e observar a Realidade espiritual concernente à pessoa ou situação em foco.

Na revelação recebida internamente, em paz e quietude, está a cura. Eis por que sabemos que nem eu nem ninguém realiza curas – porém, podemos ser instrumentos pelos quais a “consciência curativa” nos abençoa e também aos que nos encontram.

Vínhamos aprendendo que o “curador” é a Consciência espiritual. Agora conhecemos a natureza desta Consciência: a habilidade de refrearmos a aceitação dos conceitos sobre Deus e sobre o homem, e um instante de quietude humana, que permita ao Espírito Divino revelar-Se.

A Consciência espiritual é a sua e a minha consciência, quando desprovida de senso pessoal, desejos e conceitos de vida. A Consciência espiritual é a sua e a minha, quando nos recusamos a aceitar conceitos, temores e ódios do mundo, para recebermos internamente a paz e confiança provenientes da conscientização de Sua Presença. 
 Joel S. Goldsmith

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

CURAR A FERIDA EM PRIMEIRO LUGAR

Quando somos atingidos por uma flecha, não devemos perder tempo buscando saber quem e por que nos feriu. Mas, sim, arrancar a flecha fora e cuidar, o quanto antes, da ferida. Este é o modo budista de lidar com os problemas: focamos a cura ao invés de cultivar a indignação que gera ainda mais dor.

Em vez de responder aos inúmeros porquês, focamo-nos em lidar com a situação de modo a assumir o autocontrole diante de nossos problemas. Afinal, quando não podemos mudar uma situação externa, ainda assim, podemos transformar o nosso modo de encará-la.

Enquanto estivermos contaminados pelo cansaço, pela raiva ou pela indignação, nossas atitudes serão tendencialmente unilaterais ou vingativas. O que o budismo nos alerta é que a primeira coisa a fazer quando recebemos qualquer tipo de agressão é nos interiorizarmos para recuperar o espaço interior.

Mais do que uma percepção mental dos fatos, devemos buscar o equilíbrio interior para que nosso pensamento volte a ser claro e amplo.

Na medida em que nos concentramos em curar a ferida, ao invés de indagar o porquê ela ocorreu, cultivamos o hábito mental de buscar soluções práticas que nos ajudam a nos desvencilhar dos problemas. Deste modo, não ficamos presos ao discurso ele não podia ter feito isso comigo que nos leva apenas à paralisia, mas passamos a nos mover em direção à solução interior, o que nos leva a um senso profundo de liberdade de podermos ser quem somos.

O mundo à nossa volta está repleto de informações conflitantes e confusas. Tornamo-nos reféns dos outros enquanto nos deixamos enganchar por seus conflitos.

Para nos desvencilharmos das confusões alheias, precisamos antes de tudo recuperar nosso espaço interior. Esta é a diferença entre gritar para o outro: Me solta e dizer internamente: Eu me solto.
Desta maneira, ganhamos autonomia interior, isto é, recuperamos o prazer e a habilidade de exercitar a nossa própria vontade de nos acalmar. Lama Gangchen nos encoraja a praticar a Autocura quando nos fala: Basta reconhecermos nossa própria capacidade e ousarmos aceitá-la.

Em seu livro Autocura Tântrica III (Ed. Gaia) ele esclarece: Para começarmos a vivenciar os níveis mais profundos da Autocura, nossa mente precisa começar a aceitar e usar o espaço interior da forma correta. Temos que compreender que há mais espaço em nossa mente muito sutil do que no mundo externo. Além disso, também precisamos entender que as situações perigosas que hoje vivenciamos são o resultado de causas e condições negativas criadas por nós no passado. É muito importante praticarmos a Autocura, pois se continuarmos a gravar negatividades em nosso espaço interior, embora nosso coração não possa explodir, uma terrível explosão global de negatividade pode acontecer, causando nosso Armagedão individual e planetário.
Para parar de gravar negatividades em nosso espaço interior, precisamos cultivar o hábito de nos interiorizarmos, de ampliarmos nosso espaço interior. Mas a capacidade de nos autossustentar surge à medida em que nos sentimos disponíveis para nós mesmos.

Se não nos sentimos capazes de lidar com certas emoções, devemos buscar pessoas que nos incentivem a lidar positivamente com elas. A solidariedade alheia nos ajuda a sentir e aceitar o que nem mesmo somos capazes de entender.

