sexta-feira, 28 de junho de 2013

RESILIENCIA

Temos nos olhado muito. Demoradamente. Olho no olho, assim, bem de perto. Com algum desconforto, sem dúvida, mas também com coragem. Somos adultas, as duas. Mas ela ainda brinca comigo. Se esconde atrás dos meus sentimentos mais confusos, corre que nem doida nas minhas veias. Escapole por entre os dedos. Tudo nela é pressa, urgência. Eu a conheço por inteiro, em toda sua cortante profundidade e pequenas doses de doçura. Nós duas somos sobreviventes e nos conhecemos intimamente. Nos pertencemos e não temos segredos uma para a outra. Sei do que ela é feita e há nisso algo de bonito. Tem vezes que me distraio e meio que me esqueço dela. Resiliente, ela me conhece por dentro e vem logo me resgatar. Nos entregamos uma a outra sem reservas. Ela sempre vem - às vezes com calma, cheia de delicadezas. Outras vezes selvagem escoiceando meu peito. Eu a carrego comigo, sentindo seu peso sobre os ombros. Ela sou eu. A solidão. Minha solidão sou eu.

Dalva Nascimento


Fonte:http://infinitoparticulardalva.blogspot.com.br

sexta-feira, 21 de junho de 2013

ALGUNS SINTOMAS DA INVEJA

Em nossa forma de compreender a vida, uma das causas que levam uma pessoa a sentir inveja, é um profundo descontentamento consigo mesma.
Vemos este grave escolho como doença, alguns sintomas detectáveis são: não estar satisfeito consigo, nem feliz, não sentir-se completo com a vida que tem, ser egoísta e não ter amor próprio, que convenhamos, um “tantinho” assim é sempre bom, não é mesmo?
O invejoso não se compraz na felicidade alheia, não tem bom coração, é mesquinho e quase sempre um indivíduo falso.

Faz qualquer coisa para destruir a felicidade dos outros desejando toma-la pra si.

Seduzido por um desejo violento de possuir o que os outros têm, se presta a qualquer “serviço mal feito” para causar constrangimentos, fazer comentários maledicentes, desvalorizando a pessoa visada ou o que ela possui.

É uma estratégia para depois tentar “pegar” pra si o “objeto” do desejo.
Existe sempre uma “amiga” invejosa que está “de olho” no namorado da outra, esperando o momento para envenená-lo com fofocas, entre outras ações negativas e seduzi-lo.

Podemos citar o colega de serviço mal humorado e trapaceiro que visa“derrubar” o companheiro, por ambicionar seu cargo dentro de determinada empresa.

Infelizmente esta é uma prática comum entre muitos incautos.
Para estes desavisados, ninguém é suficientemente bom, nem melhor, eles sentem espécie de raiva com relação ao sucesso do outro.
Estas criaturas infelizes e desorientadas, estão por aí no mundo, atuando em todos os meios, espalhando seu veneno por onde passam, não descansam enquanto não obtém o que é do semelhante.

Uma triste realidade!
O nosso objetivo mais uma vez é o de refletirmos sobre as imperfeições humanas, provenientes da carência de bondade de alma.

É preciso fazer uma análise profunda sobre os defeitos morais, que são como chagas abertas.

Toda falha moral vem revestida de uma profunda ignorância, o que devemos fazer é uma investigação sobre nós mesmos, buscando a corrigenda e o entendimento, pois, não somos perfeitos, erramos, mas caminhamos sempre para uma condição melhor de espíritos, onde com as experiências vivenciadas no dia a dia, vamos nos tornando melhores e mais distantes destes defeitos.

Algumas criaturas creem que estes assuntos devem ficar guardados e chaveados, nós acreditamos que quanto mais falarmos e nos conhecermos, melhor estaremos.

A inveja também é um escolho à evolução moral, pessoas que são assim precisam ser tratadas, pois o tempo no erro as torna mais duras e inferiorizadas, com isso, passam a ser alvos fáceis dos obsessores e malandros do astral.

