Na
próxima vida, está decidido: vou gostar de berinjela, saberei fazer
mais que ovo frito e pipoca de microondas e serei arquiteta de
banheiros. Sou meio aficionada pelo assunto banheiro, confesso. E me
sinto entendida, apta a opinar, criticar, desenvolver uma extensa
conversa sobre o tema. Então vamos lá!
A
verdade é que muitos banheiros têm me irritado ultimamente. Tudo
bem um banheiro querer ser mais que um banheiro, querer ser um
banheiro memorável, um banheiro tchanã. Mas, por mais moderninho,
fofinho e descoladinho que seja… banheiro é banheiro! Pode até
ser lindo, mas tem que ser prático (palavra fundamental quando o
assunto é banheiro) e ter a luz boa pra gente se achar deusa na
frente do espelho. Só isso.
Mas os
arquitetos parecem não concordar comigo. Por exemplo, quem inventou
som ambiente para banheiros? Desconcentra, povo! É passarinho
piando, é cítara superzen, é barulho de mato, é lounge modernoso…
Para! E banheiro que fala? Pensa que não existe? Em São Paulo, uns
meses atrás, fui a um que me deu boas-vindas. Levei um susto, parei
os trabalhos na hora e saí correndo. Eu lá sou mulher de bater papo
com banheiro? Era só o que faltava!
Outro
banheiro que me irrita é o que tem cheirinho. Ô, gente, não
inventa de botar cheirinho de florestinha falsa nos banheiros! É
enjoativo, é desnecessário, é… é ruim! Também não suporto
banheiros rudes, que me deixam no breu. De repente, do nada, a luz se
apaga. É como se ele dissesse: “ok, seu tempo acabou. Próximooo!”.
Resumindo: é um banheiro agressivo, um banheiro mal-educado, um
banheiro sem coração. Cadê a delicadeza, povo? É o usuário do
banheiro que decide a hora de sair. Mais que isso: é o xixi do
usuário do banheiro. Sem contar que me sinto ridícula balançando
os braços na escuridão, como se estivesse fazendo uma “hola”,
para que a luz volte. Tudo bem, temos que economizar energia, mas não
estamos participando de um campeonato mundial pra consagrar o dono do
xixi mais rápido.
Ah,
tem uma coisa que eu acho linda: não precisar tocar em descargas e
torneiras. Pedal é tudo na vida de um ser humano. É limpinho. É
higiênico. É chique. É luxo. Mas os avisos de que o banheiro em
questão tem pedal deveriam ser colocados, em letras GARRAFAIS, em um
lugar onde as pessoas consigam ler assim que entram. Caso contrário
a gente fica feito idiota procurando a torneira da pia e a descarga.
E se sente idiota quando lê o tal aviso. E mais idiota por não ter
lido antes. E sai do banheiro irritado. E com cara de idiota, o que é
pior.
Outra
coisa: nada me faz sentir mais estúpida do que ficar parada em
frente a duas portas, tentando decifrar qual
símbolo-maluco-de-artista-badalado determina qual banheiro é o
feminino. Na boa, um H de Homem e um M de Mulher não fazem feio.
Juro!
Enfim,
banheiro é banheiro. Nota 10 para os bem iluminados, com proteção
de plástico que gira no vaso (ou aquele papel para forrar, tanto
faz), papel higiênico macio (ralador de bunda neeem pensar!) e bem
posicionado, ao lado ou na frente do vaso, nada que exija
contorcionismo e… voilà! Eis um banheiro bacanudo. Menos é mais.
Como diriam meus leitores adolescentes, menos é mais messssmo.