quinta-feira, 26 de setembro de 2013

MENTIRAS

A mentira é o vírus de uma relação. Invisível, ela chega silenciosa, sorrateira, se aloja na convivência e, quando percebemos, estamos infectados. Não há mais cura. Se a sinceridade é o alicerce para o amor, a mentira, é o veneno da rotina. Mentir é fácil. Difícil é suportar as consequências do gesto. Enganar o outro é trair a si mesmo.

Mentira é fuga, delírio do óbvio, um lapso de ilusão. Devaneio da realidade, incerteza do passo. A mentira é a contramão da tranquilidade. Mentir não protege, afasta; não ajuda, confunde; não esconde, machuca. A mentira é a sombra do dia, a tentação da noite. Mentir revela mais do que gostaríamos.

Uma mentira inocente pode abrigar, mas a sinceridade vai aquecer. Mentimos todos os dias. Dizemos que o cabelo dela está ótimo, que a sua comida está uma delícia, que o perfume dela nos faz cantar. Mentimos por um sorriso e somos perdoados por isso. Mentir nunca é bom, especialmente no amor.

“Mentiras sinceras me interessam”. Grande Cazuza. Mentir pode ser um deboche para ser notado. Algo o tipo: “Eu te odeio”, “Sai da minha vida”, ou nunca mais me procure”. Sabemos que a boca não combinou o discurso com os olhos. O olhar não mente jamais. E a boca... Bom, a boca implora por ser calada com beijos.

Minto pra ser feliz, engano a minha previsibilidade e traio a própria vontade, sempre que te nego um abraço. Mas não há como disfarçar a veracidade dos corpos. Na entrega, o arrepio autêntico revela o íntimo da pele. Mentir na cama é até possível, mas imperdoável.

A mentira angustia, traumatiza e inquieta. A mentira sempre será revelada. A mentira é uma verdade escondida, uma covardia mascarada, uma defesa do medo de se sentir fraco. Mentir é dissimular a realidade, amar por pena, transar por compromisso. A mentira é irmã da traição e amiga do pecado. Mentir é desistir de si mesmo, abdicar da sinceridade do peito, abandonar a transparência dos sentimentos.


Mentir é uma escolha errada. Mas ainda assim, uma escolha.

Fonte: http://chicogarcia.blogspot.com.br

domingo, 22 de setembro de 2013

RELACIONAMENTO TIPO TENIS OU TIPO FRESCOBOL?

“Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que, os casamentos (relacionamentos) são de dois tipos: Há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol.
Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me.
Para começar, uma afirmação de Nietzsche com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: “Ao pensar sobre a possibilidade do casamento, cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: Você crê que seria, capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice”?
Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.
Sheerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme “O Império dos Sentidos”.
Por isso, quando o sexo já estava morto na cama e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites.
O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fosse música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.
Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ”Eu te amo...”
Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, “eu te amo” não quer dizer mais nada. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética”.
Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua “cortada”, palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar.
O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.
Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui, ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra, pois o que se deseja é que ninguém erre. E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão ... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor ... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...”



Rubem Alves

Fonte: http://expandiraconsciencia.blogspot.com.br

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

A CULTURA DO JEITINHO

Dia desses, em meio a uma polêmica suscitada por uma discordância entre condutas profissionais, ouvi de uma colega de trabalho a assertiva “pode ser ilegal, mas não é imoral”. A discórdia que deu origem às discussões era, basicamente, o quanto um determinado hábito, arraigado há muito e perpetuado a fim de facilitar algumas coisas, pode ser nocivo mesmo que sua intenção seja dar um jeitinho de resolver eventuais problemas. Passei dias matutando a frase da moça. E não consegui chegar a outra conclusão senão esta: em tudo se pode dar jeito – mas nem tudo se resolve dando um “jeitinho”.