Busquemos no Evangelho de Jesus todos os medicamentos salutares para que passemos de espíritos doentes e atrasados, à seres saudáveis e evoluídos.

Não queira o que é do outro, respeite o mérito de seu semelhante, busque os mesmos meios para conseguir a felicidade, sem precisar tirá-la de ninguém.

Torne-se mais alegre e tenha fé em Deus!

Encontre um caminho dentro de alguma filosofia religiosa, que te passe força e confiança e afaste-se da idéia de “roubar” das pessoas o que você não mereceu ter.


Autoria: Marcos Marchiori e Letícia Gonçalves 



Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br

domingo, 16 de junho de 2013

O OUTONO DA IGNORÂNCIA

Até demorou. Não se dizia que os brasileiros eram passivos demais, sem consciência política? Um povo inebriado por futebol, Carnaval e cerveja, que só se aglomerava em show, bloco e passeata gay ou evangélica? Agora, uma fagulha, o aumento das tarifas de ônibus, incendiou multidões. São especialmente jovens. Como em qualquer lugar do mundo. Entre os que protestam pacificamente com flores na mão, há os vândalos que, rindo e xingando, depredam o patrimônio, quebram lojas, incendeiam ônibus. Alguma novidade? Sempre foi exatamente assim, em Paris, Londres, Buenos Aires ou Istambul.

Os excessos devem ser repudiados, os vândalos detidos. Mas a reação truculenta das tropas de choque e as declarações de prefeitos e governadores de todos os partidos mostram algo preocupante: o poder – no Brasil, como na Turquia – não faz a menor ideia de como coibir com eficácia protestos que resvalem para a violência. Policiais e políticos igualam-se aos arruaceiros na ignorância, tornam-se delinquentes por trás de armaduras e gravatas, tacham de ilegítimas todas as manifestações, não param para escutar, entender ou negociar. O resultado é este: cidadãos encurralados na volta do trabalho, crianças atemorizadas. Os jornalistas são feridos pela polícia com balas de borracha, bombas de gás e spray de pimenta nos olhos. São coagidos e xingados por jovens mascarados e desinformados.

Os preços sobem, a inflação está em alta, os impostos absurdos não revertem em saúde, moradia, transporte e educação para a população, os empregos para a juventude começam a minguar, as empresas demitem em massa sem repor vagas. A presidente Dilma diz que a economia está sob controle. A farra nos Três Poderes continua. Ninguém aperta o cinto de couro em Brasília. O noticiário continua coalhado de mordomias no Legislativo, Judiciário e Executivo.

No Brasil, o poder não faz
a menor ideia de como coibir protestos que resvalem
para a violência 
O jornalista Zuenir Ventura um dia cunhou a expressão Cidade Partida para se referir à divisão entre asfalto e morro, no Rio de Janeiro. Hoje, está claro que vivemos num País Partido. O Brasil dos que produzem e trabalham quase cinco meses só para pagar impostos... e o Brasil dos que mamam nas tetas do Estado, com aposentadorias vitalícias polpudas e múltiplas, e ainda têm a cara de pau de discutir o rombo da Previdência. É corrupção, nepotismo, promiscuidade, formação de quadrilha nas altas esferas, desmoralização dos sindicatos que se lambuzam com o melado federal. A casta superior do País Partido insiste em ignorar o sentimento de vulnerabilidade da população assalariada.

Com a ditadura, o Brasil se desacostumou a conviver com manifestações e greves. Tudo vira sinônimo de anarquia. Estava em Londres em 1979, no “winter of discontent”, o inverno da insatisfação, que encheu a cidade de lixo e mau cheiro e derrubou os trabalhistas, abrindo o caminho para Margaret Thatcher. Trafalgar Square equivale simbolicamente à Praça Taksim, de Istambul – mas com os bobbies (policiais ingleses) protegendo os manifestantes.

