sábado, 25 de maio de 2013

EU SÓ QUERO SABER

Não me interessa saber o que fazes para ganhar a vida. Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia. 
Não me interessa saber a tua idade. Quero saber se arriscarás parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. 
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor! 
Quero saber se podes suportar a dor, minha ou tua; sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. 
Quero saber se podes aceitar alegria, minha ou tua, se podes dançar com abandono e deixar que o êxtase te domine até às pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizeres para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. 
Não me interessa se a história que contas é verdade. Quero saber se consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.
Quero saber se podes ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se podes buscar a origem da tua vida na presença de Deus, quero saber se podes viver com o fracasso, teu e meu e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: Posso! 
Não me interessa onde moras ou quanto dinheiro tens. Quero saber se podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos. 
Não me interessa saber quem és e como vieste parar aqui. Quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio e não te acovardarás. 
Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona. 
Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios.

Jean Houston
Fonte:http://infinitoparticulardalva.blogspot.com.br

domingo, 19 de maio de 2013

SOMOS TODOS FOFOQUEIROS

A fofoca é uma instituição universal da qual ninguém escapa. Até hoje ainda não conheci uma única pessoa que não fosse fofoqueira. Em qualquer grupinho social a fofoca rola solta. Até nas Sociedades Psicanalíticas é um tal de conversa no pé do ouvido que não acaba mais. Nos partidos políticos reina o disse-me-disse. As especulações de todo tipo ocupam grande parte das atividades: fulano rompeu com fulano, beltrano bandeou-se, cuidado com seu falso apoio...


E a Imprensa? Não fosse a fofoca, de que viveriam as colunas políticas e sociais? Acontece que a Imprensa resolveu tornar elegante essa coisa e mudou o nome de fofoca para "boato". Assim, o fofoqueiro profissional se exime de culpa, pois o "boato" é a fofoca passada adiante. O fofoqueiro fica apenas sendo aquele que deu a partida (as famosas fontes oficiosas).
Contra a fofoca não se pode fazer nada. É que a vida de todo mundo é dura, difícil, cheia de frustrações, de sonhos desfeitos, de ilusões derrubadas por amargas realidades. E quando uma pessoa está sofrendo, é terrível constatar que tem outra se dando bem, pois isso agrava o sofrimento. Portanto, para quem está sofrendo, é melhor achar que todo mundo também está na pior. Mal de muitos, consolo é, já dizia minha vó.

Por que a gente gosta tanto de ler jornal? É que quando nos mostra toda essa violência que está por aí, frente à tamanha truculência, o leitor, que leva uma vida duríssima, respira até aliviado: "Puxa, podia ser pior. Pelo menos eu estou vivo e não matei ninguém".

Portanto, a tentação da fofoca é humana, normal e compreensível. O problema é que essa tentação pode tomar proporções assustadoras, impedindo que a pessoa tenha um olhar generoso, uma emoção forte, uma compreensão oceânica, um desprendimento amazônico.

O ser humano só se renova quando troca sua seiva com alguém. É de nossa própria natureza a necessidade do compartilhamento. Sem isso, caímos numa imensa solidão ou nossa alma começa a ficar numa carência medonha, faminta de energias alheias. Nada é mais importante que o diálogo cotidiano, o bate-papo de cada dia. O ser humano precisa disso como o ar para respirar.

E, às vezes, pensando que está falando a gente pede pra passar a sopa, picha, malha, faz fofoca e não fala nada. Ou seja, pra falar sobre as nossas profundas emoções, ânsias e sentimentos, a gente se vê de rédea curta.

Vocês já repararam? Quantas vezes duas pessoas se encontram e se dispõem a falar sobre a verdade de seus sentimentos e descambam para críticas, conselhos que não têm nada a ver, ou simples fofoca?
Eduardo Mascarenhas 


Fonte: http://cultcarioca.blogspot.com.br

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O BANHO COMO UM PASSE:

O contato da água no corpo provoca um estímulo magnético, que percorre todo o organismo, deixando-o calmo, e preparando-o para o sono reparador ou as lutas de cada dia. O banho diário, quando encontra na mente apoio, torna-se um passe. Além das virtudes curativas da água, enxertar-se-ão fluidos magnéticos, de acordo com a irradiação da alma. A disciplina dos pensamentos é uma fonte de bem-estar, na hora da higiene do corpo.