Diz-se que o Brasil é o país do jeitinho – e é verdade: dá-se um jeitinho para fazer um favor, para sair de um aperto ou, mais frequentemente, em causa própria. Há quem dê jeitinho por compulsão – de fato, deve haver quem seja viciado em jeitinho. Não se sabe como começou, mas o jeitinho virou uma coisa tão tradicional para o brasileiro quanto a feijoada dos fins de semana, a camisa verde e amarela da seleção ou errar a letra do Hino Nacional. Quem renega o jeitinho é chato, caxias, maniqueísta. Quem pratica é querido, esperto, prestativo. Fazemos parte de uma cultura na qual quem se nega a dar um jeitinho nas coisas frequentemente é interpretado como disfuncional e antipático. O jeitinho brasileiro é conhecido mundo afora. Quem tem DNA brazuca faz, e isso tem seu lado bom – o jeitinho brasileiro é uma das maiores expressões da criatividade que nos permite dar a volta por cima em situações altamente desfavoráveis, e isso é necessário e saudável, e tão automático que, embora seja quase sempre uma atitude lúcida, às vezes acontece de maneira até inconsciente. O lado ruim do jeitinho é que, cada vez mais, se cruza uma fronteira delicada quando a prática deixa ser exceção para se tornar a regra: seja por comodismo, viés de planejamento ou porque “isso aqui não dá nada”, entre jeitinhos e “jeitinhos”, o que é lícito e ético, e o que deixa de ser?

Dar um “jeitinho” – assim mesmo, entre aspas e com jeitão de gambiarra – não é simplesmente feio. Soltar um pum e colocar a culpa no cachorro é feio. Quando, ao dar um “jeitinho”, há a intenção de obter alguma vantagem, paralela ao fato de que alguém, direta ou indiretamente, em diferentes escalas, arcará com o prejuízo – seja financeiro, moral ou emocional, consciente ou não – o “jeitinho” deixa de ser inócuo e vira uma praga. Senão ilegal, no mínimo, imoral. Sendo assim, não há diferença entre quem sonega impostos ou o centavo de troco daquilo que custa 1,99, ou entre aquele que chega atrasado e fura a fila para ser atendido primeiro e quem rouba no peso do quilo da cebola, ou quem superfatura nota fiscal, ou quem adultera atestado documentos, ou quem finge doença pra passar uns diazinhos em casa. Dá um “jeitinho” quem faz gato na rede elétrica, quem rouba o sinal da tevê a cabo do vizinho, quem delega suas responsabilidades a terceiros com o objetivo de tirar vantagem. E dá um “jeitinho” quem se acumplicia com o jeitinho alheio, mesmo ciente de que sempre haverá alguém para pagar o pato. Ninguém conseguiu, até hoje, foi dar um jeitinho para acabar com o “jeitinho”. E, embora tantas discussões, cada vez mais calorosas, a respeito de moral e ética, a prática segue inversa à teoria.
Diz-se que o Brasil é o país do jeitinho – e é verdade. O que não quer dizer que, individualmente, o brasileiro não tenha solução: aquilo que praticamos no dia a dia e o quanto somos capazes de nos portar corretamente quando ninguém está olhando dá o tom de quem realmente somos. Que o jeitinho brasileiro, um dia, deixe de ser sinônimo de gambiarra e passe a ser visto como uma das nossas qualidades mais notáveis. Até lá, o jeito é praticar o desapego do tal “jeitinho” e demonstrar que sabemos arrumar a casa sem jogar a sujeira debaixo do tapete. Porque pode até ser que ninguém saiba que ela está lá – mas sempre existe um dia de ventania, e aí...

Flavia Brito

Fonte: http://sabe-de-uma-coisa.blogspot.com.br

domingo, 15 de setembro de 2013

UMA CERTA BELEZA

Dizem que o homem teme a morte, porém morre todo dia, e renasce toda manhã.
E sua própria vida é algo em constante mutação, tanto celular quanto neuronal quanto espiritual: não somos os mesmos de 15 anos atrás, quase nenhuma célula é a mesma.
Então talvez temamos deixar de existir, mas muitas de nossas preferências e características deixaram de existir, sem realmente terem se aniquilado por completo. Não brincamos mais as brincadeiras de criança, mas temos ainda, quem sabe, uma vaga ideia de como elas eram...
Enfim, as personalidades mudam e morrem e renascem, mas as potencialidades caminham sempre a frente, quem sabe junto a seta do tempo: todo o inanimado se desorganizando, todo o animado se iluminando.
Mas mesmo a existência precede a essência, realmente, pois que antes de todas as substâncias e todas as almas, havia apenas uma única substância incriada e tão eterna quanto tudo o mais...
Há uma certa beleza em se pensar assim.