O importante é buscar coerência entre nosso mundo interior e a realidade exterior. Viver bem pressupõe considerar a realidade acima de qualquer coisa.

Ao recuperar o espaço interior, ganhamos uma nova disponibilidade para agir.

BEL CESAR http://existenciaconsciente.blogspot.com

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

ME CHAMEM DE VELHA

Na semana passada, sugeri a uma pessoa próxima que trocasse a palavra “idosas” por “velhas” em um texto. E fui informada de que era impossível, porque as pessoas sobre as quais ela escrevia se recusavam a ser chamadas de “velhas”: só aceitavam ser “idosas”.  Pensei: “roubaram a velhice”.  As palavras escolhidas – e mais ainda as que escapam – dizem muito, como Freud já nos alertou há mais de um século. Se testemunhamos uma epidemia de cirurgias plásticas na tentativa da juventude para sempre (até a morte), é óbvio esperar que a língua seja atingida pela mesma ânsia. Acho que “idoso” é uma palavra “fotoshopada” – ou talvez um lifting completo na palavra “velho”. E saio aqui em defesa do “velho” – a palavra e o ser/estar de um tempo que, se tivermos sorte, chegará para todos.
Desde que a juventude virou não mais uma fase da vida, mas uma vida inteira, temos convivido com essas tentativas de tungar a velhice também no idioma. Vale tudo. Asilo virou casa de repouso, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. Velhice virou terceira idade e, a pior de todas, “melhor idade”. Tenho anunciado a amigos e familiares que, se alguém me disser, em um futuro não tão distante, que estou na “melhor idade”, vou romper meu pacto pessoal de não violência. O mesmo vale para o primeiro que ousar falar comigo no diminutivo, como se eu tivesse voltado a ser criança. Insuportável.
A velhice é o que é. É o que é para cada um, mas é o que é para todos, também. Ser velho é estar perto da morte. E essa é uma experiência dura, duríssima até, mas também profunda. Negá-la é não só inútil como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital. Semanas atrás, em um programa de TV, o entrevistador me perguntou sobre a morte. E eu disse que queria viver a minha morte. Ele talvez não tenha entendido, porque afirmou: “Você não quer morrer”. E eu insisti na resposta: “Eu quero viver a minha morte”.
Na adolescência, eu acalentava a sincera esperança de que algum vampiro achasse o meu pescoço interessante o suficiente para me garantir a imortalidade. Mas acabei aceitando que vampiros não existem, embora circulem muitos chupadores de sangue por aí. Isso só para dizer que é claro que, se pudesse escolher, eu não morreria. Mas essa é uma obviedade que não nos leva a lugar algum.  Que ninguém quer morrer, todo mundo sabe. Mas negar o inevitável serve apenas para engordar o nosso medo sem que aprendamos nada que valha a pena.