No instante do banho é preciso que se entenda a necessidade da alegria, que nosso pensamento sustente o amor, até um sentimento de gratidão à água que nos serve de higiene.
Visualize, além da água que cai em profusão, como fluidos espirituais banhando todo o seu ser. O impulso dessa energia destampa em nosso íntimo a lembrança da fé, da esperança, da solidariedade, do contentamento e do trabalho.

Por este motivo, banho e passe, conjugados, são uma magia divina ao alcance de nossas mãos.
A água no banho é o fluido que vivifica o corpo. Poder-se-á vincular o banho ao passe, e ele poderá ser uma transfusão de energias eletromagnéticas. Uma mente ordenada na disciplina, em segundos, selecionará, em seu derredor, grande quantidade de magnetismo espiritual, e os adicionará, pela vontade, na água que lhe serve de veículo de limpeza física,passando a ser útil na higiene psíquica.

Observem que, ao tomar banho, sentimo-nos comovidos, a ponto de nos tornarmos cantores!
E a alegria advinda da esperança, nos chega da água, que é portadora dos fluidos espirituais, que lhes são ajustados por bênção do amor. O lar é o nosso ninho acolhedor, e nele existem espíritos de grande elevação, cuja dedicação e carinho com a família nos mostrará como Deus é bom. Essa assistência atinge, igualmente, as coisas materiais, desde a arborização, até o preparo das águas que nos servem.

Quantas doenças surgem e desaparecem sem que a própria família se conscientize disso?
É a misericórdia do Senhor pelos emissários de Jesus, operando na dimensão oculta para os homens, e encarregados de assistir ao lar. Eles colocam fluidos apropriados nas águas para o banho, e nas que bebemos. E, quando eles encontram disposições mentais favoráveis, alegram-se pela grande eficiência do trabalho.

Na hora das refeições, é sagrado e conveniente que as conversas sejam agradáveis e positivas.
No momento do banho, é preciso que ajudemos, com pensamentos nobres e orações, para que tenhamos mãos mais eficientes operando em nosso favor. Se quisermos quantidade maior de oxigênio nitrogenado, basta pensarmos firmemente que estamos recebendo esses elementos, e a natureza nos dará isto, com abundância. É o "pedi e obtereis" de Deus.

A alegria tem também bases físicas. Um corpo sadio nos proporcionará facilidades para expressar o amor.
Quando tomar o seu café pela manhã, tome convicto de que está absorvendo, juntamente com os ingredientes materiais, a porção de fluidos curativos, de modo a desembaraçar todo o miasma pesado que impede o fluxo da força vital em seu corpo. E sairá da mesa disposto para o trabalho, como também para a vida. Despeça-se de sua família com carinho e atenção, e deixe que vejam o brilho otimista nos seus olhos, de maneira a alegrar a todos que o amam; assim, eles lhe transmitirão as emoções que você mesmo despertou neles e isso lhe fará muito bem.

O banho mais importante é aquele feito antes de dormir para tirar as contaminações materiais, mentais e espirituais do dia.
Basta uma ducha rápida e relaxante. Daí garantirá uma noite repousante de sono e, ao acordar, todo o perfume de limpeza estará conosco.

Lembre-se de que um copo de água que tome, onde quer que seja, pode ser tomado e sentido como um banho e passes internos.
Não se esqueça de bebê-lo com alegria e amor, lembrando com gratidão de Quem lhe deu essa água tão necessária pois, se ela vem rica de coisas espirituais, aumentará sua conexão com o divino poder interno. É muito bom estar consciente de cada coisa que nos acontece e estar agradecido, se sentindo abençoado e cheio de amor.

A consciência, a gratidão e o amor são três caminhos paralelos, que a felicidade percorre com alegria. 


Fonte:http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PACIÊNCIA

Ah! Se vendessem paciência nas farmácias e supermercados... Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia.
Por muito pouco a madame que parece uma "lady" solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais"... E o bem comportado executivo?
O "cavalheiro" se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda a tumultuar...

Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça". Aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice.

O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.
Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela internet estava demorando a dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça, inconformado...

Vi uma moça abrindo um e-mail com um texto maravilhoso e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais.
Pobres de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus.

A paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.

Pergunte para alguém, que você saiba que é "ansioso demais" onde ele quer chegar?
Qual é a finalidade de sua vida?
Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta.
E você? Onde você quer chegar?
Está correndo tanto para quê?
Por quem?
Seu coração vai agüentar?
Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar?
A empresa que você trabalha vai acabar?
As pessoas que você ama vão parar?
Será que você conseguiu ler até aqui?
Respire... Acalme-se...