Fonte: http://textosparareflexao.blogspot.com

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

HOMEM DE MARTE

Deu no jornal. Beatriz, estudante carioca de 21 anos, é uma dos 100 mil inscritos no projeto da empresa holan- desa Mars One, que se propõe a selecionar 40 pessoas e, destas, despachar quatro para Marte em abril de 2023. Não para tomar sol e flanar pelos canais, mas para morar --o bilhete é só de ida-- e contribuir para criar uma colônia humana no nosso vizinho.

Vizinho, em termos. Marte fica a quase 60 milhões de quilômetros --sua menor distância da Terra-- e a viagem tomará sete meses. Nem a volta do trabalho para casa em São Paulo leva tanto tempo. Para isso, os candidatos a colonos-astronautas terão de suportar oito anos de treinamento, passar por centenas de simulações de voo e pouso e se habituar à miserável dieta que terão de praticar por lá. Diante disso, muitos dos selecionados cairão pelo caminho. Beatriz espera chegar às finais --foi até escolhida para estrelar um documentário promocional sobre a viagem.

Mas temo que essa empreitada exija um tipo diferente de pessoa --alguém que já tenha um razoável histórico de resiliência e dê provas diárias de que suporta agruras, revezes e privações sem perder a pose. Alguém que, certo de suas convicções, enfrente a fúria dos elementos em defesa delas. Enfim, alguém sobre quem não reste a menor dúvida.

O pastor Marcos Pereira, por exemplo. Com seu visual de vilão do cinema mudo --a que não faltam as olheiras de rolha queimada-- e acusado de estupro de fiéis, envolvimento com o tráfico, lavagem de dinheiro, participação em homicídio e arrotar sem motivo justo, ele está certo de que um "homem de branco" descerá das nuvens e o libertará dos aposentos de onde está vendo o sol nascer quadrado. "A cadeia não tem como me segurar", diz. 

É de homens como ele que Marte precisa.
Ruy Castro
Fonte: http://cultcarioca.blogspot.com.br

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

O MISTÉRIO DO ABRAÇO

O efeito terapêutico do abraço é inegável.
Diante disso não podemos esperar para abraçarmos a quem queremos bem.

Se você estiver sentindo um vazio interior, tente abraçar o seu amigo, deslizando delicadamente a mão sobre as costas dele, para que o possa sentir junto a você.

Nos momentos de dor ou de alegria é que vemos o bem que um grande e demorado abraço nos causa.

Pelo abraço, transmitimos emoções, recebemos carinho, trocamos afeto, compartilhamos alegria, amenizamos dores, demonstramos amizade, doamos amor, expressamos nossa humanidade.

Aproxime-se mais das pessoas que estão à sua volta e tente sentir do que um abraço é capaz.

Quando bem apertado, ele ampara tristezas, sustenta lágrimas, combate incertezas, põe a nostalgia de lado.

É até capaz de amenizar o medo.

Se for cheio de ternura, ele guarda segredos, e jura cumplicidade.

Um abraço amigo de verdade, faz nosso coração transbordar de alegria.

Abraços são pequenas orações de fé, de força e energia.

Olhe para o lado: há sempre alguém que quer ser abraçado e não tem coragem de dizer.

Enlace-o!

O pior que pode acontecer é ganhar de volta um sorriso de carinho, ou, quem sabe, uma palavra sincera.

Você vai descobrir que ninguém gosta de estar sozinho e que a vida pode ser mais terna e feliz.

Huum… de repente, deu vontade de um abraço, não é mesmo?…

Uma vontade de entrelaço, de proximidade… de amizade, sei lá!

