Todos
temos manias; umas incomodam os outros; outras não incomodam ninguém;
umas chocam por já terem se tornado patológicas, outras são pequenas
bobagens, inofensivas e até infantis. Somos cheios de manias e tiques e
não admitimos que sejam elas muito debatidas. É que mania, na verdade,
pode ser apenas um hábito, uma excentricidade, uma obsessão, ou um
distúrbio. Não vou falar aqui de doença, pois não é o meu ramo.
Falo
de manias mais leves. Manias que não incomodam ninguém, inofensivas,
exóticas e bobas. E o bom é aceitar que cada louco viva com suas manias –
até o ponto de não incomodarem.
Ontem
éramos em cinco, sentadas numa confeitaria. Lá pelas tantas começou um
destrambelhamento no grupo, umas queriam saber das manias das outras,
tudo muito curioso e engraçado. Mas apenas diversão, aquela coisa de
saber da vida dos outros e que todos gostam. Alguns dizem que não
gostam; tá bom... Vá lá, me engane!!
Eu,
por exemplo, tenho uma mania, e creio, não afeta ninguém, e ainda
não me causou nenhum transtorno. Não durmo sem relógio de pulso! E com
mostrador luminoso, pois preciso ver as horas de madrugada.
Ver
as horas de madrugada, por quê?! Porque meu cérebro viciou nesta
esquisitice. Só isso! E serve pra mostrar que com cérebro não se brinca;
cérebro a gente respeita. Nosso cérebro está no comando durante as 24
horas. Certos dias ele me dá uma trégua: acordo apenas uma vez. Outras,
acordo duas ou três. Qualquer dia resolvo dormir sem relógio e acabo
com a festa. Mas ainda não estou preparada para dormir sem relógio e sem
ver as horas.
Quando
contei este fato a elas, ficaram me olhando... Não entenderam a tal
esquisitice. As pessoas não entendem esse processo do qual não temos
gerência – ou temos pouca. Vício a gente respeita, não dá pra dar
moleza. E meu cérebro viciou em acordar várias vezes e dormir em
seguida. Mas uma delas, não satisfeita, perguntou:
- Mas o que leva você a acordar sempre na mesma hora?
- Meu cérebro...
- Mas por que ver as horas de madrugada, guria?
- Por que gosto, me certifico que tenho mais tempo para dormir...
- Nossa... você é louca!
- Louca, mas feliz! E você... não tem suas manias?
- É...Tenho umazinha: não saio sem brinco, volto de onde estiver ou tenho de comprar um na primeira loja.
- E por quê?
- Me sinto nua sem brinco.
- Nua? Ué... Será que sua mania não é pior do que a minha?
Tá... ficou lá quietinha.
Tenho
outra amiga que cada frase que termina pergunta se eu entendi? Putz,
que mania infernal. Sei que isso não tem a mínima importância, mas já
entrou na área de saúde pública pelo fato que tenho de dizer 50 vezes
que entendi. E estressa, cansa em ter de repetir exaustivamente que
entendi.
Outra mania que está na esfera da saúde pública, é no final de cada frase você ouvir sempre o tal HÃ? Confesso, nas minhas constatações, que é um dos tantos hábitos que me enlouquece. Desisti de falar com uma vizinha por telefone. Se for pra enlouquecer, prefiro ao vivo e a cores.
Mas enquanto der, vou levando, já que a palavra superação está na moda.
Outra mania que está na esfera da saúde pública, é no final de cada frase você ouvir sempre o tal HÃ? Confesso, nas minhas constatações, que é um dos tantos hábitos que me enlouquece. Desisti de falar com uma vizinha por telefone. Se for pra enlouquecer, prefiro ao vivo e a cores.
Mas enquanto der, vou levando, já que a palavra superação está na moda.
Existem
pessoas que começam a ler o jornal de trás para frente, vocês já viram,
não? Eu sou uma delas. Por quê? Não sei, nunca parei pra pensar. Mas
no final, fica tudo esclarecido: fico sabendo do mesmo jeito quem roubou
mais, quem fez alianças esdrúxulas, quem se vendeu ou foi vendido; do
coitado que morreu antes da hora; como está a saúde do país, se a Dilma
tá bonitinha e poderosa na revista Forbes etc e tal. A ordem da
leitura não altera o resultado.
Enquanto
minhas manias ficarem num patamar sustentável não me preocupo: se
evoluírem é que ficarei preocupada. Na verdade pouca coisa tem peso:
pequenos desatinos ou seja lá o que for podem virar brincadeira. É
melhor brincarmos com nossas pequenas falhas e nossas bobagens. Pode
haver em certas atitudes algo até infantil, mas convenhamos... como é
bom quando o espírito não envelhece.
Por
certo teremos momentos - mais à frente - onde vamos nos deparar com
coisas bem mais sérias. E tanto fará ver as horas de madrugada ou ler o
jornal de trás pra frente. A notícia será a mesma e o relógio vai parar
de funcionar na hora certa. Mas que leve muito tempo! Enquanto isso vou
curtindo minhas madrugadas olhando meus ponteiros darem voltas e
voltas...
- Tais Luso de Carvalho
Fonte:http://taisluso.blogspot.com.br