terça-feira, 29 de maio de 2012

O DESABROCHAR

Ao ouvir um CD que eu comprei em 2008, quando eu passava por período de intensas transformações, eu logo me lembrei de como eu era naquele momento.

A música tem a capacidade de fazer a gente viajar interdimensionalmente.


Então, enquanto respirava aqui, podia reviver o que eu sentia na primeira vez em que eu ouvi este CD.


Foi tão marcante ouvir e sentir o chamado para despertar com consciência pela primeira vez.

E essa lembrança me fez perceber que eu já estou em outra vida, dentro do mesmo corpo.

E é muito comum quando a gente passa a viver outra vida, dentro da mesma existência, notar a diferença da nossa aparência numa foto tirada há algum tempo. Mas não é só a aparência que está mudada. O nosso olhar muda, a nossa energia muda, a nossa consciência se abre cada vez mais.


Então, percebendo o meu Eu velho e o meu Eu de agora, me veio a analogia da flor.


Isso pode soar até meio piegas, mas é assim que eu pude perceber como a consciência humana se abre.


Uma parte minha questionadora se pergunta:
mas pra que mesmo a gente precisase expandir?

Ah, daí que entra a metáfora da flor.


Por que uma flor se abre?

É da sua natureza de ser flor.

Assim, na natureza há vários tipos de flores, umas maiores, outras menores, umas delicadas, outras que nem parecem mesmo flores, espinhosas. Mas todas são flores, não importa como elas sejam. E cada flor tem sua forma própria de viver,
seu ritmo.

O que elas têm em comum: seu aspecto de ser flor e, portanto, mais cedo ou mais tarde, todas as flores desabrocham.


Vejo quantas vezes eu já me espantei com a atitude das pessoas e com a minha própria atitude. E, na falta de compaixão, duvidei que dentro de cada ser há esse “aspecto-flor”. Mas, sim, todos nós somos flores, diferentes flores, com diferentes movimentos de desabrochar.


Algumas flores se abrem com graça e facilidade.

Outras, nem parecem que estão se abrindo e quando se percebe, ah, eis que surge uma bela flor!

Muitas vezes, o movimento da flor é sofrido, leva um tempo.

Mas, a nossa verdadeira Natureza é tão compassiva, tão paciente.

Não há mesmo um tempo ideal para a flor se abrir.

Mas, temos acerteza de que ela se abrirá.

Por isso, não é preciso forçar a natureza, nem mesmo nos cabe comparar o nosso ritmo com o dos outros. Somos flores únicas e, por isso, com um jeito próprio de experimentar o nosso desabrochar.


Só nos resta, então, curtir cada etapa do nosso despertar, com aceitação, com compaixão por cada momento de nossa vida.


Não importa como o desabrochar se dá, mas ele é lindo por natureza.


Celebremos essa dádiva que está presente em cada um de nós.


Um abraço a todos, com o perfume amoroso do meu Eu-flor...


Aline Bitencourt


Fonte:http://stelalecocq.blogspot.com.br

sexta-feira, 25 de maio de 2012

A PAZ QUE TRAGO EM MEU PEITO

A paz que trago hoje em meu peito é diferente da paz que eu sonhei um dia...
Quando se é jovem ou imaturo, imagina-se que ter paz é poder fazer o que se quer, repousar, ficar em silêncio e jamais enfrentar uma contradição ou uma decepção.
Todavia, o tempo vai nos mostrando que a paz é resultado do entendimento de algumas lições importantes que a vida nos oferece.
A paz está no dinamismo da vida, no trabalho, na esperança, na confiança, na fé...
Ter paz é ter a consciência tranqüila, é ter certeza de que se fez o melhor ou, pelo menos, tentou...
Ter paz é assumir responsabilidades e cumpri-las, é ter serenidade nos momentos mais difíceis da vida.
Ter paz é ter ouvidos que ouvem, olhos que vêem e boca que diz palavras que constroem.
Ter paz é ter um coração que ama...
Ter paz é brincar com as crianças, voar com os passarinhos, ouvir o riacho que desliza sobre as pedras e embala os ramos verdes que em suas água se espreguiçam...
Ter paz é não querer que os outros se modifiquem para nos agradar, é respeitar as opiniões contrárias, é esquecer as ofensas.
Ter paz é aprender com os próprios erros, é dizer não quando é não que se quer dizer...
Ter paz é ter coragem de chorar ou de sorrir quando se tem vontade...
É ter forças para voltar atrás, pedir perdão, refazer o caminho, agradecer...
Ter paz é admitir a própria imperfeição e reconhecer os medos, as fraquezas, as carências...
A paz que hoje trago em meu peito é a tranqüilidade de aceitar os outros como são, e a disposição para mudar as próprias imperfeições.
É a humildade para reconhecer que não sei tudo e aprender até com os insetos...
É a vontade de dividir o pouco que tenho e não me aprisionar ao que não possuo.
É melhorar o que está ao meu alcance, aceitar o que não pode ser mudado e ter lucidez para distinguir uma coisa da outra.
É admitir que nem sempre tenho razão e, mesmo que tenha, não brigar por ela.
A paz que hoje trago em meu peito é a confiança naquele que criou e governa o mundo...
A certeza da vida futura e a convicção de que receberei, das leis soberanas da vida, o que a elas tiver oferecido.
.....................
Às vezes, para manter a paz que hoje mora em teu peito, é preciso usar um poderoso aliado chamado silêncio.
Lembra-te de usar o silêncio quando ouvir palavras infelizes.
Quando alguém está irritado.
Quando a maledicência te procura.
Quando a ofensa te golpeia.
Quando alguém se encoleriza.
Quando a crítica te fere.
Quando escutas uma calúnia.
Quando a ignorância te acusa.
Quando o orgulho te humilha.
Quando a vaidade te provoca.
O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a paz.
Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br
 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

BUDA

Buda era taurino e toda a sua vida foi o desenvolvimento e o caminho para que Touro saía de sua energia mais densa que seria o ápice do apego material até o desenvolvimento da energia espiritual e o processo da iluminação. 

O Budismo é uma filosofia de vida baseada nos ensinamentos deixados por Sidarta Gautama, o Buda histórico, que viveu aproximadamente entre 563 e 483 a.C. no Nepal. Essa filosofia é difundida no mundo todo e encarada por alguns como religião, embora o Buda não seja considerado um Deus e seus ensinamentos nada tenham de místico.

A principal doutrina do budismo está concentrada no que é comumente chamado de As Quatro Nobres Verdades, sendo que a última delas desdobra-se no Nobre Caminho Óctuplo (ou Nobre Verdade da Senda).

Devido às dificuldades de tradução e transmissão oral dos ensinamentos, em muitos lugares – as Quatro Nobres Verdades são apresentadas da seguinte forma: “A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é o Caminho Óctuplo”.

Primeira Nobre Verdade: a vida está em desequilíbrio

Na tradução mais popularizada, temos que “a vida é sofrimento”. Porém, basta olhar os ensinamentos do Buda para observar que ele jamais definiria uma coisa tão maravilhosa quanto a vida como “sofrimento”.

O que o Buda quis dizer foi que a vida de quem não se conscientiza está fora do eixo, está caminhando para o rumo equivocado, está fora de equilíbrio. É esse desequilíbrio que leva ao sofrimento.

Segunda Nobre Verdade: o desejo fora de hora leva ao sofrimento

“A vida é sofrimento e o que causa o sofrimento é o desejo”. A versão da qual discordamos diz que a causa dos sofrimentos é o desejo. Mas o que seria da vida sem desejos, sem a motivação do crescimento? O homem não teria chegado aonde chegou não fosse seu desejo pelo saber, pelo progresso – com todas as suas conseqüências positivas e negativas.

A razão pela qual nós sofremos é o desejo fora de hora, o hábito de estar sempre querendo antecipar o futuro, querendo mais e mais, sem aproveitar o momento presente.