Pois então: – Dá logo esse abraço !!!

E se você por algum motivo não tiver quem abraçar nesse momento, feche os olhos, coloque seus braços em volta do pescoço e sinta-se abraçado por Jesus, seu amigo de todas as horas…

Em troca, dá aquele sorriso!!!

http://mensagensdiarias.com.br


Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

CONVERSA NOCIVAS: EVITE-AS!!!

Observando mais sobre a vida, percebemos que as pessoas adoram conversar sobre desgraças, doenças, dores, remédios etc.. Assustador é perceber que esses assuntos estão muito presentes no vocabulário das pessoas e com muita facilidade esses temas se desenvolvem.
Mas qual será o motivo dessa cultura?
Entendo que mesmo inconscientemente, as pessoas são muito carentes e egocêntricas.
Também que adquirimos maus hábitos e não os percebemos.
 

As pessoas acostumadas a conversar sobre esses temas nem percebem o quanto influencia negativamente a todos, tanto quem fala, quanto quem escuta.

Outra coisa que assusta é o fato de que muitas pessoas vão ler esse texto, concordar com essa colocação, no entanto, não vão perceber que também fazem parte desse grupo que em sua rotina, inclui longas discussões sobre doenças, dores, desgraças e outras nocividades.

Alerto definitivamente sobre a necessidade de começarmos a vigiar cada assunto que falamos ("orai e vigiai"), porque você provavelmente vai concordar com o que está lendo, mas de nada vai ajudar se você não cuidar atentamente para não desenvolver ou manter esse hábito negativo.

Pessoalmente, já tinha lido muito sobre isso, estudado bastante e até participado de alguns cursos sobre o tema.

Considerava-me alguém que realmente controlava a qualidade de tudo que eu dizia. Achava que os temas das minhas conversas eram sempre positivos, entendendo que já tinha dizimado de minha vida essas conversas sobre remédios, doenças etc.

 

Quando eu lia algo sobre o tema, consentia acintosamente, achava isso fato consumado.

Foi quando, para me estudar, decidi, por um dia inteiro, gravar todo a minha conversa com outras pessoas.

Qual foi a minha surpresa ao perceber que eu que me achava o sabichão das palavras positivas, decepcionei-me constatando o conteúdo da gravação.

Que balde de água fria!

Com isso percebi, que racionalmente a gente concorda com a teoria de evitar ao máximo os temas negativos nas conversas, compreendendo os seus malefícios.

Só que colocar em prática efetivamente, criando um hábito consistente já não é tão fácil.

As pessoas adoram, até parece que sentem prazer em falar sobre dores e doenças, sentem-se realizadas por conhecer nomes e mais nomes de medicações.

Ficamos horas a fio ouvindo histórias tristes sobre doenças e desgraças, mergulhando profundamente, por várias e várias vezes naquela emoção negativa que já foi vivida e que ficou no passado.

 

Quero que entendam que não estou desprezando os sofrimentos da vida, ignorando a dor, só estou sendo sensato em dizer que ficar relembrando o tempo todo algo ruim que já aconteceu, revivendo isso no pensamento e nas emoções, já é uma insanidade.

Uma vez fui a uma festa, o pessoal até estava animado, muita gente sorrindo, uma alegria no ar e boa harmonia. Sentei-me com um grupo de cinco amigos e começamos a conversar sobre variedades. Não demorou nada e um deles falou: Nossa, vocês viram o fulano, ele foi operado e tá mal!

As pessoas do grupo ficaram surpresas, quando prontamente um outro amigo disse: pior o Ciclano, sofreu acidente e está em coma há 10 dias.

 

O que acontece na maiorias das vezes é que os outros do grupo que ainda não falaram nada, acabam sendo estimulados e não resistem à "tentação", precisam também contar as suas histórias tristes.

Nessa hora, eu pensei: que conversa pesada!

O que eu estou fazendo aqui?

 

Disfarcei que ia ao banheiro para sair daquela sintonia.

