A fofoca é uma
instituição universal da qual ninguém escapa. Até hoje ainda não conheci
uma única pessoa que não fosse fofoqueira. Em qualquer grupinho social a
fofoca rola solta. Até nas Sociedades Psicanalíticas é um tal de
conversa no pé do ouvido que não acaba mais. Nos partidos políticos
reina o disse-me-disse. As especulações de todo tipo ocupam grande parte
das atividades: fulano rompeu com fulano, beltrano bandeou-se, cuidado
com seu falso apoio...
E a Imprensa? Não fosse a
fofoca, de que viveriam as colunas políticas e sociais? Acontece que a
Imprensa resolveu tornar elegante essa coisa e mudou o nome de fofoca
para "boato". Assim, o fofoqueiro profissional se exime de culpa, pois o
"boato" é a fofoca passada adiante. O fofoqueiro fica apenas sendo
aquele que deu a partida (as famosas fontes oficiosas).
Contra a fofoca não se
pode fazer nada. É que a vida de todo mundo é dura, difícil, cheia de
frustrações, de sonhos desfeitos, de ilusões derrubadas por amargas
realidades. E quando uma pessoa está sofrendo, é terrível constatar que
tem outra se dando bem, pois isso agrava o sofrimento. Portanto, para
quem está sofrendo, é melhor achar que todo mundo também está na pior.
Mal de muitos, consolo é, já dizia minha vó.
Por que a gente gosta
tanto de ler jornal? É que quando nos mostra toda essa violência que
está por aí, frente à tamanha truculência, o leitor, que leva uma vida
duríssima, respira até aliviado: "Puxa, podia ser pior. Pelo menos eu
estou vivo e não matei ninguém".
Portanto, a tentação da
fofoca é humana, normal e compreensível. O problema é que essa tentação
pode tomar proporções assustadoras, impedindo que a pessoa tenha um
olhar generoso, uma emoção forte, uma compreensão oceânica, um
desprendimento amazônico.
O ser humano só se
renova quando troca sua seiva com alguém. É de nossa própria natureza a
necessidade do compartilhamento. Sem isso, caímos numa imensa solidão ou
nossa alma começa a ficar numa carência medonha, faminta de energias
alheias. Nada é mais importante que o diálogo cotidiano, o bate-papo de
cada dia. O ser humano precisa disso como o ar para respirar.
E, às vezes, pensando
que está falando a gente pede pra passar a sopa, picha, malha, faz
fofoca e não fala nada. Ou seja, pra falar sobre as nossas profundas
emoções, ânsias e sentimentos, a gente se vê de rédea curta.
Vocês já repararam?
Quantas vezes duas pessoas se encontram e se dispõem a falar sobre a
verdade de seus sentimentos e descambam para críticas, conselhos que não
têm nada a ver, ou simples fofoca?
Eduardo Mascarenhas Fonte: http://cultcarioca.blogspot.com.br