Se nunca estamos satisfeitos com o momento de agora, estamos sempre querendo alguma outra coisa. Essa é a principal causa do sofrimento. Se estivermos presentes, vivendo completamente o momento presente, não haveria “querer” e “não querer”. Estaria-se em plenitude. Terceira Nobre Verdade: libertar-se do apego ao desejo

A terceira nobre verdade tradicionalmente é contada como a extinção do desejo para o fim do sofrimento. Mas não foi exatamente isso que o Buda falou.

A palavra usada pelo Buda histórico foi nirvana, que significa apagar. Porém, segundo a filosofia do Vedanta, quando se apaga uma chama, diz-se que a chama ficou livre. Quando se acende, captura-se a chama.

Apagar um desejo, nesse sentido, significa libertá-lo. Quando abandonamos o apego ao “eu quero” e “eu não quero”, nossa vida entra em equilíbrio. Estamos, finalmente, livres.

Não apague seus desejos, eles são uma motivação necessária para a vida. Apenas desapegue-se de estar sempre querendo algo mais e deixando de viver o momento presente, deixando de viver a vida.

Quarta Nobre Verdade: o Nobre Caminho Óctuplo

O Nobre Caminho Óctuplo é a maneira pela qual o ser humano pode libertar-se do apego ao desejo. São oito atitudes que devem ser seguidas no dia-a-dia. São instrumentos práticos para colocarmos a nossa vida em equilíbrio. Não há neles nada de místico.

I. Palavra apropriada

    Você deve apenas falar a verdade. Deve apenas fomentar conversas que causem harmonia e progresso. Deve usar palavras leves, elogiosas e construtivas. Deve somente conversar produtivamente.
II. Ação apropriada

    Suas ações devem preservar os seres vivos: homens, animais e vegetais. Você deve pegar apenas aquilo que lhe pertence. Deve ser fiel ao companheiro amoroso. Deve ingerir apenas alimentos e bebidas que façam bem à sua saúde.
III. Meio de vida apropriado

    A profissão escolhida deve ser honesta, para o bem comum e nunca prejudicando e explorando nosso semelhante.
IV. Esforço apropriado

    Você deve esforçar-se para fazer o bem e consertar o que está equivocado, fora de equilíbrio.

V. Plena atenção apropriada

    Você deve viver em estado de constante atenção. Atenção com o corpo, com as sensações, com os pensamentos e com os sentimentos.
VI. Concentração correta

    A concentração é a mente unipolarizada, isto é: mente voltada para um único ponto. Desenvolver a concentração requer que você abra mão do desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material. Que cultive a alegria, a tranquilidade e o amor. Que mantenha-se ativo e disposto; relaxado e despreocupado; certo do seu objetivo de vida.
VII. Compreensão apropriada
Compreender as Quatro Nobres Verdades:

    Compreender as três características da existência O corpo é impermanente, as sensações são impermanentes, as percepções são impermanentes, as formas mentais são impermanentes, e as consciências são impermanentes. E tudo o que é impermanente é sujeito ao sofrimento e mudança. Dessa forma, não se pode dizer “isto pertence a mim” ou “isto é meu”.
    Compreender as ações meritórias (a ação apropriada, a palavra apropriada e o pensamento apropriado) e a raiz dessas ações: renúncia, desapego, boa vontade, benevolência, generosidade, moralidade, meditação, reverência, gratidão, respeito, altruísmo, transferência de mérito, alegria pelo sucesso alheio, ouvir a doutrina, expor a doutrina, ter corretos ponto de vista e compreensão.
    Compreender as ações demeritórias (Pelo corpo: destruir seres vivos, roubar e explorar, adultério, ingerir tóxicos e bebidas alcoólicas. Pelo verbo: mentir e caluniar, levar e trazer conversas, palavras pesadas, duras e ofensivas, tagarelice e conversas frívolas. Pela mente: cobiça-egoísmo, vaidade, má vontade, ódio e raiva, errôneos pontos de vista.) e a raiz dessas ações: cobiça, ódio, ilusão, ignorância, egoísmo.
    VIII. Pensamento apropriado

    São todos os pensamentos que vêm das ações meritórias e que devem ser mantidos em nossa mente o máximo de tempo possível. Quando um pensamento inapropriado – aquele baseado nas ações demeritórias – surgir, deve ser imediatamente substituído por um pensamento apropriado.

    Fonte:http://venturaana.blogspot.com.br

terça-feira, 22 de maio de 2012

APEGOS

A maior fonte de sofrimento para o ser humano é o apego. Desde cedo, fomos condicionados a nos apegar a tudo o que consideramos indispensável para que possamos nos sentir seguros e confortáveis. Ao longo da vida, entretanto, vamos descobrindo que este apego nos torna extremamente vulneráveis.

Desapegar não significa viver uma vida sem desejar qualquer conquista ou sem criar laços de afeto com outros seres humanos. O problema é que colocamos nosso equilíbrio interior na dependência de tudo aquilo que é externo a nós. Geralmente isto acontece porque aprendemos a ter nosso valor como pessoa, avalizado sempre pelas vitórias que obtemos no mundo. Embora elas sejam essenciais para nossa sobrevivência, não podemos esquecer que tudo nesta dimensão é impermanente e, portanto, passível de desaparecer a qualquer momento. 


Enquanto não conseguirmos vivenciar profundamente esta verdade e buscar outros valores que nos sustentem em qualquer circunstância, seguiremos escravos dos apegos que tanto nos fragilizam. Fortalecer a confiança no poder que todos indistintamente possuímos é o passo essencial para que comecemos a nos libertar de tudo aquilo que nos aprisiona. Uma existência plena de paz e felicidade passa, obrigatoriamente, pela capacidade de reconhecermos em nós a fonte de amor e abundância que nos originou. Ela estará sempre disponível, pois não depende de nada nem de ninguém para ser provida. "Todas as nossas misérias e sofrimentos não são nada mais do que apego.


Toda a nossa ignorância e escuridão é uma estranha combinação de mil e um apegos. Nós estamos apegados a coisas que serão levadas no momento da morte, ou mesmo, talvez, antes. Você pode estar muito apegado a dinheiro, mas você pode ir à bancarrota amanhã. Você pode estar muito apegado a seu poder e posição, mas eles são como bolhas de sabão. Hoje eles estão aqui; amanhã eles não deixarão nem um traço. ...Todas as nossas posições, todos os nossos poderes, nosso dinheiro, nosso prestígio, respeitabilidade são todos bolhas de sabão. Não fique apegado a bolhas de sabão; senão, você estará em contínua miséria e agonia. 


...Compreender que a vida é feita da mesma matéria que os sonhos é a essência do caminho. Desapegue-se:  viva no mundo, mas não seja do mundo. Viva no mundo, mas não permita que o mundo viva dentro de você. Lembre-se que ele é um belo sonho, porque tudo está mudando e desaparecendo. Não se agarre a nada.


Agarrar-se é a causa de sermos inconscientes. Se você começar a se desprender, uma tremenda liberação de energia acontecerá dentro de você. A energia que estava envolvida no apego às coisas trará um novo amanhecer ao seu ser, uma nova luz, uma nova compreensão, um tremendo descarregar - nenhuma possibilidade para a miséria, a agonia, a angustia. Ao contrário, quando todas essas coisas desaparecem, você se encontra sereno, calmo e tranquilo, numa alegria sutil. Haverá um riso no seu ser. ...


Se você se tornar desapegado, você será capaz de ver como as pessoas estão apegadas a coisas triviais, e quanto elas estão sofrendo por isso. E você rirá de si mesmo, porque você também estava no mesmo barco antes. O desapego é certamente a essência do caminho".