A morte tem sido roubada de nós. E tenho tomado providências para que a minha não seja apartada de mim. A vida é incontrolável e posso morrer de repente. Mas há uma chance razoável de que eu morra numa cama e, nesse caso, tudo o que eu espero da medicina é que amenize a minha dor. Cada um sabe do tamanho de sua tragédia, então esse é apenas o meu querer, sem a pretensão de que a minha escolha seja melhor que a dos outros. Mas eu gostaria de estar consciente, sem dor e sem tubos, porque o morrer será minha última experiência vivida. Acharia frustrante perder esse derradeiro conhecimento sobre a existência humana. Minha última chance de ser curiosa.
Há uma bela expressão que precisamos resgatar, cujo autor não consegui localizar: “A morte não é o contrário da vida. A morte é o contrário do nascimento. A vida não tem contrários”. A vida, portanto, inclui a morte. Por que falo da morte aqui nesse texto? Porque a mesma lógica que nos roubou a morte sequestrou a velhice. A velhice nos lembra da proximidade do fim, portanto acharam por bem eliminá-la. Numa sociedade em que a juventude é não uma fase da vida, mas um valor, envelhecer é perder valor.  Os eufemismos são a expressão dessa desvalorização na linguagem.
Não, eu não sou velho. Sou idoso. Não, eu não moro num asilo. Mas numa casa de repouso. Não, eu não estou na velhice. Faço parte da melhor idade. Tenho muito medo dos eufemismos, porque eles soam bem intencionados. São os bonitinhos mas ordinários da língua.  O que fazem é arrancar o conteúdo das letras que expressam a nossa vida. Justo quando as pessoas têm mais experiências e mais o que dizer, a sociedade tenta confiná-las e esvaziá-las também no idioma.
Chamar de idoso aquele que viveu mais é arrancar seus dentes na linguagem. Velho é uma palavra com caninos afiados – idoso é uma palavra banguela. Velho é letra forte. Idoso é fisicamente débil, palavra que diz de um corpo, não de um espírito. Idoso fala de uma condição efêmera, velho reivindica memória acumulada. Idoso pode ser apenas “ido”, aquele que já foi. Velho é – e está.  Alguém vê um Boris Schnaiderman, uma Fernanda Montenegro e até um Fernando Henrique Cardoso como idosos? Ou um Clint Eastwood? Não. Eles são velhos.
Idoso e palavras afins representam a domesticação da velhice pela língua, a domesticação que já se dá no lugar destinado a eles numa sociedade em que, como disse alguém, “nasce-se adolescente e morre-se adolescente”, mesmo que com 90 anos. Idosos são incômodos porque usam fraldas ou precisam de ajuda para andar. Velhos incomodam com suas ideias, mesmo que usem fraldas e precisem de ajuda para andar. Acredita-se que idosos necessitam de recreacionistas. Acredito que velhos desejam as recreacionistas. Idosos morrem de desistência, velhos morrem porque não desistiram de viver.
Basta evocar a literatura para perceber a diferença. Alguém leria um livro chamado “O idoso e o mar”?  Não. Como idoso o pescador não lutaria com aquele peixe. Imagine então essa obra-prima de Guimarães Rosa, do conto “Fita Verde no Cabelo”, submetida ao termo “idoso”: “Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam...”.
Velho é uma conquista. Idoso é uma rendição.
Como em 2012 passei a estar mais perto dos 50 do que dos 40, já começo a ouvir sobre mim mesma um outro tipo de bobagem.  O tal do “espírito jovem”. Envelhecer não é fácil. Longe disso. Ainda estou me acostumando a ser chamada de senhora sem olhar para os lados para descobrir com quem estão falando.  Mas se existe algo bom em envelhecer, como já disse em uma coluna anterior, é o “espírito velho”. Esse é grande.
Vem com toda a trajetória e é cumulativo. Sei muito mais do que sabia antes, o que significa que sei muito menos do que achava que sabia aos 20 e aos 30. Sou consciente de que tudo – fama ou fracasso – é efêmero. Me apavoro bem menos. Não embarco em qualquer papinho mole. Me estatelei de cara no chão um número de vezes suficiente para saber que acabo me levantando. Tento conviver bem com as minhas marcas. Conheço cada vez mais os meus limites e tenho me batido para aceitá-los. Continua doendo bastante, mas consigo lidar melhor com as minhas perdas. Troco com mais frequência o drama pelo humor nos comezinhos do cotidiano. Mantenho as memórias que me importam e jogo os entulhos fora. Torço para que as pessoas que amo envelheçam porque elas ficam menos vaidosas e mais divertidas. E espero que tenha tempo para envelhecer muito mais o meu espírito, porque ainda sofro à toa e tenho umas cracas grudadas à minha alma das quais preciso me livrar porque não me pertencem. Espero chegar aos 80 mais interessante, intensa e engraçada do que sou hoje.
Envelhecer o espírito é engrandecê-lo. Alargá-lo com experiências. Apalpar o tamanho cada vez maior do que não sabemos. Só somos sábios na juventude. Como disse Oscar Wilde, “não sou jovem o suficiente para saber tudo”. Na velhice havemos de ser ignorantes, fascinados pelas dimensões cada vez mais superlativas do que desconhecemos e queremos buscar.  É essa a conquista. Espírito jovem? Nem tentem.
Acho que devíamos nos rebelar. E não permitir que nos roubem nem a velhice nem a morte, não deixar que nos reduzam a palavras bobas, à cosmética da linguagem. Nem consentir que calem o que temos a dizer e a viver nessa fase da vida que, se não chegou, ainda chegará. Pode parecer uma besteira, mas eu cometo minha pequena subversão jamais escrevendo a palavra “idoso”, “terceira idade” e afins. Exceto, claro, se for para arrancar seus laços de fita e revelar sua indigência.
Quando chegar a minha hora, por favor, me chamem de velha. Me sentirei honrada com o reconhecimento da minha força. Sei que estou envelhecendo, testemunho essa passagem no meu corpo e, para o futuro, espero contar com um espírito cada vez mais velho para ter a coragem de encerrar minha travessia com a graça de um espanto.