Estava em Paris no outono de 2005, quando jovens da banlieue (a periferia) invadiram a Rive Gauche e saíram quebrando tudo, em protesto contra a situação de jovens imigrantes nos subúrbios. Foram 19 noites de distúrbios na França, 9 mil carros queimados, 3 mil jovens presos. Essa revolta saiu de controle. A “manif” já faz parte da cultura parisiense – quase como a praia no Rio de Janeiro e o restaurante em São Paulo. Não há fim de semana em que avenidas não sejam bloqueadas por protestos. As tropas de choque se organizam, com o objetivo de garantir a passeata, e não de fomentar a violência.

No Brasil, o Movimento do Passe Livre é o estopim, ou a parte visível de um descontentamento que não pode ser minimizado. O péssimo serviço de ônibus, metrôs e trens, aliado a aumentos nas passagens, é, sim, revoltante. Ouvir de Sérgio Cabral, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad que os protestos “têm motivação política” causa risos. É lógico que protestos sejam políticos. Não existe crime nisso. Ouvir das autoridades que os manifestantes são mauricinhos causa desconforto. É preciso ser prostituta para defender os direitos da classe nas ruas? É preciso ser povão para protestar contra a indignidade dos trens?

Torço para que os manifestantes expulsem de suas alas os marginais que aterrorizam exatamente aqueles que mais se servem do transporte público. Espero que os governos não mandem às ruas policiais despreparados, brutamontes e enraivecidos, que atacam pelo prazer da repressão. “Baderna é inaceitável”, diz Alckmin. Concordo. Mas os piores baderneiros são os armados pelo Estado. Deslizes policiais e insensibilidade governamental podem nos lançar ao caos.


RUTH DE AQUINO

Fonte: http://revistaepoca.globo.com

sábado, 15 de junho de 2013

INDIGOS VIERAM PARA MUDAR E VOCE É UM. MUDE!!!

Como essa moça mesmo disse, já que eu não estou dando a minha cara para bater nos comícios, pelo menos que eu faça a minha parte divulgando o que está acontecendo aqui e no mundo.

Tenho uma média de 5 mil acessos dia e uma boa exposição mundial que não é muito expressiva, se comparado as mídias que mentem sobre o que realmente está para acontecer no planeta. Elas propagam a desinformação e precisamos consertar isso.

Se você tem um BLOG ou página em rede social e é menor de 25 anos ou não, ajude aos que estão apanhando e sendo presos, humilhados, para melhorar o seu futuro, pois se nada mudar muitos não o terão como o sonhado, mas como DETERMINADO pelos que estão no poder.

Quem não acreditou que o velho mundo acabou, terá a prova daqui em diante – nada será mais o mesmo.

A partir de 2012 entramos numa nova era, numa nova etapa da evolução do homem, num novo SOL = informação.

As paredes dimensionais estão caindo. Veremos mais e além. Estamos mudando nossa percepção quanto ao ambiente e isso muda nossos pensamentos e consequentemente nossos corpos/saúde/equilíbrio.

Estamos emergindo das profundezas da escuridão, do fundo do poço, estamos vendo a luz, um novo céu, uma nova maneira de “existir”.

Não significa que será fácil o trajeto para os que buscam suas convicções, mas posso lhe garantir desde já que será excepcionalmente deliciosa e maravilhosa a conquista!

Laura botelho
Fonte:http://bloglaurabotelho.blogspot.com.br/

quinta-feira, 13 de junho de 2013

AFASTE-SE DE PESSOAS QUE LHE FAZEM SENTIR MAL

De fato estamos cercados de pessoas tóxicas.
Pessoas que são egocêntricas, manipuladoras, interesseiras, arrogantes, rancorosas, amarguradas, mal amadas, invejosas ou fracassadas, que não conseguem ver o sucesso ou a felicidade alheia. Enfim, pessoas sombrias que minam os relacionamentos e amizades com intrigas, críticas excessivas, falta de consideração e respeito pelo outro e abusos verbais ou físicos. Pessoas muito perigosas de se conviver.

Essas pessoas tóxicas acabam, de alguma forma, nos envenenando. Direta ou indiretamente, acabamos agindo por influência delas, seja com atitudes ou omissões. Muitas vezes acabamos agindo por impulso para evitar essas pessoas, ou, na pior das hipóteses, acabamos agindo da mesma forma. São pessoas nocivas, intoxicando nosso comportamento e nos levando a agir e a tomar decisões que, em outras circunstâncias poderiam ser completamente diferentes.

