Que
seja Natal em você ainda quando lá fora imperem o escárnio e a
injustiça.
Nascendo
natais em você, melhor enfrentará a luta por construir o mundo com
justiça e amplidão.
Será
Natal o que for afetivo, caloroso, verdadeiro e sem disfarces, mesmo
o de Papai Noel.
Será
Natal sempre que o pedido de perdão seja feito e no coração se
abrigue o mesmo sentimento de perdão, que cada um aprenderá a dar e
pedir.
Será
Natal o que se fizer sincero e grato. Será Natal onde o sorriso
agradeça, peça, revele ou insinue e jamais disfarce, distraia ou
seduza.
Há de
ser Natal quando todos festejemos por igual, e saibamos avaliar
perdas, dores, erros e ofensas e comungar qualidades, feitos,
capacidade de prosseguir na luta constante por ver, sentir, saber e
enfrentar.
Há de
ser Natal sempre que se comece e a
força nasça e renasça, proclamando emocionada, a descoberta do si
mesmo e dos tesouros no imo escondidos.
Sendo
Natal você pode se comover, dar a mão, chorar à toa, beijar os
filhos, pedir a benção ao pai, brincar de bola de gude, boneca ou
soldadinho de chumbo.
Sendo
Natal, você deve se fazer mais simples, chorão ou ciumento, sentar
no colo até de estátua, sem temer pedir afago, agasalho, cafuné,
abraço de filho, doce de leite ou trégua.
Natal
seja, onde houver consciência de tudo que oprime, principalmente
quando vem disfarçado em lucro, progresso, ciência, aparência,
fruição, rispidez, sentimento de superioridade, pretensão ou
esbanjamento.
Natal
seja, onde o supérfluo não seja!
Natal
seja sempre que a arrogância ceda!
Natal
seja onde re/exista um gesto sincero de compreensão e coragem de não
fazer o que oprime, ou capitular ante a opressão sofrida.
Serás
o Natal se fores tu. Serás o Natal se fizeres um congresso interior
dando a palavra a cada bancada interna.
Serás
o Natal se te identificares com o melhor e o pior de ti,
crucificando-te em sacrifício para elevar-te à altura do melhor de
ti e do Pai que elejas como padrão.
Serás
o Natal se fores presente, embrulho, dádiva, oferta, surpresa,
entrega ou adivinhação.
Se, em
vez de tu, preferires ser você, então que seja Natal em você
quando se estabeleça a capacidade de compreender quem o ofende sem
ofender quem o compreende; que seja Natal em você sempre que se
descobrir também menor, mesquinho ou pequeno e fizer o esforço de
halterofilista da própria moral.
Seja
Natal em você sempre que se sinta invisivelmente emocionado ou
emocionalmente visível, tocável, perceptível, em sua melhor
dimensão do sentir.
Que
seja Natal em você a cada recordação e reconhecimento de quem algo
lhe trouxe, mesmo encapado em dor ou
perda, espanto, amor ou desilusão.
Ser
Natal é olhar o céu para obter silêncio. É saber olhar,
pacificar, gesticular a esperança e votar na verdade.
Ser
Natal é ascender as próprias luzes sem brilho e ouvir, no silêncio,
a voz do mistério a proclamar a verdade, numa linguagem oculta, com
a qual se consiga alcançar sem saber e perceber sem conhecer.
Ser
Natal é pular o muro ou entrar pela chaminé para dentro de si e lá
encontrar a mesma criança com as enormes barbas brancas da sabedoria
milenar da espécie.
Ser
Natal é descobrir que Natal é SER!