Osho

Fonte:http://wagnerdeluca.blogspot.com.br

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VELHICE FEMININA

Peço a compreensão das amigas politicamente corretas e a contribuição das cínicas inveteradas, como eu. Desculpem, gostaria de ser uma "doce sessentona" convencida de que a velhice é um estado de espírito mas a vida me prova o contrário. Além do mais, se quiserem ler crônicas otimistas, Martha Medeiros e Lya Luft estão aí prá isso. Meu negócio é rir!!
Para não ficar uma velha “sem noção” é fruto do meu profundo interesse olhar pela velhice e pelo bem estar da sociedade. (Eu podia ter organizado os lembretes por “família, trabalho, lazer, higiene e saúde” mas decidi já ir me acostumando com o estado de confusão mental provável e deixar a tarefa de me fazer entender para os mais jovens).
 Acho bom ler e levar a sério, principalmente as coisas que parecem mais desagradáveis. Como estou ficando velha, é capaz de receber e-mail com este texto, dizendo que foi escrito por Luis Fernando Veríssimo e nem lembrar que fui eu que escrevi:
Aceite a velhice, recuse metáforas. “Terceira idade”, “melhor idade” é a p*#@* q*#@ *#riu!!!. Ser velha não é crime, é apenas constrangedor e a última sacanagem que o Criador comete contra nós.
Viva com inteligência o tempo de vida útil que lhe resta. Viva a sua vida, não a dos seus filhos, netos e/ou marido (se é que ainda há algo que possa ser chamado disso). Tenha seus próprios interesses e projetos. Ainda se tem direito aos sonhos. Aliás, em breve teremos direito só aos sonhos.
Coma menos, beba menos e fale menos. Velhas magras, sóbrias e contemplativas são menos doentes e chatas.
Poupe seus familiares e amigos (para aquelas que ainda tem alguns) de conversas sobre o passado, doenças e dinheiro. Estes assuntos devem ser tratados, só e somente só, com seu psicoterapeuta. Em caso de emergência, a exceção é aquela sua amiga que já teve dois AVC’s e não tem condições de reagir.
 Não aborreça ninguém com os relatórios das suas viagens. As viagens de velhas são interessantes só pra elas mesmas. Aprenda a ser concisa, comente apenas o destino e a duração da viagem. Se por algum milagre, alguém perguntar mais alguma coisa, procure responder com monossílabos.
Escolha um bom médico. Ele, sim, vai ser seu pai, irmão, marido e amigo querido. Não se automedique. Não há nada mais irritante do que velha metida a curandeira.
Não arrisque cirurgias plásticas rejuvenescedoras. A chance de ficar mais feia é altíssima e a de ficar mais jovem é baixíssima.
Use seu dinheiro com critério. Gaste em coisas importantes e evite economizar demais. Para que deixar herança para noras e genros que mal lhe aturam ou sobrinhos e netos que mal lhe conhecem?
Velhice não nos dá o direito de ser mal educadas. Nada de falar de boca cheia, emitir sons e odores indesejáveis, cutucar dentes, etc.. Atenção redobrada se você já não era nenhuma dama na juventude. Casca grossa só piora depois de senil.
10) Faça uma guerra sem descanso aos farelos que insistem em se alojar nos cantos da sua boca (nos velhos, eles preferem o queixo). Você notou que tem sempre um filho de plantão passando um guardanapo na boca das mães velhas?!!
Só masque chiclete na ausência de testemunhas. Não corra o risco de acharem que você já está ruminando ou falando sozinha.
Pense muitas vezes antes de se aposentar. Trabalhar tem muitas vantagens, além do dinheiro. A principal delas é para sua família: são seus colegas de trabalho que vão ter que lhe agüentar a maior parte do tempo.
Cuidado com a nostalgia e o otimismo. Velhas tristes são chatíssimas. Velhas alegres demais, mais ainda. Não se ofereça para ir a carnaval fora de época com seus sobrinhos. Fora de época, é você. Não tenha certeza de que vai ser uma companhia agradável em acampamentos, raves e shows de rock. Um ataque cardíaco pode acabar com a festa de todo mundo.
Se foi mística, esotérica ou engajada na juventude, controle-se. As pessoas lhe agüentavam quando os hormônios estavam a seu favor, agora elas podem querer realizar o desejo de matá-la que tinham no passado, para acabar com a tortura das suas pregações.
Leia muito. Ainda há tempo para gostar de aprender. Velhice pode trazer experiência, não sabedoria. Ter um livro sempre à mão também serve para o caso de sua surdez não permitir acompanhar a conversa. Todos vão adorar não ter que repetir aos gritos respostas a perguntas “sem noção”.
Tenha o máximo de cuidado com a higiene. Velha fedida é duro de aguentar. Ah, cheirando a perfume francês vencido, também.
Não acredite nas colegas otimistas que dizem que não tem nada demais em usar minissaias, fio dental, figurinos sadomasoquistas ou decotes provocantes. Tem sim, eles provocam atentado à estética. E riso descontrolável, também.
Cuidado com a maquiagem. Já notou que velhas vão ficando parecidas com velhos e ambos com travestis? Maquiagem pesada só serve para reforçar o personagem.
Seja avó do seus netos, não mãe ou babá. Por isso nem pense em educá-los ou em comprometer seu tempo com as tarefas chatas de ir buscar na escola, festinhas, natação, inglês, etc.. Ser folguista de babá, nem pensar!!! Se a sua nora for chata, esta é a chance perfeita de sacaneá-la, deixando que ela faça sua obrigação de mãe. Não tenha remorso, por mais que você se esforce nunca vai conseguir sacaneá-la mais do que ela a você. Lembre-se de que agora seu filho deve obediência a ela e não mais a você.
Se alguém perguntar como vão seus netos, não precisa contar tuuuuuuuudo! Evite discorrer sobre sua (deles, óbvio!!) inteligência excepcional, beleza rara, fantásticas habilidades esportivas e genialidade com a tecnologia. Lamento informar que todos eles são iguais e assim, agora.
Não seja uma sogra chata, gratuitamente. Só se tiver um bom motivo. Lembre-se de como era a sua (ou as suas) e passe a limpo. Agora que você já sacou que não tem como mudar seu marido, cuidado para não apontar as armas para as noras e genros. Falar mal deste tipo de gente é deplorável. Se tiver genro, dê sempre razão a ele, se sua filha for um pé no saco. Lembre-se que, para implicar com ela, ele vai sempre lhe defender quando ela comentar como você é chata, controladora, antiquada, desinformada, espaçosa, blá, blá....
Seja machista. Ainda é tempo. Caímos no conto do feminismo e nos lascamos.
Nunca, nunca, nunca mesmo, visite seus filhos sem que seja convidada, pelo menos 3 vezes.
Cuidado ao atender o telefone. Se responder “Estou levando a vida como Deus quer”, quando lhe perguntarem “Como vai?”. Isto pode provocar um problema irreversível na sua linha telefônica, ela pode ficar muda por semanas. Você vai ver que as ligações dos amigos e filhos vão rarear, cada vez mais. Se quiser que a linha dê um “tilt” para sempre, pode responder aos seus filhos com a simpática frase: “Ah, lembrou que tem mãe?”. Mesmo que eles lembrem, vai ser difícil telefonar prá você.
Esta lista pode ser usada como teste (mulheres adoram testes) para saber seu grau de “sem-noçãozice”. Mas se você for chata mesmo, pode aplicar nas suas amigas. Não confesso meu grau, nem sob tortura. Mas confesso que já fiz alguns estudos de caso. Acredito piamente que vaso ruim não quebra e tento ficar cada dia pior. Afinal velha é que nem palhaço, se alegra vendo o circo pegar fogo.
Se não mandar e quebrar a corrente, o castigo vem na hora, porque velha decrépita é alvo fácil até para corrente imbecil. Salvem o planeta e passem adiante!
 
(Anônimo)

domingo, 20 de maio de 2012

PRECISA-SE

Sendo este um jornal por excelência, e por excelência dos precisa-se e oferece-se, vou pôr um anúncio em negrito: precisa-se de alguém homem ou mulher que ajude uma pessoa a ficar contente porque esta está tão contente que não pode ficar sozinha com a alegria, e precisa reparti-la. 
Paga-se extraordinariamente bem: minuto por minuto paga-se com a própria alegria. É urgente pois a alegria dessa pessoa é fugaz como estrelas cadentes, que até parece que só se as viu depois que tombaram; precisa-se urgente antes da noite cair porque a noite é muito perigosa e nenhuma ajuda é possível e fica tarde demais. 
Essa pessoa que atenda ao anúncio só tem folga depois que passa o horror do domingo que fere. Não faz mal que venha uma pessoa triste porque a alegria que se dá é tão grande que se tem que a repartir antes que se transforme em drama. 
Implora-se também que venha, implora-se com a humildade da alegria-sem-motivo. Em troca oferece-se também uma casa com todas as luzes acesas como numa festa de bailarinos. Dá-se o direito de dispor da copa e da cozinha, e da sala de estar.
P.S. Não se precisa de prática. E se pede desculpa por estar num anúncio a dilarecerar os outros. Mas juro que há em meu rosto sério uma alegria até mesmo divina para dar.