 Eliane Brum Revista Época

domingo, 19 de fevereiro de 2012

COMO PROTEGER-SE

Toda a gente quer sentir-se protegida. Acreditamos que assim ficamos mais calmos e relaxados e dessa forma nos sentimos mais à vontade. Sempre que nos sentimos seguros, com uma pessoa em particular, ou num determinado lugar, dizemos que nos sentimos em casa? O que é que significa sentirmo-nos em casa? Estar em casa significa sentirmo-nos seguros. Todos queremos isso. Sentirmo-nos totalmente em casa, significa sentirmo-nos totalmente em segurança.
Como é que é possível obter um sentimento de casa absoluta? No amor encontramos essa casa absoluta? Graças ao amor, protegemo-nos menos. Quanto mais amor tivermos, menos protegidos necessitamos estar. Se temos menos amor, as nossas defesas aumentam. Quanto mais nos protegemos, mais problemas temos. Ao percepcionarmos mais os problemas, mais os encontramos. Quando temos mais amor, protegemo-nos menos e isto significa que temos menos percepção dos problemas e por consequência encontramos menos problemas. Quando não nos protegemos tanto, tornamo-nos totalmente seguros. Portanto, não se protejam; esta é a melhor proteção. Se criamos mais proteções é porque temos mais inimigos. Se nos protegemos menos, então, é porque temos menos inimigos.
Por que razão vos digo: não se protejam? Porque naturalmente estamos muito seguros. Vivemos, e é esta a nossa natureza. Estamos seguros por natureza. A nossa natureza é ela própria segurança? Mas quando começamos a protegermo-nos, saímos do nosso estado natural e tornamo-nos um estranho. Ao tornamo-nos um estranho, tornamo-nos diferentes dos outros. Tornamo-nos especiais. E quando nos tornamos especiais temos mais inimigos e mais problemas. Não se proteger significa ser normal? Ser normal significa não ser diferente dos outros. Isto também significa que iremos ter menos problemas com os outros.
O método chave de nos tornarmos totalmente seguros é não nos protegermos. Esta é a melhor maneira de estar protegido. Quanto mais protegidos quisermos estar, mais inseguros nos sentiremos, mental e psicologicamente, por isso, não se protejam. Não há registro em todo o planeta, de alguma história, em que alguém tenha conseguido proteger-se de tal forma, que tenha encontrado um lugar seguro e aí se tenha sentido completamente em segurança. Não há conhecimento disto.
Sejam como um yogi.
Sabem, meus amigos, ao dizer: Não se protejam, é sabedoria louca. Mas se se protegem, isso é uma estupidez. Façam a vossa escolha! Querem ser loucos ou querem ser estúpidos? Os Yogis dizem: - Tu pensas que sou louco e eu penso que tu és louco. Mas eu estou louco de amor e tu estás louco de sofrimento?
Se queremos ser felizes, também precisamos ser loucos. A felicidade vem com a loucura. Mente louca, sem medo. Este é um grande método para libertar a mente. Libertem-se do medo e sintam-se seguros. Pensam que sou eu o louco? Ou são vocês que estão loucos?

Ha!Ha!

Tulku Lama Lobsang
 Fonte:http://padmashanti.blogspot.com

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O FRASCO DE MAIONESE E O CAFÉ

Quando as coisas na vida parecem demasiado, quando 24 horas por dia não são suficientes...Lembre-se do frasco de maionese e do café.

 Um professor, durante a sua aula de filosofia sem dizer uma palavra, pega num frasco de maionese e esvazia-o...tirou a maionese e encheu-o com bolas de golf. 
A seguir perguntou aos alunos se o frasco estava cheio. Os estudantes responderam sim.

Então o professor pega numa caixa cheia de pedrinhas e mete-as no frasco de maionese. As pedrinhas encheram os espaços vazios entre as bolas de golf.

O professor voltou a perguntar aos alunos se o frasco estava cheio, e eles voltaram a dizer que sim.

Então...o professor pegou noutra caixa...uma caixa cheia de areia e esvaziou-a para dentro do frasco de maionese. Claro que a areia encheu todos os espaços vazios e uma vez mais o pofessor voltou a perguntar se o frasco estava cheio. Nesta ocasião os estudantes responderam em unânime  "Sim !".


