Outro
dia - era um sábado - saí de manhã para fazer umas coisas bem
pouco interessantes, tipo comprar cabides, lata de lixo, um armário
para a área etc.; mais sem graça, impossível. Quando terminei,
eram 2h da tarde e eu estava com fome.
Por
coincidência, quando vi, bem ao lado, um restaurante que adoro, de
comida baiana. Entrei, pedi uma caipirinha e um acarajé.
Eu
estava tranquila, tinha conseguido liquidar minha listinha e, sedenta
e faminta, iria beber e comer exatamente o que queria. O restaurante
foi enchendo, e a única mesa com uma só pessoa era a minha.
Algumas
pessoas me olharam meio de banda, possivelmente achando estranho uma
mulher almoçando sozinha num sábado de sol. Talvez tenham pensado
que eu havia levado um bolo, ou que era uma pobre coitada que não
tinha amigos com quem almoçar, ou sei lá mais o quê.
Terminei
meu acarajé, que aliás estava ótimo, pedi mais uma caipirinha e
uma moqueca de camarão.
Comi
muito, mais do que deveria, mas estava tudo tão bom, mas tão bom,
que eu acho que merecia.
Quando
estou comendo, só presto atenção -e muita- ao que estou fazendo;
mas quando terminei, e só então, comecei a olhar as pessoas.
Em uma
das mesas elas eram seis, que conversavam alto, todas falavam, e
pareciam alegres; em outra, um casal de turistas, tipo lua de mel,
felizes da vida, e havia uma -também de seis- em que todos riam e
gargalhavam, parecendo se divertir muito.
Aí
fiquei pensando (uma mania que tenho). Será que os que riem e dão
gargalhadas são mais felizes do que os que apenas conversam, talvez
até sobre as mais banais banalidades? E mais do que os que estão
sozinhos?
Ficou
combinado que quem sorri muito, ri muito, gargalha muito é mais
feliz do que os sérios, mas não sei se para viver bem -e não estou
falando de felicidade- é mesmo fundamental estar sempre rindo.
Pensei
que, se estivesse em qualquer daquelas mesas, não estaria melhor do
que estava, ali, sozinha.
Quem
inventou que rir é mesmo melhor do que não rir? Eu já ri muito,
muito mais do que rio agora, e isso não me faz a menor falta; aliás,
tenho horror aos profissionais em dizer coisas engraçadas, que são
a alegria da festa, que fazem os outros gargalhar. "Vamos jantar
sim, vai ter fulano, que é ótimo, divertidíssimo"; essa
frase, aliás, já é uma boa razão para eu não ir.
Continuei
mais um tempo na mesa, e tão bem, que ainda pedi uma cocada branca
de sobremesa, e pensei que inventam umas coisas nas quais as pessoas
acreditam; talvez, naquele sábado, muitos homens e mulheres
acreditaram no que ouviram dizer, e estavam infelizes por estarem em
casa, porque não tinham com quem almoçar, alguém engraçado, para
que eles rissem um pouco.
Vou
repetir, para que não haja engano: eu não estava vivendo nenhum
momento de intensa felicidade. Mas estava tão bem, mas tão bem, que
naquele momento não precisava de mais nada na vida; de nada. Já
passei por momentos assim algumas vezes, e lembro de todos eles,
porque foram todas inesquecíveis, e aprendi a identificar, na hora,
quando eles acontecem, assim, a troco de nada; será que isso tem um
nome?
E,
curioso: em todos eu estava absolutamente só.
Fonte:http://cultcarioca.blogspot.com.br