CLARICE LISPECTOR

 

Fonte: http://cultcarioca.blogspot.com.br/

sábado, 19 de maio de 2012

A ESCADA EVOLUTIVA DE PATANJALY

A ESCADA DE PATANJALY


“A Filosofia da Yoga é baseada na Escada de Patanjaly. Patanjaly, filósofo hindu, codificou – cerca de 200 dC, todos os métodos de yoga, reunindo-os num único, a que deu o nome de Râja-Yoga (yoga real ou verdadeira). Este método pode ser seguido com segurança por todos os seres humanos, sejam eles místicos ou intelectuais. Leva ele à libertação total, qualquer que seja a tendência ou natureza de cada um.
O Râja-Yoga consiste nas oito etapas abaixo:



As duas primeiras, Yamas e Niyama, constituem as bases éticas do sistema. Afirmam os mestres que, sem o sólido alicerce moral que tais normas conferem ao homem, nenhum progresso regular é possível no caminho da libertação. Desprezando aquela base, poderá o praticante de Yoga tornar-se um grande faquir, mas nunca um Yógui.” (Caio Miranda)

YAMAS
AHIMSA – não violência
“tirar a violência de dentro de si”
ASTEYA – não roubar
SATYAM – não mentir
“não mentir nem para si mesmo”
BRAHMACHARYA – equilíbrio sexual
“cultivar o bom senso”
APARIGRAHA – não cobiçar
“cuidar de seus apegos”
“Representa o princípio da caminhada para quem deseja se tornar um yogue. Neste ponto o praticante não recebe nenhum ensinamento específico: deve apenas praticar conceitos éticos para o aprimoramento de seu espírito.
O Yama cuida do relacionamento de cada um com o mundo que nos rodeia, e por isso exige que estudemos com atenção cada uma das nossas atitudes. Para começar é preciso abolir toda e qualquer forma de violência, seja ela física, verbal ou mental.”
Vem então os questionamentos:
Eu sou violento?
Em que área da minha vida sou violento comigo?
Qual a qualidade das minhas atitudes?
Qual a qualidade das minhas palavras?
Qual a qualidade do meu silêncio?
Qual a qualidade dos meus pensamentos?
Que sentimentos habitam o meu coração?

AHIMSA
“AHIMSA –Esta palavra deve ser compreendida mais genericamente por “não violência”. O que significa esse termo? Podemos responder do seguinte modo: somos violentos quando agredimos fisicamente uma pessoa. Somos violentos quando pensamos mal sobre um ser humano, de modo intenso ou não. Somos violentos quando caluniamos pessoas. Somos violentos quando privamos uma pessoa de suas alegrias, quando persuadimos pessoas a pensar mal de outra, deslocando-a ou separando-a do nosso convívio. Somos violentos quando fazemos alguém sentir culpa, pesar, apenas para faze-la sofrer a sensação do mal-estar causado pela culpa, pelo remorso. Somos violentos quando cassamos a palavra de alguém, por autoritarismo ou por achar que essa pessoa não diz coisas importantes e que, portanto, não merece ser ouvida, pois, importante é o que temos a dizer. Somos violentos quando difundimos o medo e a insegurança, quando disseminamos a dúvida, a discórdia. Somos violentos quando impedimos o crescimento pessoal e psicológico das pessoas. Somos violentos quando nos omitimos de ajudar. Somos violentos quando não temos capacidade de dominar nossa ira. Somos violentos quando não temos compaixão, quando somos insensíveis à dor do próximo. Somos violentos quando queremos submeter a consciência de pessoas, quando queremos dominar seres humanos, dirigir mente. Somos violentos quando não respeitamos velhos, mulheres e crianças. Somos violentos quando sentimos desprezo ou inferiorizamos alguém. Somos violentos quando não respeitamos a cultura e as tradições de um povo ou de uma pessoa. Somos violentos quando desrespeitamos as pessoas por pertencerem a outra condição social.

Uma forma de violência especial é aquela que praticamos contra nós mesmos, principalmente quando temos consciência do erro e o praticamos, de modo sorrateiro ou ostensivo. Há mil modos de praticarmos a violência.
Ahimsa significa ser pacífico, ter bom coração, ter compaixão. A prática da não violência é o melhor modo de diminuir e anular o sentimento de culpa. O medo e a ansiedade quase sempre decorrem da violência que praticamos. A pratica de ahimsa nos protege das nossas atitudes autodestrutivas. Os textos da Yoga dizem que a simples presença de uma pessoa não violenta diminui a tendência à violência em todo o ambiente onde ela se encontra.” (Acharya Kalyama)