Minutos depois já estava adaptado em uma nova roda de pessoas, dessa vez só com mulheres, com a esperança que ali o assunto estivesse mais leve.

Para minha surpresa, estavam falando sobre doenças de tudo quanto é tipo, mas em pauta estava a Tendinite.

Uma pessoa dali conhecia tudo sobre o tema, remédios, tratamentos e principalmente os melhores médicos.

Claro, sem se esquecer de criticar fortemente alguns profissionais, que segundo ela, não eram bons. Uma outra pessoa da festa, que não estava na roda, passava por ali na hora e não se agüentou.

 

De maneira espontânea, quase que intrometida, recomendou um ótimo remédio que estava tomando e, segundo ela, estava resolvendo plenamente.
Pronto! ra tudo que aquelas pessoas queriam, um remédio milagroso.

Anotaram o nome do remédio, bem como o telefone do médico.

E isso tudo rendeu mais uns vinte minutos de conversa sobre a doença.

Percebi que tinham muitas coisas erradas nas conversas e que na verdade todas aquelas pessoas sentiam muita dor porque estavam o tempo inteiro em ressonância com esse tema, não só no fisco, mas na mente, nos hábitos, que precisam ser radicalmente mudados se o ser humano quiser se curar de verdade.

 

As pessoas não querem sofrer nem serem magoadas, mas adoram ficar contando para as outras pessoas suas histórias tristes.

Não querem sentir dor nem ficar doentes, mas se rendem ao hábito de falar insistentemente sobre o tema.

Em maio de 2006, sofri um grave acidente automobilístico, quando me choquei frontalmente com um caminhão.

A gravidade do acidente, bem como a minha sobrevivência foi um espanto para amigos e familiares, não é para menos, foi um milagre minha proteção.

 

Mesmo assim, tive que passar por um período de recuperação física.

Nesse tempo, recebia muitas visitas, de pessoas carinhosas que queriam me dar apoio.

Nos primeiros dias, logo após ao acidente, ainda estava muito debilitado e muito frágil psicologicamente, visto o trauma recente.

 

A minha surpresa foi grande, já mesmo vendo a minha fragilidade momentânea, algumas pessoas ao me visitarem desenvolviam longas e inconvenientes histórias sobre acidentes, mortes no trânsito etc..

Começamos a perceber que sempre após as visitas, eu desenvolvia uma febre curiosa, sem causa aparente, foi quando ligamos os fatos.

 

Daí, a partir dessa cosntatação, meus amigos e familiares que cuidavam de mim, passaram a solicitar aos visitantes que jamais falassem sobre acidentes ou situações parecidas.

Para nosso espanto, no outro dia já não mais tive febre!

Coincidência?

Uma outra constatação é que não raro, quem vai ao velório, chora a morte de alguém, bem como a de todas as pessoas que ela já tenha perdido, porque a cena do caixão, do sepultamento e tal, estimula a recordação de todos as outras situações que ela já tivesse presenciado.

Essa lembrança faz a pessoa se sintonizar com tudo que ela já viveu de parecido.

Em um velório que fui, estava em silêncio ao lado de amigos respeitando aquele momento, quando um deles começou a falar em tom baixo: No enterro do meu tio estava chovendo e foi bem difícil, tomara que na hora do sepultamento não chova!

O outro amigo já disparou: No enterro do meu vizinho fazia um sol de rachar!

E assim por diante, um tema foi puxando ao outro, sem trégua.


Essas histórias são reais e fazem parte da vida de 99% das pessoas; o pior é que nem percebemos como tudo isso pode nutrir sentimentos e emoções negativas que são a causa da maioria das doenças e males que nos afligem diariamente.


Alerto para o fato que falamos coisas com tanta naturalidade que simplesmente não percebemos que muitas vezes são extremamente nocivas ao equilíbrio e paz, tanto da pessoa quanto do ambiente. Desejo que você passe a vigiar cada vez mais tudo o que você fala, isso vai ajudá-lo e ao seu próximo.

Pense nisso!

 

Bruno J. Gimenes
Fonte: http://saintgermanchamavioleta.blogspot.com.br/