O mundo está apenas na sua primeira volta e, com certeza, no final do dia
vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência... 
Arnaldo Jabor 
Fonte: http://cultcarioca.blogspot.com.br

domingo, 12 de maio de 2013

LEI AUREA

Minha sogra, Irina Popov, é ucraniana. Os Popov se deixaram capturar pelos nazistas porque consideraram Hitler uma opção melhor do que Stalin. Bons tempos. Depois de amargar dez anos entre campos de trabalho e de refugiados, uma parte do grupo veio parar na Guanabara, a outra permaneceu na antiga União Soviética.

Evguéniy é um Popov de Kriviy Rig, na Ucrânia. Engenheiro aposentado, tem uma namorada, Lena, com quem divide uma datcha, um pedaço de terra, no quintal da casa dela. Lá, Génia planta as batatas que ambos comem no inverno. Em 1986, quando em visita aos parentes daqui, passeou pelos corredores dos supermercados exclamando ohs! e ahs! de fascinação.

Não entendia o porquê das diferentes marcas. Leite, para Génia, era leite. Carne era carne. Que mistério separava um Glória de um Nestlé, uma Becel de uma Doriana?

A sobrinha, Iratchka, enfrentou o tórrido verão do último dezembro carioca. Ginecologista em uma clínica de ultrassom em Lviv, no lado ocidental da Ucrânia, assistiu à queima de fogos em Copacabana e visitou Paraty.

Na despedida, refletindo sobre o que levaria dos trópicos, comentou saudosa: “Jamais pensei que um dia eu fosse experimentar o conforto de viver cercada de escravos!”.

Foi embora, deixando para trás a vergonha e a consciência da desigualdade social. A Revolução de 1917 socializou a pobreza, mas acabou com a servidão.

As relações entre patrões e empregados no Brasil seguem herdeiras de Casa Grande & Senzala, com senhor e servo dividindo o mesmo espaço comum. Nesse melê, as leis trabalhistas tendem a se tornar irrelevantes, as cargas horárias difíceis de ser mensuradas, bem como o direito de ir e vir. O que custa fazer um suco? Pegar uma roupa no chão? Como as mães faziam, antes das feministas e da competição do mercado.

A chegada dos filhos e o aumento da carga de trabalho transformaram a minha economia pessoal em uma microempresa privada. Hoje, sustento uma máquina que me permite representar e escrever sem que a retaguarda desmorone. Por entender que o pessoal de casa faz parte do meu processo produtivo, tentei aplicar nos contratos domésticos as regras salariais do setor empresarial. Sempre paguei FGTS, seguro-saúde, vale-transporte e hora extra.

Mas a pressão da vida adulta já me fez cometer abusos. Pode-se alegar que o Brasil só será um país desenvolvido no dia em que cada um lavar a sua louça, dobrar os lençóis e contar com uma ajuda bissexta na faxina.

Quando o transporte, a educação e a segurança pública, as creches e as lavanderias de esquina se tornarem uma realidade corriqueira. Por enquanto, o serviço doméstico ainda emprega um naco relevante da mão de obra sem formação superior do país.

O esforço de regular e definir os direitos desses prestadores de serviço é mais que bem-vindo. Sou abolicionista, pelo menos gosto de me ver assim, mas necessito da ajuda de terceiros para tocar o barco.

Uma legislação que profissionalize o legado maldito da escravidão já alivia a culpa da despedida da prima ucraniana. Mas não resolve a injustiça. Basta rever o discurso de Marlon Brando no clássico Queimada.
Fernanda torres
Fonte: http://cultcarioca.blogspot.com.br

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O TEMPO DO TEMPO


Não atropele o tempo do tempo.
Se você já semeou, agora é esperar as sementes germinarem.
Se já teve o primeiro encontro, é aguardar as emoções aflorarem.
Se já saiu na chuva, se descobriu o calor e passou pelo frio,é tempo de observar da janela da vida o tempo passar,como ás águas do rio...
Não coma as palavras, respire.
Não fale o que vier na telha, pense.
Não se atrapalhe com mil pensamentos, medite.
Não se envolva com energias negativas, ore.
Não perturbe o seu coração, confie.
Não se orgulhe de nada, nem do bem e nem do mau.
Apenas dirija o seu barco, seja o capitão da sua nau.
Observe as pessoas correndo, vão apressadas para o nada.
Não entre nessa fila, tenha uma direção, não vá com a manada.
Saia mais cedo e contemple o dia.
A noite enluarada, cheia de estrelas, é a vida.
Vida que pede tempo para se apresentar e te mostrar.
Que você é o próprio tempo que se refaz a cada segundo em que se amar.
É tempo de deixar o tempo agir, ser, estar e prosseguir,com a certeza de que o tempo não age contra ninguém, é aliado amigo de quem sabe como seguir bem.