De seguida o professor acrescentou 2 xícaras de café ao frasco e claro que o café preencheu todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes nesta ocasião começaram a rir-se...mas repararam que o professor estava sério e disse-lhes:   

 'Quero que dêem conta que este frasco representa a vida'.  
As bolas de golf são as coisas Importantes: 
como a FAMÍLIA, a SAÚDE, os AMIGOS, tudo o que você AMA DE VERDADE. 
São coisas, que mesmo que se perdessemos todo o resto, nossas vidas continuariam cheias. 

As pedrinhas são as outras coisas que importam como: o trabalho, a casa, o carro, etc.  


A areia representa as pequenas coisas.

'Se puséssemos  1º a areia no frasco, não haveria espaço para as pedrinhas nem para as bolas de golf.  
 
O mesmo acontece com a vida'.  

Se gastássemos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teríamos lugar para as coisas realmente importantes. 


Preste atenção às coisas que são cruciais para a sua Felicidade.
   

 Brinque ensinando  os seus filhos,  
Arranje tempo para ir ao medico,  
Namore e vá com a sua/seu namorado(a)/marido/mulher jantar fora,  
Dedique algumas horas para uma boa conversa e diversão com seus amigos  
Pratique o seu esporte ou hobbie favorito.  

Haverá sempre tempo para trabalhar, limpar a casa, arrumar o carro...    

Ocupe-se sempre das bolas de golf 1º, que representam as coisas que realmente importam na sua vida.
 
Estabeleça suas prioridades, o resto é só areia...
  

Porém, um dos estudantes levantou a mão e perguntou o que representaria, então, o café.  


O professor sorriu e disse:  

"...o café é só para vos demonstrar, que não importa o quanto a nossa vida esteja ocupada, sempre haverá espaço para um café com um amigo. "

Fonte: http://luciana-vieira.blogspot.com

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

UMA MEDITAÇÃO DE PODER

Eu estou consciente e tenho o poder de pensar como eu quero. Tenho o direito de pensar no que eu quero para o meu próprio bem. Eu tenho e posso impor ao meu mundo interior tudo aquilo que eu quiser. E quero me sintonizar com o melhor. Esqueço, a partir de agora, a pessoa que eu fui, sobretudo meus vícios de pensamentos. Penso apenas na paz. Penso nela, permitindo que seu perfume toque minha aura e atinja todas as áreas da minha vida, todos os cantos do meu corpo. Penso na paz com uma mensagem de ordem e equilíbrio perfeito.
Deixo fluir na minha cabeça a consciência do 'eu posso'. Eu posso estar na paz. Impor essa paz é praticar o meu poder pessoal com responsabilidade divina, obtida por herança natural. O melhor para mim é um grande sorriso no peito. É a felicidade barata e fácil a que tenho direito. É tão simples pensar que o melhor está em mim! A beleza está em mim. A suavidade está em mim. A ternura, o calor, a lucidez e o esplendor das mais belas formas do universo estão em mim. Aí eu me abro inteiro/a, viro do avesso e sinto que não há fronteiras nem barreiras para mim. Sinto que o limite é apenas uma impressão. Sinto que cada condição foi apenas a insistência de uma posição. Sinto que sou livre para deixar trocar qualquer posição por outra melhor. Sou livre para descartar qualquer pensamento ruim, qualquer sentimento ou hábito negativo, qualquer paixão dolorosa. Porque eu sou espírito. Sou luz da vida em forma de pessoa.
Ah, universo, eu estou aberto/a para o melhor para mim. Eu sei que muitas vezes sou levado/a por uma série de pensamentos ruins. Mas é porque eu não conhecia a força da perfeição. Eu não conhecia a lei do melhor. Agora eu me entrego, me comprometo comigo, com o universo e contigo. Vou manter a minha mente aberta. Esse momento me desperta, me traz a inspiração ao longo do dia onde se efetiva a luz que irradia para quem insiste no próprio aperfeiçoamento.
Não quero pensar nas minhas fraquezas. Quero olhar bem fundo nos meus olhos e ver como eu sou bonito/a, como fiz e faço coisas maravilhosas e como o meu peito está cheio de vontade. Eu assumo a responsabilidade sobre essas vontades e me projeto com força nessa identidade de saber que eu posso, sim, fazer o melhor. Despertar o meu espírito é viver nele. É ter a satisfação de ser eu mesmo/a. É poder ser original, única, pequena e grande ao mesmo tempo. Sei agora que o melhor está a meu favor. Meu sucesso, aliás, é o sucesso de Deus que se manifesta em mim como pessoa em transformação. Eu sinto como se tivesse sentado/a nessa cadeira da solidez universal porque eu estou no meu melhor. Porque sou o sucesso da eternidade, porque estou a milhares de anos seguindo e não fui destruída. Porque o universo garante. Grito dentro de mim mesmo/a: de todas as coisas da vida, o melhor ainda sou eu. O melhor sou eu!
Por: Luiz Gasparetto