São "tóxicas", porque conseguem despertar o que há de pior dentro de nós, não apenas no sentido de maldade ou crueldade, mas no sentido de perdermos a identidade, a autonomia, a energia, a iniciativa e o poder de decisão. Ficamos estagnados, hipnotizados, paralisados. São verdadeiros vampiros, sem Luz própria, que consomem nossa energia vital, que exploram e manipulam pessoas de acordo com os seus interesses e vivem às custas da energia dos outros para se sustentarem.

Tóxicas são aquelas pessoas que sabem tudo a respeito da vida das outras pessoas, mas não conseguem administrar a própria vida. Sabem dar conselhos como ninguém (há até terapeutas nessa categoria!) tem um discurso lindíssimo para o mundo lá fora, mas que, na vida pessoal, nos bastidores, na vida íntima, são pessoas frustradas, isoladas, verdadeiras ilhas no meio da sociedade, que não tomam para si os próprios conselhos.

Sabem olhar de fora, apontar defeitos, problemas, erros. Mas não sabem participar, não conseguem enxergar os próprios problemas ou defeitos. Apontam os erros alheios para, de certa forma, esconder os seus próprios. São os "sabe-tudo" e só a sua forma de pensar é que está certa. Não suportam ser contrariados e confrontados. Quando o são, perseguem a pessoa até "livrarem-se" dela ou então se vingam. Seu Ego é Superlativo para compensar a sua extrema falta de Amor-Próprio. Usam as pessoas conforme seus interesses e, quando estas discordam de suas idéias, são descartadas e eliminadas, sem a menor consideração.

A "toxicidade" reside exatamente no fato de não nos darmos conta de que estamos sendo manipulados ou influenciados. Ficamos hipnotizados, fascinados, imersos numa imensa ilusão, até o dia em que despertamos e tomamos consciência de que estamos muito mal, morrendo por dentro, e que algo urgente necessita ser feito. Um corte para a nossa libertação, para resgatar a nossa sanidade, saúde, alegria de viver.
Em nossa busca pela felicidade, por tudo aquilo que nos traz bem-estar e alegria, o grande segredo é não se deixar influenciar, se afastar e evitar a convivência com esses tipos. Isso não significa alimentar sentimentos negativos dentro de si com relação a eles, mas de preferência visualizá-los felizes e agradecidos em sua vida, emanando energias e vibrações positivas.

Reflita, você convive intimamente com alguma pessoa tóxica, seja na família, no trabalho, ou nas "amizades"?
Tenha cuidado, afaste-se, fique longe o quanto antes dessas pessoas...
Cuide-se, preserve-se, seja você mesmo, seja pleno e feliz..
E acima de tudo SEMPRE perdoe essas pessoas,
muitas vezes, elas não tem consciência de seus próprios malefícios.
 Fonte:http://wagnerdeluca.blogspot.com.br