Paulo Roberto Gaefke
Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SIGA O SEU CAMINHO

Fazendo e acontecendo, vou seguindo meu caminho.

Ainda que não seja de todo compreendido, e devo confessar, que as vezes, nem eu mesmo me entendo.

As vezes quero companhia quando desejo apenas ficar sozinho.

E se digo nunca mais, é para fazer de novo a mesma coisa.

E se o assunto for amor, me desculpe, mas eu me rendo...

Viver não é fácil não!

Assumir nossas preferências, ideologias e desejos, é mais difícil ainda, mesmo que o meu gosto seja igual ao seu.

Sempre aparece alguém para criticar.

Por isso, não espere elogios a toda hora,  mas prepare-se para as críticas, pois mesmo certo, alguém achará que você está errado.

Por isso,não espere pela opinião dos outros.

Aconselhar-se com alguém significa ouvir uma experiência.

Depois, analisar para ver se serve para este tempo e principalmente, se serve para a sua vida.

É muito fácil falar de alguém.

Duro é ir lá viver a vida dela.

Por isso, siga seu caminho.
 
Lute para ser feliz.

Não tenha medo de ousar, e se pintar uma dúvida, consulte o seu coração, porque a razão já vive te amolando o dia todo.

Faça um balanço e com disposição para vencer, siga o seu caminho.

O pote de ouro do arco-íris fica sempre no final, nunca no começo dele.

Pense nisso e siga o seu caminho.