Fonte: http://nadarealpodeserameacado.blogspot.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

CINCO BOLAS


Imaginem a vida como um jogo, no qual vocês fazem malabarismo com cinco bolas que lançam ao ar. Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito.
O trabalho é uma bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas as quatro outras, são de vidro. Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e busquem o equilíbrio na vida. Como?

* Não diminuam seu próprio valor, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial.

*  Não fixem seus objetivos com base no que os outros acham importante. Só vocês estão em condições de escolher o que é melhor para vocês próprios.

*  Dêem valor e respeitem as coisas mais queridas aos seus corações. Apeguem-se a elas como a própria vida. Sem elas a vida carece de sentido.

*  Não deixem que a vida escorra entre os dedos por viverem no passado ou no futuro. Se viverem um dia de cada vez, viverão todos os dias de suas vidas.

* Não desistam quando ainda são capazes de um esforço a mais. Nada termina até o momento em que se deixa de tentar.

* Não temam admitir que não são perfeitos. Não temam enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser valentes.

* Não excluam o amor de suas vidas dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dando-o. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas.

*  Não corram tanto pela vida a ponto de esquecerem onde estiveram e para onde vão.

* Não tenham medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente.

* Não usem imprudentemente o tempo ou as palavras. Não se pode recuperar. A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo. Lembrem-se:

Ontem é historia. Amanhã é mistério e Hoje é uma dádiva. Por isso se chama "presente".


Trechos da palestra de Brian Dyson – Ex-presidente da Coca-Cola

domingo, 12 de fevereiro de 2012

FÄCIL E DIFÏCIL

Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que se expresse sua opinião...

Difícil é expressar por gestos e atitudes, o que realmente queremos dizer.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias...
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus próprios erros.

Fácil é fazer companhia a alguém, dizer o que ela deseja ouvir...
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer a verdade quando for preciso.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre a
mesma...
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado...
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece.

Fácil é viver sem ter que se preocupar com o amanhã...
Difícil é questionar e tentar melhorar suas atitudes impulsivas e as vezes impetuosas, a cada dia que passa.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar...
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar...
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.

Fácil é ditar regras e,
Difícil é segui-las...

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

SER TRANSPARENTE

Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente...
Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros.
Mas ser transparente é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que sente...
Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir muros...

Ser transparente é permitir que a doçura aflore, transborde...
Mas, infelizmente, a maioria decide não correr esse risco.
Preferimos a dureza da razão à leveza reveladora da fragilidade humana.
Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam da alma...
Preferimos nos perder numa busca por respostas a simplesmente admitir que não sabemos nada e que temos medo!
Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção.

E assim, vamos nos afundando em falsas palavras, atitudes, em falsos sentimentos...
Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar...
A doçura, a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós...

Uma saudade desesperada de nós mesmos, daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar...
Porque aprendemos que isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro!
Quando, na verdade, agir com o coração, poupa a dor...
Sugiro que deixemos explodir toda a doçura!
Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis...
Chega de tentar controlar tanto....
Responder tanto...
Competir tanto...
Tente simplesmente viver, sentir e amar.

Rosana Braga

 Fonte:http://wagnerdeluca.blogspot.com

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O TEMPO E AS JABUTICABAS

'Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos lizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'

Rubem Alves

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

ABRIR ESPAÇO PARA SENTIR EMOÇÕES FORTES

Quando acompanhamos de perto o processo de morte de uma pessoa querida, vivenciamos os sentimentos com uma intensidade muito particular. Afinal, quando escutamos a pessoa que está falecendo falar, sabemos que estaspodem ser as suas últimas palavras... com isso, elas ganham um valor imensurável. Assim como a última troca de olhares conscientes. O último sorriso. A última lágrima compartilhada de mãos dadas.

