Dadá
morreu, o luto tomou de conta; a gente dá conta porque o luto é a luta do
organismo para lidar com a perda que a vida dá. Dadá não estará presente e sua
presença ausente é mais do que consigo aguentar.
Tô
de luto, de luto eu luto para conseguir continuar...nessas horas, palavra dos
outros machucam, portanto, quer ajudar? Trate de se calar! Mas fica perto,
acenda a vela, ore por mim, ore por Dadá, mas não use a minha tragédia para o
mal dizer e mal falar.
Observe
o que a tragédia alheia te ensina, pois tudo no outro tem mesmo o poder de te
afetar. Quanto a mim, vou colocar o meu preto, vou zerar o relógio e vou parar
de citar W.H. Auden, pois provavelmente ninguém haverá de se lembrar. Mas
vestirei o preto que libera o corpo e vou chorar o choro que é o grito da
alma, portanto, tampem os ouvidos que eu quero lamentar por Dadá.
Dadá
partiu e preciso lidar com isso da forma que der, seu ombro amigo vem me
acalentar, mas não diga que Dadá estará em um lugar melhor que do meu lado,
pois Dadá não está; por isso, se você vier me consolar, a melhor forma de se
solidarizar é com o seu silêncio, amigo de perto, amigo de longe; só sabe da
dor quem está a sangrar.
Fonte:http://cronicasdofrank.blogspot.com.br/