Paulo Roberto Gaefke
Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br

domingo, 5 de maio de 2013

A TEIA DAS PROBABILIDADES

Com a idade, meu relacionamento com os animais mudou muito. Quando menino, eu não dava mole para os passarinhos, cobras e lagartixas. De atiradeira em punho, o bolso cheio de pedras, saía eu a caçar os pobres coitados. E não para capturá-los, não; era para acabar mesmo com eles. Mas por que razão --me pergunto, hoje--, pelo simples prazer de matá-los?
Não que odiasse os animais em geral, nada disso. Não havia ódio algum em minha atitude. Era, talvez, o instinto do caçador que permanece em todos nós, sem levar em conta que, para os passarinhos e lagartixas, significa o fim da vida.
A verdade é que não pensava nisso, mesmo porque tinha um carneirinho, que meu pai dera, e eu o amava muito. Sair com ele a passear, levá-lo a pastar no capinzal, era a minha alegria.
Gostava também de cabras, cabritos, cachorros e papagaios. Sim, e de um macaquinho de cheiro que vivia amarrado no gradil próximo à cozinha da casa. Dava-lhe banana e ficava encantado com suas mãozinhas iguais às nossas, mas tão pequeninas.
Afora estes, não tinha a mínima simpatia ou piedade por outros bichos. Cheguei a pôr um pedaço de carne num anzol para fisgar um pobre urubu, e o fisguei. Foi um desespero, mas ele conseguiu se safar e sair voando com o anzol fincado no bico.
Ia me esquecendo dos gatos. Sempre gostei de gatos, mas meu amor por eles só nasceu mesmo quando meu filho Paulo me fez comprar um gatinho para ele, que ganhou o nome de Ho Chi Minh e se tornou o rei da casa. Um dia se apaixonou por uma gata de rua e sumiu para sempre. Foi substituído por outro e este por outros, até que surgiu o siamês que se chamou Gatinho e me inspirou um livro de poemas.
Morreu de velho aos 16 anos para minha tristeza, que só acabou quando Adriana me trouxe de presente uma gatinha siamesa, que ganhou o nome de Gatinha.
Pois bem, mas coisa inesperada foi a pequenina aranha com que me deparei ao abrir o dicionário de filosofia de José Ferrater Mora. Abri na página em que ela estava e foi aquela surpresa, minha e dela: correu com suas perninhas finas e foi colocar-se no alto da página, tão surpresa quanto eu.
Ela mais que eu, certamente, pois já conhecia aranhas e ela, nascida e criada dentro de um dicionário, jamais vira um ser humano. Fechei cuidadosamente o livro e deixei-a lá, para viver sua vida de aranha. Os anos se passaram e não é que, para minha surpresa de novo, surge uma aranhinha parecida com aquela, tecendo uma teia perto do espelho de meu banheiro?
Os anos se passaram e não é que, para minha surpresa de novo, surge uma aranhinha parecida com aquela, tecendo uma teia perto ao espelho do banheiro? Meu primeiro impulso foi acabar com ela, pois banheiro com teia de aranha pega mal.
Mas refleti: ela é tão inofensiva e, afinal, é um ser vivo. Por que então acabar com ela? Não, não vou fazer isso, aranha não faz mal a ninguém. Deixei-a lá e avisei à faxineira que não tocasse nela.
-- Mas o senhor vai deixar esse bicho pendurado no espelho de seu banheiro?
-- Vou.
A faxineira me olhou espantada, soltou um muxoxo e continuou a limpeza da pia. Aquela aranha ficou ali durante semanas e um belo dia sumiu. Faz meses isso, e não é que, semana passada, ao abrir o filtro de água na cozinha, vejo ali, entre ele e a parede, outra aranha, pequenina como aquela, tecendo sua teia?
No filtro já é demais, pensei comigo, mas deixei-a lá. E lá ela continua, no centro de sua teia. Parada, sem mover uma perninha, dias e dias, à espera de uma presa. Quanta paciência, pensei comigo. E se não aparecer presa alguma?
Foi então que me lembrei de minha teoria de que grande parte do que ocorre na vida é por acaso. E vi que, se há alguém nesta vida, a quem essa teoria melhor se aplica, é à aranha. Veja bem, ela passa dias tecendo a sua teia, estendendo-a estrategicamente.
É o único recurso de que dispõe para capturar a presa e devorá-la. Acredita que a presa, cedo ou tarde, cairá na armadilha, mas nada garante que isso ocorrerá. Só o acaso o determinará. E fiquei vendo-a, ali, imóvel, à espera de um mosquito incauto. Se ele cair na armadilha, ela o come e se alimenta; se não cair, ela morrerá de fome. Ninguém depende tanto do acaso quanto uma aranha. 