A vivência da última vez gera grande intensidade emocional. No entanto, como não estamos acostumados a criar espaço interno para sentir emoções muito fortes, procuramos evitá-las, mesmo sem saber por que. Parece paradoxal, mas a grande maioria das vezes que somos tomados por emoções intensas, sejam elas geradas por paixão, alegria ou tristeza, parte de nosso ser procura rejeitá-las, pois tememos que, ao senti-las, iremos perder nosso costumeiro autocontrole, com o qual garantimos a sensação de segurança interior.

Não estou querendo dizer que para sentir verdadeiramente as emoções, deveríamos nos perder e nos descontrolar emocionalmente, mas sim que, para sentir o ciclo natural de uma emoção, precisamos nos deixar ser tocados por sua intensidade até que ela atinja o seu pico e volte naturalmente a ceder. Assim, iremos recuperar a serenidade perdida durante a crise.

A autocrítica e o medo de sermos tomados por um descontrole desconhecido nos impedem de lidar diretamente com nossas emoções. Desta forma, geramos tensão e conflito entre nossas necessidades emocionais e racionais. Há emoções que precisam simplesmente ser vivenciadas, sem interpretações racionais. Outras, por sua vez, contam com a elaboração racional para um direcionamento positivo de sua carga energética.

Emoção é energia em movimento, que necessita tanto ser expressa quanto ter um direcionamento para fluir. Uma emoção não expressa permanece em nosso corpo como energia contida, pulsante e bloqueada.

Abrir espaço para sentir as emoções contidas há muito tempo assemelha-se à imagem de abrir as comportas de uma represa: a pressão da água é tão intensa quanto a necessidade de chorar uma dor retida. Portanto, não há como negar que teremos de abrir espaço dentro e fora de nós mesmos para extravasá-la sem barreiras, de modo que ela possa fluir e completar o seu ciclo natural de início, meio e fim.

Para tanto, é necessário criarmos rituais personalizados, nos quais possamos sentir nossas emoções na sua inteireza. Precisamos encontrar o lugar, o tempo e as pessoas apropriadas que nos encorajem a auto-aceitação e a auto-expressão contidas até então. Apropriadas quer dizer, tudo aquilo que nos ajude a nos sentirmos ancorados, acolhidos, nutridos e, ao final do processo, conectados com uma idéia de futuro e renovação.

Digerir experiências emocionais requer tempo e condições livres de interrupções e críticas.

Algumas vezes, criamos estes rituais espontaneamente. Nossa sabedoria intuitiva sabe como atender às necessidades da alma. No entanto, outras vezes temos que primeiro nos conscientizar da necessidade de realizá-los.

Simplesmente chorar e ser este choro. Simplesmente comemorar, e ser, por meio de nossa própria energia, uma homenagem de reconhecimento e gratidão. Assim como subir uma montanha para ouvir a música preferida da pessoa falecida e dedicar a ela esta atitude de amor e saudade. Ou, quem sabe, plantar em seu jardim, ou mesmo num simples vaso, suas flores preferidas. O importante é abrirmos espaço dentro e fora de nós para honrar este rico dom humano de sentir emoções!

BEL CESAR

Fonte:http://existenciaconsciente.blogspot.com

domingo, 5 de fevereiro de 2012

QUEM SABE UM DIA


Quem sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!

Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!

Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!

Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois
Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois


Mário Quintana

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O FUTURO É AGORA

Outro dia me dei conta de que temos forçosamente aprendido a viver do modo que os orientais dizem ser o mais correto: no momento presente. Diante do caos coletivo, seja por razões ambientais ou sociais, creio que a maioria de nós concorda que estamos vivendo a síndrome do futuro incerto. Parece cada vez mais difícil planejar qualquer coisa. Até mesmo o clima tornou-se imprevisível: faz frio no verão, chove forte no inverno...
Sem falar do ritmo acelerado dos acontecimentos: quando pensamos estar vivendo o início de qualquer evento, já nos pegamos elaborando indícios de uma nova transformação.

Para não entrarmos em crise permanente, temos aprendido a fazer planejamentos mais flexíveis e a encontrar soluções mais imediatas. Não se trata de desistir de nossos sonhos e projetos, mas sim de buscar estratégias realistas que se adaptem melhor à dinâmica da imprevisibilidade tão marcante a cada dia.