ASTEYA
Esta palavra significa “não roubar”. Certamente, há o roubo das coisas materiais. Muitas vezes, rouba-se por mania (cleptomania), por necessidade material e, na maioria das vezes, por cobiça e por outras razões. Com esse tipo de roubo, estamos acostumados, pois é fato corriqueiro na imprensa.
Mas há outras formas de roubar. Pode-se roubar coisas mais sutis, mais subjetivas. Podemos até roubar a nós mesmos.
Quando não temos paz na mente, quando a mente é confusa, cheia de pensamentos desconexos, somos roubados na nossa capacidade de discernir. Perdemos a serenidade e a paz, necessários para que possamos tomar decisões corretas. Os pensamentos dispersos e confusos são uma espécie de “ladrões da mente”.
Podemos roubar dos outros a esperança, com nossas palavras de desestímulo, com nosso pessimismo. Podemos roubar dos outros a fé, do mesmo modo. Podemos roubar a confiança no futuro.
 Nossos próprios pensamentos podem provocar roubos nas nossas vidas. Meu pessimismo pode roubar minha própria esperança, minha confiança e auto-estima.
A prática da Yoga torna a nossa mente clara e livre. Na medida em que essa clareza aumenta, nos tornamos cada vez mais capazes de decidir acertadamente, e cada vez menos seremos roubados nos nossos objetivos.”
(Acharya Kalyama)
BRAHMACHARYA
Há quem por ignorância e erro, fazem do sexo um tabu, e por isso evitam, condenam e, mesmo, o temem. Quem vê no sexo, uma imundície, uma ofensa à moral religiosa, portanto algo a ser temido; quem vê no ato sexual o “pecado original”, que nos condenou ao inferno; quem vê no sexo um antideus, uma degradação, uma condenação à vida sem Deus” ou uma vergonha a ser ocultada; quem vê no sexo uma fraqueza ou artimanha engendrada por belzebu, para tomar nossa alma; quem vê o sexo assim tão deformado, precisa mudar de idéia e começar a descobrir que, além de não ser pecado, nem proibido por Deus, é, ao contrário, uma expressão do próprio Deus Onipresente.
Esta castração nascida da mente é que merecia ser chamada de belzebu. E tem sido tormento e desequilíbrio para muitos seres humanos.
 O próprio Yoga, mal interpretado, tem criado dificuldades àqueles que fanática e irracionalmente se decidem a cumprir um preceito chamado brahmacharya, que, ao pé da letra, quer dizer, caminho (charya) do Absoluto (Brahma). Esta palavra tem sido traduzida por quase todos os autores como “castidade” ou “celibato”, sendo, portanto, interpretada como um veto ao sexo, uma repressão que pode ser desastrosa aos homens comuns. Os verdadeiros Yoguis não reprimem por medo ou por considerarem o sexo um empecilho à realização espiritual. Eles o fazem com o fim de transformar as energias sexuais em fulgor e força criadora do espírito e o fazem sem dar publicidade ao fato e sem qualquer violência contra a natureza.
Outra atitude extrema em relação ao sexo é exatamente o abuso. O desvirtuamento, a exacerbação, a aberração da função sexual, é doença e requer tratamento, e infelizmente, tão frequente, que chega a ser normal.
Seu bem-estar e saúde psicossomática serão muito beneficiados se, sexualmente, você se comportar com pureza e castidade. Seja casto. Para isto, aprenda a amar integralmente, isto é, a partir do plano espiritual. Faça do ato sexual apenas uma parte do amor divinizado e divinizante.
Seja natural. Atenda aos salutares e normais impulsos. Defenda-se contra a dissipação engendrada pela erotização industrializada de nosso tempo.
A prática de Yoga proporciona muita energia sexual, mas ao mesmo tempo, tranquilizando e reequilibrando a mente, vai corrigindo as causas psíquicas da genitomania.
O Yoguim é rico em potencial, mas tem a tranquilidade sóbria de quem é soberano. A soberania nasce da equanimidade.
 texto do livro Yoga Para Nervosos – Hermógenes)
SATYAM
Esta palavra significa “veracidade” ou “verdade”.
Na ética da Yoga, ela significa “ser veraz”. Quem nos estimula a continuar mentindo é o sucesso temporário das mentiras que contamos. Você conta uma mentira, os outros acreditam e você se sente um pequeno sucesso. Daí, sente vontade de mentir outras vezes mais. Algumas pessoas contam mentiras tão bem elaboradas que os outros passam a dizer a mesma coisa, pensando ser verdade. É preciso refletir profundamente nos processos que nos levam a mentir. Há sempre um fundo de ansiedade em todas as mentiras. Somos levados a mentir, principalmente quando estamos sob a pressão de um forte desejo de alcançar sucesso ou de querer uma vantagem pessoal, ou quando queremos ser algo que não somos.
Na mentira está implicado outro aspecto importante: a falta de respeito por nós mesmos. Quando mentimos, desrespeitamos a todos, inclusive a nós.
Quando mentimos passamos a ser solitários, uma solidão de um tipo muito especial e forte, pois nos afastamos de nosso próprio ser que é sempre puro.
Devemos sempre honrar a nossa própria palavra, tanto a que temos para os outros como a que temos para nós mesmos. É preciso ter coerência e consistência interior. Nada que se relacione ao orgulho e à teimosia, mas à integridade.
Não se deve dizer a verdade com veemência ou violência. A verdade deve sempre ser dita com suavidade.
 Que a sua palavra seja sempre comedida, humilde sem humilhação. Não se esforce para aparentar ser brilhante. Seja você mesmo, seja espontâneo e brilhe com sua própria luz, com a verdade nas suas palavras.”
APARIGRAHA
É um preceito do Yoga e significa “não cobice”.
A cobiça é fonte de ansiedade. Por sua vez se origina da insatisfação. Nasce da frustração e gera frustração.
Dela pode advir muitas atitudes mentais, destruidoras da saúde. Quem cobiça jamais experimenta satisfação, desde que está sempre em luta por mais e melhor.
Se você amarrar sobre as costas de um jabuti um pedaço de pau tendo na ponta um pedaço de alface, teoricamente pelo menos, vai faze-lo andar até fisicamente exaurir-se. Atraído pelo cheiro apetitoso, andará, sempre a perseguir aquele inatingível. É o símbolo da cobiça.
A cobiça dá origem à inveja, que é outra fonte geradora de desequilíbrios e crimes.
A cobiça, quer pelos cifrões, quer pelo mando, quer pela notoriedade, tem feito imperar na terra a corrupção. Na luta pelo poder, seja econômico, seja político, o homem se destrói, perseguindo o que, no fim das contas, é tremenda decepção.
O yoguim é candidato à saúde e à paz de espírito, e por isso, está sempre alerta para não se deixar corromper e, para isto, o preventivo é aparigraha, a não cobiça.
A cobiça mesmo que seja pelo céu, nos perturba.
 É fato comprovado por poucos homens felizes que somente depois de aliviados da cobiça, vieram-lhes as mãos coisas que até então haviam em vão perseguido.
As gemas parece que fogem da bateia do garimpeiro endoidecido pela cobiça.
Aparigraha, a não cobiça, tranquiliza a alma. E quando há tranquilidade, até os pântanos ganham o privilégio de refletir as nuvens.
(Prof. Hermógenes)
 NYAMAS
Saucham = pureza
Santosha = contentamento
Tapas = auto-domínio e desapego
Svadhyaya = auto-análise e observação
Iswara- Pranidhana = união absoluta com a suprema realidade
Saucham
Significa “pureza” no sentido, não só física, mas no falar, nas intenções, nos propósitos, de pensamentos e sentimentos, pureza mental. A pureza do corpo envolve a limpeza do meio circundante. A pureza do corpo envolvem uma laimentação saudável, a limpeza das nadis através dos pranayamas e dos shat karmas. (Acharya Kalyama)
“Abraçar todos os níveis éticos e morais do Ser, externa e internamente, em corpo, mente e espírito.
Pureza, purificar, limpar. Existem várias formas, como os banhos, pranayamas, ásanas, alimentação, atos e palavras que nascem do pensamento. “ (Suely Firmino)

Santosha
Significa “contentamento” no sentido de sentir contentamento com aquilo que se tem. É a rpocura voluntária da simplicidade, sem exibir pobreza deliberadamente. É um exercício de desapego, na certeza de que somo proprietários temporários do que temos. (Acharya Kalyama)
Samtocha – contentamento.
No meu conceito, o método mais expressivo de fé, pois quem está contente confia em algo, logo, a fé é um exercício de confiança no Divino.
Por outro lado, é extremamente terapêutico e energético.
Mantendo uma postura de contentamento, você conserva sua aura irradiada de amor, expandindo sua energia a outros corpos, criando uma proteção contra energias mais densas, afastando-se de doenças psicossomáticas e outras agressões.
Todos enfrentamos dificuldades, mas se cada vez que você se observar, com o olhar triste, a cabeça baixa, a testa franzida, parar e dar uma risada, imediatamente você quebrará o bloqueio tenso a sua volta. Ria, de você e para você! Ria de manhã no espelho, mesmo que sejam só 5 horas da manhã.” (Suely Firmino)
Tapas
Significa “auto-domínio e desapego” incluindo práticas de purificação e controle do corpo físico, objetivando incrementar a força de vontade e a tolerância. (Acharya Kalyama)
Svadhyaya
Significa auto análise, “estudo próprio”. O estudo dos textos védicos resultam no conhecer a si mesmo. (Acharya Kalyama)
Iswara Pranidhana
A união com a suprema realidade é fonte de beleza e de crescimento espiritual. (Acharya Kalyama)

Asanas
“O ásana pode ser visto não como a técnica relativa a cada posição, mas como qualidades e atributos nos quais devemos nos empenhar em cada postura e na própria vida. À medida que aperfeiçoamos o ásana, começamos a entender a verdadeira natureza da nossa corporificação, do nosso ser e da divindade que nos anima. E quando nos libertamos da incapacidades físicas, abrimos os portões da Alma (atma). Para compreender isso, é preciso mais do que proficiência técnica; cada ásana dever ser realizado não como um simples exercício físico, mas como meio de entender o corpo e então integra-lo com a respiração, a mente, a inteligência, a consciência e o centro. Dessa maneira, pode-se experimentar a verdadeira integração e alcançar a liberdade suprema.
…A ioga é tão antiga e tradicional quanto a civilização e persiste na sociedade moderna como um meio de alcançar a vitalidade essencial. Mas ela requer além de um corpo vigoroso, uma mente atenta e perceptiva. O iogue sabe que o corpo físico não é somente o templo da Alma, mas o meio pelo qual iniciamos a jornada interior em busca do nosso centro. Só podemos esperar realizar alguma coisa em nossa vida espiritual se primeiro prestarmos atenção ao corpo físico. Se uma pessoa almeja experimentar o divino, mas seu corpo é fraco demais para suportar o fardo, de que servem sua vontade e ambição?
…Se não transcendermos as limitações do corpo e removermos suas compulsões, ele se tornará um obstáculo. Portanto, devemos aprender a explorar além das fronteiras, ou seja, expandir e interpenetrar nossa consciência e ganhar domínio sobre nós mesmos. O ássana é ideal para isso.