terça-feira, 11 de junho de 2013

A FARSA DO SALMÃO

Fiz um comentário gigante neste post do blog Consuma com Moderação. Porém, achei válido transformar em post, e alertar algumas pessoas sobre a farsa que é o salmão vendido no Brasil e em muitos lugares do mundo.
O salmão considerado um dos peixes mais benéficos à saúde, sendo aclamado por aí por nutricionistas e médicos que simplesmente parecem ignorar ou desconhecer sua verdadeira origem. Entre os argumentos para o seu consumo, declaram que o salmão carrega uma grande quantidade de ômega 3, vitaminas A, D, E e do complexo B, magnésio e ferro. OK. Seria bom, se não fosse por um enorme porém: o salmão encontramos nas prateleiras do supermercado não é tão benéfico assim. Encontramos aqui o salmão criado em cativeiro, vindo do Chile, que é diferente do salmão selvagem encontrado na América do Norte.
Damos como certo de que a carne do peixe é rosa-alaranjada – ou ‘salmão’. Porém, esta a regra se aplica somente ao peixe de alto-mar, que passa a vida em liberdade no oceano para subir os rios na época da reprodução e morrer em seguida. Esse peixe é raro, caro, delicioso e belamente colorido por conta de sua dieta à base de camarão e krill. No total, ele representa míseros CINCO POR CENTO do salmão vendido nos Estados Unidos, e praticamente não chega ao Brasil.
A maioria esmagadora do peixe encontrado nos mercados de todo o mundo é criado em fazendas subaquáticas, e tem uma cor que vai do cinza ao bege-claro, passando no máximo por um rosa-pálido. Para ficar com o mesmo tom do salmão selvagem ele recebe uma ração com aditivos sintéticos, derivados de petróleo.
As substâncias astaxantina e cantaxantina são iguais às que, na natureza, tingem a carne do salmão. Em doses normais, são inofensivas e usadas também em outros tipos de alimento – por exemplo, na ração de galinhas, para que a gema do ovo fique mais amarela. Mas, em grandes quantidades, podem causar problemas de visão e alergias. Além disso, estudos apontam que o corante (astaxantina) é tóxico e cancerígeno (100g de salmão com corante equivale em toxinas a 1 ano de enlatados).
A verdade é que este peixe, que recebeu a fama de super alimento, repleto de Omega 3, que combate o colesterol ruim, é antiinflamatório e traz inúmeros benefícios para o consumidor, não passa de um produto fake. Para piorar a situação, muitas vezes os peixes são criados em ambientes anti-higiênicos, recebem antibióticos, tem o dobro de gordura – em sua maioria de gordura saturada (péssima) e quase nada de Omega 3 (boa). Por conta disto, os peixes recebem altas doses de antibióticos e fungicidas. Ou seja: mais contaminação na sua carne.
E vocês sabiam que quase todo o salmão vendido no Brasil vem do Chile?!
Quer dizer… você começa a consumir com frequência o salmão, querendo fazer bem a sua saúde, e sem saber vai acabar desenvolvendo problemas de saúde que você não tinha.
Eu passo muito, muito longe de salmão e de qualquer peixe criado em cativeiro. Peixe bom, rico e saudável MESMO, é o peixe de pesca.


E você? O que coloca no seu prato?

Fonte: http://liasergia.wordpress.com

terça-feira, 4 de junho de 2013

COISAS

Então eu era pequena e vivia na ponta dos pés espiando e desejando o mundo dos adultos.Aprendi coisas difíceis. Adultos sabem tantas coisas. Inventam outras. 
Adultos franzem a testa. Criam rugas. Trabalham o tempo todo. Juntam coisas inúteis. Engordam. Ficam nervosos. 
Adultos têm problemas reais e imaginários. Ficam zangados. Andam apressados. Fazem regras e desobedecem leis. Guardam dinheiro, guardam mágoas, conservam coisas e descartam pessoas. Ficam cansados. Adoecem rapidamente. Vivem cheio de dúvidas. Fazem muitas perguntas e não encontram respostas.
Os adultos se apavoram. Possuem uma série de medos. Querem ultrapassar limites. Lutam por coisas. Competem o tempo todo. Complicam coisas simples. Estudam coisas desnecessárias. Ficam tristes com facilidade. Choram sem necessidade. Entopem-se de felicidades provisórias. Desiludem-se. Não se entendem. Amam por obrigação. Esquecem por suposições. Machucam por ilusões. Passam adiante as responsabilidades. 
Esquecem das flores. Afugentam os pássaros. Resumem os carinhos. Dispensam a alegria. 
Com os adultos a folia é silenciosa, os palhaços ficam sérios e o circo dorme.
Adultos escolhem pelos olhos e condenam o coração. 
São coisas que aprendi e quero esquecer. 

Ita Portugal
Fonte: http://infinitoparticulardalva.blogspot.com.br

sábado, 1 de junho de 2013

ALEGRIA NA TRISTEZA

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se “Alegría de la tristeza” e está no livro “La vida ese paréntesis” que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.
O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.
Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.
Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.
Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.
Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Martha Medeiros