Não me interessa saber o que fazes para ganhar a vida. Quero saber o que
desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu
coração anseia.
Não me interessa saber a tua idade. Quero saber se arriscarás parecer um
tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te
abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor!
Quero saber se podes suportar a dor, minha ou tua; sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la.
Quero saber se podes aceitar alegria, minha ou tua, se podes dançar com
abandono e deixar que o êxtase te domine até às pontas dos dedos das
mãos e dos pés, sem nos dizeres para termos cautela, sermos realistas,
ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos.
Não me interessa se a história que contas é verdade. Quero saber se
consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se
podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.
Quero saber se podes ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os
dias, e se podes buscar a origem da tua vida na presença de Deus, quero
saber se podes viver com o fracasso, teu e meu e ainda, à margem de um
lago, gritar para a lua prateada: Posso!
Não me interessa onde moras ou quanto dinheiro tens. Quero saber se
podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado,
ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos.
Não me interessa saber quem és e como vieste parar aqui. Quero saber se
ficarás comigo no meio do incêndio e não te acovardarás.
Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem estudaste. Quero saber o
que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona.
Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios.
Jean Houston
Fonte:http://infinitoparticulardalva.blogspot.com.br