Ferreira Gullar

quinta-feira, 2 de maio de 2013

AS SETE EMOÇÕES NEGATIVAS CONFORME A MEDICINA CHINESA

A medicina oriental, principalmente a chinesa e indiana, tem milhares de anos. É uma medicina de caráter holístico, não está fundamentada nos sintomas e sim no equilíbrio do paciente como um todo.
Até a medicina ocidental já está mais atenta aos problemas físicos de ordem psicossomática. Futuramente creio que chegará à mesma conclusão que a medicina chinesa – antes do físico, a doença se manifesta no corpo energético do ser humano.
Fique sabendo a ligação entre sete emoções e órgãos do corpo conforme a ótica da medicina chinesa.
“Raiva
Está associada ao fígado. Por sua natureza, a raiva causa o aumento do qi, o que provoca rosto e olhos avermelhados, dores de cabeça e vertigens. Isso coincide com o padrão de aumento do chamado fogo do fígado. A raiva também pode fazer o qi do fígado “atacar o baço”, produzindo falta de apetite, indigestão e diarréia, geralmente isso ocorre com pessoas que discutem na mesa de refeições ou comem enquanto dirigem.
Numa visão mais a longo prazo, a raiva ou frustração reprimida normalmente causa a estagnação do qi e isso pode resultar em depressão ou desordens menstruais. É interessante notar que as pessoas que ingerem ervas para liberar o qi estagnado do fígado normalmente experimentam surtos de raiva quando a estagnação é liberada. A raiva passa quando o equilíbrio é restaurado. Da mesma forma, geralmente a raiva e a irritabilidade são os fatores determinantes no diagnóstico da estagnação do qi do fígado.
Muitas pessoas ficam aliviadas ao saber que sua raiva tem um fundo fisiológico. É essencial evitar ingerir café durante o tratamento de desordens do fígado relacionadas à raiva, pois o café aquece o fígado e intensifica muita a condição desfavorável.
Alegria
A emoção da alegria está ligada ao coração. Uma desordem relacionada à alegria pode parecer estranha, já que a maioria das pessoas deseja o máximo de alegria em suas vidas. As desordens dessa emoção não são causadas pela felicidade. O desequilíbrio surge quando entusiasmo ou estímulos excessivos ocorrem ou boas notícias súbitas chegam como um choque para o sistema.
Ao avaliar os níveis de estresse os psicólogos verificam todas as fontes de estresse: positivas e negativas. É claro que a morte de um cônjuge ou a perda de um emprego é uma fonte significante de estresse. Porém, um casamento ou promoção no emprego, ainda que seja uma ocasião feliz, também é uma fonte de estresse.
Uma pessoa que está constantemente saindo, freqüentando festas e vivendo uma vida de excessos, pode acabar desenvolvendo desequilíbrios do coração como palpitações, ansiedade e insônia. Uma pessoa com desequilíbrios no coração também pode demonstrar sintomas emocionais, já que o coração é o lar do espírito (shen). Uma pessoa com sérios distúrbios no shen do coração pode ser vista conversando alegremente consigo mesma e tendo surtos de gargalhadas.
Tal comportamento resulta da incapacidade do órgão do coração em proporcionar um local de descanso estável para o espírito. Esse tipo de desequilíbrio é tratado com acupuntura ao longo do meridiano do coração. Os tratamentos herbários consistem em fórmulas que nutrem o sangue do coração ou yin. Se o fogo do coração perturba o espírito, ervas que limpam o calor do coração são usadas.
Preocupação
A preocupação, uma emoção muito comum em nossa sociedade repleta de estresses, pode esgotar a energia do baço. Isso pode causar distúrbios digestivos e acabar levando à fadiga crônica: um baço enfraquecido não pode transformar o alimento em qi de maneira eficaz e também os pulmões são incapazes de extrair o qi do ar eficientemente.
Uma pessoa que se preocupa muito “transporta o peso do mundo sobre seus ombros”, e uma palavra que descreve muito bem como uma pessoa se sente quando o qi de seu baço está fraco é depressão. O tratamento inclui moxa e ervas que fortificam o baço, o que proporciona à pessoa energia para lidar com os problemas da vida em vez de vivenciá-los.
Pensamento obsessivo
Pensar excessivamente ou obsessivamente sobre um assunto também pode esgotar o baço, o que causa a sua estagnação. Uma pessoa com essa condição pode exibir sintomas como falta de apetite, esquecer de se alimentar e inchaço após comer. Com o tempo, a pessoa pode desenvolver uma complexão pálida devido à deficiência de qi do baço. Eventualmente, isso pode afetar o coração, fazendo a pessoa sonhar com os mesmos assuntos à noite. Geralmente os estudantes são afetados por esse desequilíbrio. O tratamento padrão é usar ervas que tonifiquem o sangue do coração e o qi do baço.
Tristeza
A tristeza ou pesar afeta os pulmões, produzindo fadiga, falta de ar, choro ou depressão. O tratamento dessa condição envolve acupuntura para os pontos ao longo dos meridianos do pulmão e rim. Normalmente, fórmulas herbárias são usadas para tonificar o qi ou yin dos pulmões.
Medo
A emoção do medo está relacionada com os rins. Essa ligação pode ser prontamente percebida quando o medo extremo faz uma pessoa urinar incontrolavelmente. Nas crianças isso também se manifesta quando elas urinam na cama, o que os psicólogos associaram com insegurança e ansiedade.
A ansiedade prolongada devido às preocupações com o futuro pode esgotar o yin, yang e qi dos rins, o que pode eventualmente levar à fraqueza crônica. O tratamento envolve tonificar os rins com tônicos yin ou yang, dependendo dos sintomas particulares.
Choque (pavor)
O choque é especialmente debilitante para os rins e o coração. A reação “lutar ou fugir” causa uma liberação excessiva de adrenalina das glândulas adrenais ou supra-renais que se localizam sobre os rins. Isso faz o coração responder com palpitações, ansiedade e insônia.
O estresse crônico oriundo do choque pode ser muito debilitante para o sistema inteiro, causando uma ampla gama de problemas. O choque severo pode ter um efeito duradouro sobre o shen do coração, como fica evidente em vítimas da síndrome do estresse pós-traumático. O tratamento envolve psicoterapia, ervas que acalmam o espírito e nutrem o coração e rins, e tratamentos regulares de acupuntura.”

Fonte:http://expandiraconsciencia.blogspot.com.br