…Patanjaly disse que os ássanas trazem perfeição ao corpo, beleza à forma, graça, resistência, solidez e a dureza e o brilho do diamante. Sua definição básica do ássana é “sthira sukha asanam”. Sthira significa firme, fixo, constante, resistente, duradouro, sereno, calmo e tranquilo. Sukha significa deleite, alívio e beatitude. Asanam é o plural de ássana em sânscrito. Um ássana deve ser praticado, portanto, sem agitação, perturbação e excitação em todos os níveis do corpo, da mente e da Alma. Ou, tal como traduzi antes: “Ássana é a firmeza perfeita do corpo, a constância da inteligência e a benevolência”.
Quando todos os invólucros do corpo e todas as partes de uma pessoa se coordenam durante a execução do ássana, as flutuações da mente cessam e ela se liberta das aflições. No ássana você deve alinhar e harmonizar o corpo físico e todas as camadas do sutil corpo emocional, mental e espiritual. Isso é integração. Mas como alinhar esses invólucros e experimentar essa integração? Como encontrar tão profunda transformação em algo que, visto de fora, parece simplesmente um corpo que se estica e contorce em posições incomuns? Tudo começa com a percepção.”
(textos do livro: Luz na Vida de B. K. S. Iyengar)

PRANAYAMA
Pranayama é o componente central da teoria e da prática da yoga. Dos oito ramos da yoga classificados por Patanjaly nos Yoga Sutras, este é um dos três que propiciam técnicas eficientes na prática. Por este motivo, pranayama, em associação com a ásana é um método acessível para começar a prática da yoga e, assim, dar o primeiro passo rumo à integração pessoal. Por isso, tem sido amplamente discutido tanto na literatura yogue antiga quanto na moderna.
O significado da palavra pranayama é um tanto confuso. Quase sempre, supõe-se erroneamente que a palavra se compõe de prana e yama (controle) com o sentido de “controle da respiração.” Entretanto, pranayama deve ser entendido como prana e ayama (alongar, esticar, estender). Prana é um conceito que significa “ força vital”. O prefixo pra significa “muito bem” e an significa “ir” ou “viajar”. Prana, então, é o que viaja bem por todas as partes do corpo, dentro de nós. É a energia total que constitui um ser humano, nele penetrando por ocasião do nascimento e deixando-o na hora da morte. Essa energia é responsável pela função da vida: o fluxo impróprio de prana é doença e a ausência de prana é morte.” ( A.G.Mohan)
“A palavra Pranayama significa “extensão e expansão da dimensão do Prana.” As técnicas de Pranayama disponibilizam o método atrave´s do qual a força vital pode ser ativada e regulada, indo além das fronteiras e limitações normais, alcançando um alto estado de energia vibratória.
A respiração é o processo mais vital do corpo. Ela influencia as atividades de cada célula, e, o mais importante, está intimamente relacionada com a performance do cérebro. Os seres humanos respiram aproximadamente 15 vezes por minuto e 21.600 vezes por dia. A respiração promove a queima do oxigênio e da glicose, produzindo a energia que move cada contração muscular, secreção glandular e o próprio processo mental. A respiração está intimamente relacionada com todos os aspectos da experiência humana.
Muitas pessoas respiram incorretamente, usando apenas uma pequena parte da capacidade pulmonar. A respiração é geralmente curta, privando o corpo do oxigênio e do prana essenciais para a boa saúde.”
(Textos do livro Asana Pranayama Mudra Bandha de Swami Satyananda Saraswati)
 “A ciência ocidental considera a respiração tão-somente como um fenômeno fisiológico, mercê do qual o organismo utiliza o oxigênio do ar a fim de, com ele, efetuar as transformações químicas necessárias para que o sangue possa distribuir “nutrição” a todas as células. Parar de respirar é o mesmo que morrer.
Para a ciência Yogui a respiração, no entanto, é muito mais do que um fato fisiológico. É também psicológico e prânico. Em virtude de fazer parte dos três planos – fisiológico, psíquico e prânico-, a respiração é um dos atos mais importantes de nossa vida. É por seu intermédio que podemos conseguir acesso a todos eles. Por outro lado, é ela o único processo fisiológico duplamente voluntário e involuntário. Se quisermos, podemos acelerar, retardar, parar e recomeçar o ritmo respiratório. É-nos possível fazê-la mais profunda ou superficial. No entanto, quase todo o tempo, dela nos esquecemos inteiramente, deixando-a por conta da vida vegetativa. Graças a isto, a respiração é também a porta através da qual poderemos um dia, à custa de aprendizado, invadir o “reino proibido” do sistema vagossimpático. É principalmente graças a Lea que o yoguin avançado consegue manobrar fenômenos fisiológicos até então refratários a qualquer gerencia.” (Autoperfeição com Hatha Yoga – Hermógenes)
“Todos queremos mais energia vital. Se fosse possível empacotá-la e vendê-la em lojas, esse seria o negocio mais lucrativo de todos. O simples fato de falar sobre a energia já é suficiente para incitar e energizar as pessoas. O que todos querem saber é onde podem obtê-la. Bem, não se encontra em pacotes nem em lojas – primeiro, porque está em toda parte, e, segundo, porque não se pode cobrar por ela.
 Muitos nomes são atribuídos a Deus, mesmo que ele seja um só. Isso também acontece com a energia. Falamos em energia nuclear, energia elétrica, energia muscular, energia mental, mas todas elas são energia vital – que em sânscrito se chama “energia prânica” ou simplesmente prana. Na China, o prana é denominado chi, e no Japão, ki.
No ocidente, a noção tradicional mais próxima de prana é o conceito cristão do Espírito Santo, um poder sagrado de natureza imanente e trasncendente. O prana é muitas vezes chamado de vento, sopro vital. No inicio da descrição bíblica da criação lê-se: “O alento de Deus se moveu sobre as águas”. Prana é o alento de Deus, a energia que permeia todo o universo. É a energia física, mental, intelectual, sexual, espiritual e cósmica.
Todas as energias vibrantes são prana. Todas as energias físicas – calor, luz, gravidade, magnetismo e eletricidade – também são prana. Ele é a energia potencial oculta em todos os seres, liberada em sua carga máxima quando a sobrevivência está ameaçada. É o principal motor de toda atividade. É a energia que cria, protege e destrói. On hindus costumam dizer que Deus é o criador, o preservador e o destruidor. A inalação é o poder criador, a retenção é o poder preservador e a exalação – se a energia é viciosa-, o destruidor. Assim é a ação do prana. Vigor, força, vitalidade, vida e espírito são formas de prana.
Prana é geralmente traduzido como “respiração”, embora essa seja apenas uma de suas manifestações. De acordo com os Upanishads , é o princípio da vida e da consciência. Equivale à Alma (Atma). É o alento vital de todos os seres do universo. Nascemos e vivemos graças a ele, e, quando morremos, nosso alento individual se dissolve no alento cósmico. É o aspecto mais essencial, real e presente em cada momento da vida e, no entanto, o mais misterioso. O propósito da ioga, e principalmente do pranaiama, é penetrar no coração desse mistério.
O prana, na forma de respiração, é o ponto de partida. O sufixo ayama quer dizer distensão, extensão, expansão, longitude, amplitude, regulação, prolongamento, contenção e controle. Em sua acepção mais simples, portanto, pranaiama significa prolongamento e restrição da respiração. Como o prana é energia e força vital, pranaiama significa extensão e expansão de toda a nossa energia vital. Cabe esclarecer que não se pode simplesmente aumentar o volume de algo tão volátil e explosivo como a energia pura sem tratar de contê-la, refreá-la e direcioná-la. Se você de repente triplicasse a força da corrente elétrica que circula por sua casa, nem por isso a chaleira ferveria três vezes mais rápido que o habitual e as luzes triplicariam de intensidade. Você sabe, na verdade, que isso queimaria imediatamente todos os circuitos e não restaria nada. Por que seria diferente com o corpo? É por essa razão que Patanjali claramente dizia que é preciso haver uma transição entre a prática do ásana e a do pranaiama. Por meio do ásana, os circuitos do corpo ganham força e estabilidade para resistir ao aumento da corrente provocado pela prática do pranaiama.
 Ao longo dos anos, fui muitas vezes procurado por pessoas que, por não respeitarem essa precaução elementar, estavam mergulhadas num estado de profunda melancolia. Sem saber da importância de construir uma fundação sólida, elas haviam se matriculado em vários cursos na esperança de pegar um atalho para a espiritualidade. No entanto, traídas pela fraqueza do corpo e da mente, viram-se em dificuldades. Patanjali já advertia que a falta de uma base firme resulta em tristeza, desespero, instabilidade física e respiração trêmula. A depressão mental e os tremores que a acompanham são um problema sério. São extremos, e Patanjali diz claramente, no seu terceiro sutra sobre o ásana, que a prática das posturas nos protege dos perigos e vicissitudes dos extremos (era assim que ele chamava as dualidades). Isso significa que precisamos construir, no corpo e na mente, uma força moral que nos permite ter um controle sensato sobre nós mesmos. Empanturrar-se num dia e jejuar no outro não é sensato. Se uma palavra áspera no trabalho faz que mergulhemos no desânimo, na raiva ou no ressentimento isso não é sensato. Se ainda recocheteamos entre os extremos comportamentais, emocionais e mentais, não estamos prontos para o pranaiama. Se temos uma razoável firmeza no corpo e nos nervos e estabilidade emocional e mental, então, sim, estamos prontos.” ( Luz na Vida –B.K.S. Iyengar)
 Fontehttp://sintoniacomaluz.blogspot.com.br

