Na escalada da evolução humana, já passamos por
todos os reinos. E os animais, assim como nós, seguem seu processo de
evolução. São vidas que devem ser respeitadas, protegidas e amadas.
Todos os animais merecem o nosso respeito, assim como as plantas e
os minerais. Tudo o que é vivo pertence à natureza e é digno de
consideração, e nós temos que nos acostumar a ver as criaturas do mundo
como seres iguais a nós, em busca de evolução.
A doutrina espírita aceita que passamos por uma escala de evolução
que se inicia lá no mundo mineral, passa pelo vegetal e o animal, até
alcançar o hominal. Ora, se já passamos pelo estágio de pedra, por que
temos que tratar os minerais apenas como fonte de riquezas, destruindo e
esgotando, descontroladamente, as jazidas naturais?
Se já vivemos como plantas, por que arrancá-las sem qualquer
necessidade, simplesmente pelo prazer de destruir ou nos divertir? Elas
servem ao nosso alimento, nos dão sombra e beleza, então, tenhamos mais
respeito e procuremos tratá-las com carinho, sem arrancar o que não é
necessário.
E se um dia já fomos cães ou gatos, por que é que os maltratamos
tanto? Por que não conseguimos ver nos animais nossos irmãos em
crescimento, tão dignos de amor e respeito quanto cada um de nós? Deus
não estabelece privilégios entre suas criaturas, então, o que nos dá o
direito de sermos tão arrogantes e acharmos que somos os melhores, os
mais perfeitos e os preferidos dentre toda a obra do Criador? Deus ama a
todos com igualdade: humanos e animais, vegetais ou minerais, estamos
todos no mesmo patamar do amor de Deus. Somos nós que estabelecemos
distinções em hierarquias e valores, não Ele.
É por isso que temos que estar atentos, sobretudo aos animais. Eles
não são simplesmente coisas. Podem sê-lo para o Direito, que não tem
compromisso com as verdades divinas. Os animais não têm senso moral, mas
nós temos. Por isso, quando um animal machuca alguém, ele não sabe o
que está fazendo. Temos o direito de nos defender e nos proteger,
fazendo uso dos meios necessários. Não nos cabe, todavia, o direito de
atacá-los sem motivo. Se temos senso moral, sabemos discernir entre o
que é certo e errado. Logo, estamos em condições de compreender que o
mal que deliberadamente fazemos a um animal não está de acordo com a
noção, inerente a todo ser humano, do que devemos ou não fazer.
Temos uma inteligência mais elaborada, cabe a nós a direção do mundo,
vivemos em posição de superioridade no que concerne a outros seres do
planeta. Por isso, a responsabilidade é nossa. Somos nós, seres humanos,
os maiores responsáveis pela evolução dos animais, sobretudo aqueles
postos sob a nossa guarda. Se os tratamos bem, contribuímos para que
cheguem mais rápido à individualização e, consequentemente, ao estágio
de humanos. Se, ao contrário, os maltratamos, atrasamos sua ascensão
rumo ao reino hominal.
Hoje em dia, lamentavelmente, há muitas pessoas que ainda não
aprenderam a necessidade de respeito aos animais. Tudo bem, é preciso
compreendê-las também, mas nada melhor do que o exemplo. Aqueles que
mais sabem são chamados a contribuir com o esclarecimento do mundo
através de suas atitudes. Assim, se nós que sabemos que não devemos
maltratar os animais começarmos a tratá-los com carinho, outros também o
farão, seguindo o nosso exemplo.
Já não é mais tempo de crueldade; é tempo de mansuetude e docilidade.
Não precisamos compactuar com atitudes agressivas, como a exposição
desnecessária de animais sofrendo torturas, passando fome, definhando
ante olhares impassíveis. Não temos que deixá-los presos, amarrados,
esquecidos. Muito menos abandonados. Abandonar um animal é uma atitude
deveras cruel, um atentado contra a própria natureza. O animal fica
assustado, desesperado mesmo, traído por aquele que, no mundo, era quem
mais deveria lhe transmitir confiança.
Tudo isso gera desequilíbrio na natureza que, no futuro, deverá ser
restaurado. Nenhum gesto humano passa despercebido pelas leis que
governam o universo, do qual todos nós somos uma parte muito ínfima.
Assim, maltratar um animal atrai consequências dolorosas para aquele que
o maltratou. Ao contrário, tratá-lo bem ilumina a nossa alma, nos enche
de alegria e nos torna seres muito mais abençoados.
Monica de Castro