As filosofias orientais nos ensinam a viver no presente e não apenas em função dele. Reconhecer esta diferença é crucial. Podemos desconhecer os percursos de um caminho, mas, se quisermos evoluir internamente temos de saber manter-nos bem focados na direção para a qual estamos caminhando.

Neste sentido, os planos externos podem sempre mudar, mas os internos não. Ou seja, o compromisso com nosso desenvolvimento interior pode manter-se estável até mesmo enquanto vivemos a presente turbulência à nossa volta. Não que esta seja uma tarefa fácil, pois fomos treinados a nos apoiarmos mais nas condições externas do que nas internas. Mas uma vez que a instabilidade tornou-se tão evidente, acabamos, sem nos darmos conta, por nos adaptarmos ao desconhecido, isto é, a nos exercitarmos para ser pessoas mais seguras, disponíveis para os imprevistos e, portanto, mais criativas.

Uma vez que admitimos que o futuro é mesmo imprevisível, nos rendemos ao desejo compulsivo de querer controlá-lo. Desta forma, gradativamente começamos a relaxar na segurança interna de sermos capazes de confiar que encontraremos soluções criativas para o que quer que aconteça a cada momento. Trata-se de uma atitude de aparente neutralidade, isto é, de abertura para o que der e vier.

Quando estamos diante de situações de impasse significativo, manter o foco no momento exato pelo qual estamos passando é em si um ato organizador. Quando não temos indícios sobre um futuro próximo, ambas as atitudes - esperança ou medo - se foram excessivas irão nos desequilibrar. Nestes momentos, aprendemos a parar de julgar a situação e a lidar com ela passo a passo, tal como o equilibrista quando anda sobre uma corda bamba.

Outro dia fiquei surpreendida ao ler uma entrevista com o escritor moçambicano Mia Couto na revista Emoção & Inteligência,onde ele fala de sua convivência com as tribos africanas que ainda vivem na tradição da oralidade. Segundo ele, nestas tribos não existe uma palavra para expressar futuro, aliás, eles não enxergam o tempo de forma linear, mas sim circular. Isto é, para eles o momento presente é o único que conta. É como Mia Couto explica: Evidentemente, existe a idéia de futuro, mas ele não pode ser nomeado, não pode ser visitado por ninguém. Antecipar-se ao porvir representa uma transgressão. Por exemplo, uma mulher grávida não leva o enxoval para o hospital quando vai dar à luz, porque o bebê ainda não nasceu. Antecipar-se seria confrontar os deuses, que são responsáveis pela guarda do território futuro.

Para nós que vivemos há seis mil anos sob as normas do calendário solar, onde o paradigma do tempo é linear, temos mesmo dificuldade para conceber a idéia de que o futuro não existe, isto é, que está sendo criado a cada momento. Parece que estamos sempre distantes do futuro, como se não pudéssemos nos sentir inteiros porque uma parte nossa não pode estar presente. Quer dizer, enquanto nossa idéia de futuro implica em algo que fantasiamos como uma idéia de nós mesmos ainda não realizada, uma parte nossa está potencialmente lá, e outra, real e imediata, está aqui. Ou seja, quando nos projetamos no futuro nos dividimos em partes... Aí talvez esteja a causa de nossa ansiedade, de querer chegar logo lá, para nos sentirmos inteiros, finalmente completos.

Já o mesmo parece não ocorrer em culturas que viveram sob a dinâmica do calendário lunar, como a tibetana. Como seus paradigmas do tempo foram baseados na consciência cíclica, no tempo circular, o futuro é vivido agora. Para eles o futuro éo agora, pois eles sabem que as causas do futuro estão no presente. Como não projetam o futuro como algo ainda a ser almejado, vivem o hoje como o resultado do ontem e a causa para o amanhã. Neste sentido, o mais importante é estar atento às causas que estão sendo criadas agora, pois elas são o futuro.

Concluindo, se queremos controlar algo para nos sentirmos mais seguros, a melhor coisa que podemos fazer é controlar nossa mente. Assim como Buddha dizia: Se você quiser saber o seu passado, observe seu corpo. Se você quiser conhecer o seu futuro, observe sua mente.

Uma curiosidade: ao pesquisar essa pagina, fiquei surpresa ao descobrir que existem 21 tipos de calendários! Como é vasta a mente humana!

Bel Cesar

http://existenciaconsciente.blogspot.com