quarta-feira, 16 de maio de 2012

UMA DESCARGA DE CRIATIVIDADE

Na próxima vida, está decidido: vou gostar de berinjela, saberei fazer mais que ovo frito e pipoca de microondas e serei arquiteta de banheiros. Sou meio aficionada pelo assunto banheiro, confesso. E me sinto entendida, apta a opinar, criticar, desenvolver uma extensa conversa sobre o tema. Então vamos lá!

A verdade é que muitos banheiros têm me irritado ultimamente. Tudo bem um banheiro querer ser mais que um banheiro, querer ser um banheiro memorável, um banheiro tchanã. Mas, por mais moderninho, fofinho e descoladinho que seja… banheiro é banheiro! Pode até ser lindo, mas tem que ser prático (palavra fundamental quando o assunto é banheiro) e ter a luz boa pra gente se achar deusa na frente do espelho. Só isso.

Mas os arquitetos parecem não concordar comigo. Por exemplo, quem inventou som ambiente para banheiros? Desconcentra, povo! É passarinho piando, é cítara superzen, é barulho de mato, é lounge modernoso… Para! E banheiro que fala? Pensa que não existe? Em São Paulo, uns meses atrás, fui a um que me deu boas-vindas. Levei um susto, parei os trabalhos na hora e saí correndo. Eu lá sou mulher de bater papo com banheiro? Era só o que faltava!

Outro banheiro que me irrita é o que tem cheirinho. Ô, gente, não inventa de botar cheirinho de florestinha falsa nos banheiros! É enjoativo, é desnecessário, é… é ruim! Também não suporto banheiros rudes, que me deixam no breu. De repente, do nada, a luz se apaga. É como se ele dissesse: “ok, seu tempo acabou. Próximooo!”. Resumindo: é um banheiro agressivo, um banheiro mal-educado, um banheiro sem coração. Cadê a delicadeza, povo? É o usuário do banheiro que decide a hora de sair. Mais que isso: é o xixi do usuário do banheiro. Sem contar que me sinto ridícula balançando os braços na escuridão, como se estivesse fazendo uma “hola”, para que a luz volte. Tudo bem, temos que economizar energia, mas não estamos participando de um campeonato mundial pra consagrar o dono do xixi mais rápido.

Ah, tem uma coisa que eu acho linda: não precisar tocar em descargas e torneiras. Pedal é tudo na vida de um ser humano. É limpinho. É higiênico. É chique. É luxo. Mas os avisos de que o banheiro em questão tem pedal deveriam ser colocados, em letras GARRAFAIS, em um lugar onde as pessoas consigam ler assim que entram. Caso contrário a gente fica feito idiota procurando a torneira da pia e a descarga. E se sente idiota quando lê o tal aviso. E mais idiota por não ter lido antes. E sai do banheiro irritado. E com cara de idiota, o que é pior.

Outra coisa: nada me faz sentir mais estúpida do que ficar parada em frente a duas portas, tentando decifrar qual símbolo-maluco-de-artista-badalado determina qual banheiro é o feminino. Na boa, um H de Homem e um M de Mulher não fazem feio. Juro!

Enfim, banheiro é banheiro. Nota 10 para os bem iluminados, com proteção de plástico que gira no vaso (ou aquele papel para forrar, tanto faz), papel higiênico macio (ralador de bunda neeem pensar!) e bem posicionado, ao lado ou na frente do vaso, nada que exija contorcionismo e… voilà! Eis um banheiro bacanudo. Menos é mais. Como diriam meus leitores adolescentes, menos é mais messssmo.

THALITA REBOUÇAS

 

 Fonte:http://cultcarioca.blogspot.com.br

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A VOZ DO SILÊNCIO

"Pior do que uma voz que cala, é um silêncio que fala."

Então, parei para interpretar a frase acima e ... imediatamente me veio à cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis pois, você sabe, o silêncio não é dado a amenidades. Um telefone mudo. Um E-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas.


Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim. É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento.


Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado. Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: " Diz alguma coisa, mas não fica aí parado me olhando! " É o silêncio de um, mandando más notícias para o desespero do outro. É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem vindo.


Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças de um show de rock, o silêncio é um sonho. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz. O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate à nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem...


-
Martha Medeiros- 

Fonte: wagnerdeluca.blogspot.com.br

domingo, 13 de maio de 2012

PAI BENEDITO MEU BONDOSO PRETO VELHO

Pai Benedito

Meu bondoso Preto-Velho!

Aqui estou de joelhos, agradecido contrito, aguardando sua benção.

Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas ESPERANÇA.

Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente:

" Sei que fere o coração a maldade e a traição, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão. Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei, também fui injustiçado.

Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive. Uma revolta crescente me envolvia intensamente, por que algo me dizia, que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão, minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.

Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÀ não mandava uma grande tempestade? Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara. E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava? Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia? Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança.

Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado.

Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia, onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra? Porém, nada acontecia, e a toda parte que olha, somente um coisa via... terra.

Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados.

Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita que para nós era estafa, para o senhor era ouro.

Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que no nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim.

Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão. Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente.

E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção, como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada. Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então. Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão.

Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando, por minha causa, o seu bote tão fatal; tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal.

Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que a deviam matar... olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar. Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar.

Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote... senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança.

Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou e Benedito acabou...

Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão...

Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão". 


Ronaldo Antônio Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC


 Fonte:http://espadadeogum.blogspot.com.br

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O PERIGO É SEMPRE BELO

Se você escolhe o velho, opta pela amargura; se escolhe o novo, opta pela bem-aventurança.

Que esta seja a chave: escolha sempre o novo, o desconhecido, o perigoso, o inseguro, porque é só por meio dos riscos que uma pessoa pode crescer. E crescimento é bem-aventurança, maturidade é bem-aventurança.

Nunca, nem por um momento, se apegue ao velho. Tudo que for velho você deve abandonar. No momento em que algo fica velho, desligue-se dele, coloque nele um ponto final.

Nunca olhe para trás, não há nada que valha a pena ver. Não se pode olhar para trás, é preciso olhar para frente, sempre para frente. E seja aventuroso.

É como escalar o topo inexplorado de uma montanha - é perigoso, com certeza, porque ninguém jamais foi lá. Você terá de criar seu caminho até o topo.

É claro que há perigos, mas o perigo é sempre belo, porque é por meio dele que você se torna alerta, ciente, consciente.

Risco, perigo e insegurança deixam você perceptivo. E percepção é a coisa de maior valor, porque por meio da percepção entram o amor, a alegria, o divino, a verdade, a libertação.

Osho
 Fonte:http://confrariadosdespertos.blogspot.com.br

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A ARTE DE BEBER

Sim, álcool faz mal, e existe arte no ato de beber. Cada bebida tem o copo apropriado, a temperatura ideal, o ritual a ser cumprido, assinatura do fabricante e história.
Algumas regras devem ser seguidas, para que uma noite de celebração não estrague os sóbrios dias seguintes. Apesar de tentador, evite falar verdades que estão há tempos entaladas no gogó. Risque do mapa as palavras exorcizar, desabafar. Não é preciso, naquele momento em que o pileque começa a agir, ser verdadeiro e sincero. Beba, fique alto, continue sorrindo, fale o mínimo possível e concorde com tudo. Especialmente se o patrão estiver por perto.
Aos carentes: na segunda dose, dê o celular para um amigo guardar, para não mandar mensagens com resoluções definitivas, provas de amor absoluto, arrependimentos tardios. Nem tente telefonar de madrugada para uma paixão desfeita que, a essa altura, assinou em cartório uma declaração de convívio marital com outra pessoa, faz planos de viagens longas para países exóticos e pesquisa em qual escola próxima matricularão a prole que será responsável pela mudança da categoria do veículo familiar de sedam para minivan.
É na adolescência que o primeiro porre é experimentado. No estágio em que abandonamos o luditismo infantil, em que nos apontam as responsabilidades e decisões que virão, descobrimos que o álcool pode nos deixar soltos, inconsequentes, divertidos, sem o domínio do corpo e da mente. Quando não somos mais crianças, talvez bebamos para voltar a ter a irreverência e espontaneidade de uma.
Há milênios que se descobriu que a fermentação de frutas e cereais dá barato. Cerveja e vinho foram inventados antes das tampinhas, rolhas, rótulos e enólogos chatos, que demoram mais tempo cheirando e olhando a bebida contra a luz do que sorvendo. Muito tempo depois, os árabes inventaram os destilados. Nasceu o porre homérico. Que não se sabe se foi relatado na Ilíada ou Odisseia.
Fazemos bebida de tudo: milho, trigo, cevada, cana, uva, alcachofra, batata, arroz, anis, maçã, combustível de carro, lancha e avião.
O vinho talvez seja a bebida mais cultuada. Bíblica, não se deve tomar um porre dela. Melhor apreciar, degustar. Ou você deseja acordar com a língua colada no céu da boca e uma sede que o Delta do Nilo não mataria? Suas variações, champanhe, vinho branco, prosecco, apesar de populares em casamentos, deveriam vir acompanhadas por dipirona sódica em gotas. Dores de cabeça são comuns aos que as ingerem em excesso.
O remédio que se deve tomar um antes e outro depois ajuda a diminuir os efeitos físicos de uma ressaca. Porém, a ressaca moral e a sensação de que até uma ária de um quarteto de cordas de Bach faria a sua cabeça explodir continuam. Já vi Engov como brinde em banheiro de casamento. Poderiam incluir o hidróxido de alumínio, ácido acetilsalicílico e maleato de mepiramina, princípios ativos do remédio, nos bem-casados que costumamos afanar.
Mas o profissional tem uma técnica infalível para beber, continuar bebendo e não dar trabalho: alterna uma taça com um copo de água. Bebe com a disciplina de um jogador de xadrez. Pensa nos próximos lances com bastante antecedência. E ouve muito mais do que fala.
É no Retorno de Saturno, fenômeno astrológico que serve de desculpa para as irresponsabilidades juvenis, que ocorre a cada 28 anos, que se descobre que não bastam, como antes, apenas algumas horas de sono para curar uma ressaca.
Sim, envelhecer é aprimorar o desejo de que a vida imite a arte e, como num filme da Lars Von Trier, um planeta se choque com a Terra, depois de se acordar duma noite daquelas. No segundo Retorno de Saturno, quando a vítima completa 56 anos, só se toma um porre se está em dia com o plano de saúde e próximo a hospitais conveniados.
Cada pessoa tem seu nível de tolerância. Alguns enxugam uma garrafa de uísque e mantêm a irritante lucidez de um comentarista econômico em tempo de crise cambial. Outros tomam dois chopes e se comportam como líderes de uma facção criminosa associada a uma torcida organizada que chefia a bateria de uma escola de samba.
Há mais coisas em comum num pileque do que rege os alertas do Ministério da Saúde. Porre de uísque deixa o bebum inteligente. Acompanhado de muita água, acorda bem se o armazenamento do mesmo durou 12 anos ou mais. A não ser, claro, que tenha sido destilado, engarrafado e envelhecido em toneis paraguaios, produzido pelas águas das nascentes do Chaco.
Não existe melhor porre que o de tequila. É a bebida da alegria. Nos sentimos vibrantes, felizes, como solistas de um grupo mariachi. Sua ressaca, porém, nos remete ao sofrimento dos inimigos dos Maias, cujas cabeças rolavam por suas pirâmides.
O melhor porre não necessariamente implica maior ressaca. Mojito tem a fórmula mágica de juntar as delícias do rum com o frescor tropical da hortelã. Como nossa caipirinha, consegue refrescar e abastecer de vitaminas. O problema é a vontade de dançar salsa sozinho no banheiro.
Caipirinha, símbolo pátrio, é a prova de que nossa miscigenação é ampla: pode ser de saquê do Oriente, vodca eslava ou cachaça nacional; pode ser açucarada, adoçada, light ou diet; qualquer fruta, doce ou amarga, se casa com o sabor do destilado de alto teor alcoólico; e, enfim, vem em cores exuberantes como as do kiwi ou frutas vermelhas, que deixariam um impressionista impressionadíssimo.
Dry Martini é a bebida mais conflituosa, pois não existe uma receita universal. O que mais se escuta em balcões: barman exaltando sua fórmula secreta. A discussão sobre a receita original do Dry Martini é mais polêmica do que a tese de que Lee Harvey Oswald agiu sozinho. Pode vir com a entrada; uma azeitona, ou cebolinha. Seu copo é exclusivo da bebida. É gelado, mas esquenta. Tem um efeito psicotrópico prolongado. Alterna o estado da consciência, sem dar muito trabalho aos amigos.
Em A Cultural History of Alcohol, Iain Gately escreveu que os pileques dos nossos antepassados fariam os de hoje parecerem festinhas em conventos. Desde que se descobriu que o álcool tem ação inibidora sobre neurônios dopaminérgicos do sistema límbico, o porre tem assento cativo na história do mundo ocidental e oriental.
Aliás, foi em 8000 a.C. na China que o primeiro "mé" foi encontrado, um drinque de arroz, mel, uvas e cerejas fermentadas. Os sumérios inventaram a "breja", que a elite bebia com canudinhos de ouro. É sabido que cada peão que erguia as pirâmides do Egito ganhava em média 5 litros de cerveja por dia.
Em qualquer achado arqueológico existem mais garrafas de bebida do que moedas. Tutancâmon, faraó da 18.ª dinastia, foi sepultado com uma bela máscara de ouro e 26 jarras de vinho. Os gregos tinham 60 variedades da bebida. Os romanos passaram a produzir e distribuir em larga escala. Soldados romanos ofereciam vinho "de presente" aos inimigos, para dominá-los na ressaca. Qualquer leitor de Asterix conhece o truque.
Sem fazer proselitismo, sabe-se que o alcoolismo é um grave problema de saúde pública. Mas lembre-se que a bebida já foi considerada remédio, e que a revolução americana foi liderada por um fabricante de uísque, George Washington. Sem contar que a Declaração da Independência foi escrita num boteco da Pensilvânia.
Se você conseguiu chegar até o final deste texto, beba com moderação. E é bom lembrar, se for beber não dirija.

MARCELO RUBENS PAIVA

Fonte:http://cultcarioca.blogspot.com.br